Um ano depois, a gente ainda tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja muito bem vindo!

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Acabei de assistir pela primeira vez ao mais novo filme que adquiri: “2001 - Uma Odisséia No Espaço”.

Os danos que Kubrick causou na minha consciência eu ainda não tenho como calcular. Quanto àqueles que sofreram a minha inconsciência…

Quis escrever imediatamente para perder o mínimo possível e para não ser influenciado por nada que eu possa ler ou ouvir sobre o filme daqui em diante.

O que vos digo agora é aquilo de mais puro que o filme me deu. Um segundo comentário virá depois de uma pesquisa e uma outra olhada no filme.

Os primeiros minutos não fizeram menos que arrancar minha mente e dizer: “Você sabe mesmo onde está? Sabe mesmo o que está para ver?”

A sensação era “esse não é o filme que eu esperava”. Não no mal sentido, nem no bom, não era sentido. Simplesmente me desarmei.

Os primeiros diálogos tentaram me enganar dizendo: “Calma, nem tudo está perdido!” Na verdade eles não só tentaram como me enganaram realmente.

As lindas imagens formadas me faziam congelar o olho. Um misto de angústia e curiosidade. O que de fato era o misterioso monólito encontrado na Lua?

Minha esperança de uma explicação plausível e mastigada foi destruída por um zunido insuportável e um salto de dezoito meses para dentro de uma nave com cinco tripulantes vivos e o computador de bordo. Todos rumo à Júpiter.

Ali, além da angústia e curiosidade, apareceram o medo e a raiva. Ótima reflexão sobre o relacionamento homem-máquina.

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O que os esperava? Não importava. Minha mente estava tentando, sem sucesso, construir um caminho e adivinhar onde a história queria chegar. E depois do calmo desastre? Paz? Tranquilidade? Nada…

O além me deixou sem chão. Minha mente não tentava mais adivinhar o caminho. Ela pedia desesperadamente por uma base consciente. Qualquer coisa que me levasse de volta para a terra.

Mas nada…

As últimas cenas levaram minha ânsia e meu medo a níveis alarmantes. E eu estava, no final das contas, adorando!

Conclusão? Nada de mistérios resolvidos, nada de linhas coligadas, nada de sentimentos satisfeitos, nada de raciocínio concluído. Até agora.

Satisfação? Muita!

“2001″ é um claro estímulo inteligente que, feito em 1968, nos dá uma ótima resposta ao atrofiamento mental defendido pela onda dos mastigados blockbusters mercenários.

Mal posso esperar pela segunda viagem!

[Na parte 2 do (sobre)Vivendo, as impressões do mesmo filme depois de uma pesquisa e de vê-lo uma segunda vez.]

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Como se refilma um clássico?

Pense num filme que fez época. Um desses considerados dos melhores, um desses que criaram as imagens mais famosas da história do cinema, um desses que a sua música todos conhecem e que o diretor é quase tão famoso quanto os maiores astros da atualidade.

Todos concordam que Psicose é um filme desses, certo? Quem não conhece a famosa cena do chuveiro? A moça gritando, a música tensa e uma mão empunhando uma faca contra ela. Clássica.

Hitchcock. Vai dizer que nunca ouviu falar! Mestre do suspense. Com Psycho ele filmou a sua obra prima, criando personagens marcantes e inesquecíveis, e controlando livremente nosso medo e nossas angústias.

Aposto que ele se remexeu no túmulo quando resolveram refilmar Psycho…

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Em 1998, dirigido por Gus Van Sant (Gênio Indomavel, Paranoid Park, Milk), Psycho é relançado, agora em cores. O diretor deve ter aproveitado a ocasião pra mostrar que não tinha nada pra fazer refilmando o que não dá pra ser refilmado.

Claramente vemos a tentativa de fidelidade. Cenários e cenas são meticulosamente refeitos. Efeitos e ângulos de câmera iguais. Cenas filmadas quase exatamente como o original. Mas por quê? Alguém me explica por que uma pessoa iria querer mostrar de novo uma coisa que já foi mostrada, e não só, muito bem mostrada? Eles devem ter pensado que tinha alguma coisa pra melhorar, será? Não acredito nisso.

Os personagens. Essa refilmagem conseguiu fazer dos incríveis personagens algo beirando o medíocre. Atores que não conseguem lidar com a carga necessária ao personagem. Em certos pontos parece até que eles acabam revelando de graça aos espectadores informações que deveriam ser sutilmente contidas nas interpretações, mas que aqui parecem abertamente mostradas devido à falta de cuidado em humanizá-los.

Enfim, tudo o mais que pode ser comentado cairá sempre na mesma indagação: Por quê? Não tem porquê contar de novo uma história que já foi contada.

Como se refilma um clássico? Quer saber? Nem tente…

Este comentário foi também publicado no site Cine Players. Aproveite para conferir o que está acontecendo no mundo da sétima arte! Confira abaixo!

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O que um armário sabe sobre a paixão? Um móvel comprido, largo o suficiente pra conter nossas roupas, alto o suficiente pra nos deixar com raiva e feito de portas. Alguém alguma vez se perguntou se uma coisa dessas entende sobre as complexidades da paixão?

Lucas nunca tinha pensado sobre o quanto um armário pode saber sobre a paixão. De fato nem ele sabia muito bem. Nem sobre paixão nem sobre armários. O que ele passou a ficar sabendo muito bem naquela noite, quando abriu o armário em busca de um agasalho, foi que o mesmo tinha decidido, sem avisar, que não queria mais o cabideiro.

O resultado de tal decisão, para o nosso Lucas, foi abrir o tal rebelde e ver que tudo aquilo que ele tinha pendurado nos cabides jazia no pé do armário criando uma tremenda confusão. E o armário, todo orgulhoso, ainda deixava claro que não tinha desmontado alguma coisa, tinha é quebrado mesmo.

Aquela era uma das poucas noites que o Lucas tinha livre, realmente sem nada pra fazer. Mas ficar sem consertar o armário não dava; o que ele ia fazer com as roupas dos cabides?

Colocou-as em cima da cama com os cabides e tudo e resolveu assim sair de casa procurar o material necessário pra consertar o tal armário. Até ali o conceito “paixão” não tinha nem mesmo pensado em passar perto da sua mente. Talvez na do armário, mas não se sabe.

Foi saindo de casa que Lucas encontrou um grupo de amigos, estavam todos conversando animadamente, junto com eles estavam mais três ou quatro pessoas que ele não conhecia; amigos dos amigos. Não demorou muito pra saber que aqueles desconhecidos não eram dali e não ficariam ali muito tempo, estavam de passagem.

Lucas fez a sua parte, se apresentou e entrou na conversa, tentando esquecer a raiva do armário. Não demorou muito também pra saber que aqueles rapazes, que agora eram novos amigos, estavam esperando o resto do grupo pra voltar pro lugar de onde eles tinham vindo. A informação ficou armazenada, mas Lucas não deu tanta importância à ela.

Depois de um tempo, porém, o papo não tava muito bom, o assunto não agradava e Lucas não sabia mais o que fazer pra sair dali, foi ai que ele lembrou que tinha realmente que arrumar o armário, e pediu licença. Andava de um lado pro outro, entrava em tudo que é canto procurando o que ele precisava e nada de achar. Depois de um tempo acabou por desistir. Ele acharia um lugar pras roupas até a manhã seguinte, quando finalmente poderia comprar o material necessário.

Mas foi voltando pra casa que a dúvida veio. Não sobre o armário, nem sobre a paixão, era só que tinha visto que os seus amigos estavam ainda no mesmo lugar conversando. Não só: o resto da turma que ele não conhecia tinha entrado na conversa.

De longe ele via pelo menos quatro meninas e dois rapazes novos, que não estavam no grupo antes. E ficou pensando no quanto não queria passar por ali, afinal de contas o papo não estava tão bom antes, e não prometia melhorar. Seu medo era de ficar preso a uma conversa chata e sem fim com pessoas mais entediantes ainda sem que pudesse dizer “boa noite, tenho que ir dormir”.

Alguns minutos se passaram e nada do pessoal parar de falar. “Eles não tinham que ir embora rápido?” pensou. Decidiu dar mais uma olhada, afinal de contas ficar parado numa calçada olhando pro asfalto as dez e meia da noite não era um programa dos melhores. Talvez uma conversa chata fosse melhor. No que ele olhou de novo achou, entre os rostos ali presentes, um rosto familiar.

“Ei, peraí. Aquela não é a…” e viu que uma das garotas que tinham chegado era uma que ele conhecia. Não muito bem, mas já tinha trocado com ela um oi com mais duas ou três palavras. Decidiu então arriscar entrar em casa. Na melhor das hipóteses ele passaria despercebido, se ele não conseguisse pelo menos tinha uma vaga possibilidade de puxar um outro assunto com aquela conhecida.

Lucas não conseguiu passar despercebido. E o armário sabia disso. “Você voltou na hora certa!” disse um dos amigos. “A gente tá aqui tentando convencer o Afonso que o teatro Brechtiano e aquela cena do filme do Godard tem uma ligação!”

O sorriso custou a ficar no rosto de Lucas, e a única coisa que passou na sua cabeça foi: “Cinéfilo é uma raça idiota”. O papo então seguiu, Lucas cumprimentou aquela conhecida e felizmente conseguiu dividir o foco da conversa, chamando a conhecida e perguntando onde eles tinham se visto pela última vez, como vai a vida, o que ela fazia e todas aquelas perguntas de praxe.

Os minutos passavam e a conversa ia pra frente sem segredos e cada vez mais descolada. A preocupação de chegar em casa tinha desaparecido e nem do armário Lucas lembrava. Os amigos foram se despedindo aos poucos, mas aquele pessoal que tinha que ir embora não tava nem um pouco a fim de fazer isso.

No meio da conversa com aquela que agora era sua amiga, Lucas percebeu que um dos seus amigos ali de perto tinha ido embora, e que com isso o assunto da dupla do lado tinha acabado. Naturalmente os dois que conversavam ao lado se juntaram com eles num grupo só. E como Lucas não tinha se apresentado a todos, começou com os apertos de mão. A segunda pessoa que tinha entrado na roda era uma das três meninas que ele não conhecia. E foi quando Lucas a cumprimentou que conseguiu ver melhor sua fisionomia, visto que não era totalmente escuro só porque tinham os postes.

No exato momento em que ela disse “Oi, me chamo Theresa!” a palvra “paixão” passou pela cabeça de Lucas pela primeira vez naquela noite. Ele não entendia ainda, mas o armário sempre soube muito bem o que era.

Em poucos minutos o vetor da conversa deixou de ser Lucas-Conhecida e passou a ser Lucas-Theresa. Lucas perguntava, puxava um assunto e Theresa respondia, entrava no assunto. E vice-versa. Na cabeça de Lucas aquilo tudo era muito louco. Não entendia como tinha se apaixonado assim, sem aviso. O mais impressionante era que Theresa se interessava, ria, comentava, perguntava. A conversa fluia tão bem que nem cinco segundos os dois ficaram sem falar ou sem rir.

E chegou o momento que Lucas antes esperava e agora não queria que chegasse: o momento em que aqueles, antes desconhecidos, tinham que ir embora.

No curto, porém intenso papo com Theresa, Lucas pôde descobrir de onde ela vinha, o que fazia, idade, família, gostos e tudo aquilo de mais interessante. Descobriu também que ela era de longe, muito longe. E junto com essa informação ele induziu, corretamente mas contra a sua vontade, que não a veria mais depois que ela partisse.

E o momento chegou. Era tudo o que ele menos queria, mas ele não podia fazer nada (e sobre isso o armário teria dito: “como sempre”). Todos eles começaram a se despedir, ela também. Todos juntos começaram a caminhar até o carro. Nesse momento os dois se separaram, ela foi conversar com os outros enquanto caminhava. Ele ia atrás pensando que aquilo era um sinal que ele deveria parar de criar esperanças, afinal de contas a probabilidade de revê-la era mínima. E se ela não caminhava junto queria dizer que as coisas não voltavam do jeito que iam.

Chegando perto do carro Lucas ficou logo atrás de todos, encostou em um outro carro visinho e observou a cena onde todos se despediam e aproveitavam pra trocar as últimas palavras. Ainda olhando aquela que o tinha feito apaixonar, percebeu que, aos poucos ela se distanciava do grupinho formado e, ainda falando, se aproximava dele, sorrindo e ansiosa pra, finalmente, se voltar pra ele.

Os momentos que se passaram dali em diante foram os melhores. Lucas não se lembrava de um momento mais feliz na sua vida. Ele e Theresa ficaram conversando sozinhos por aqueles últimos minutos, e era praticamente ela que puxava a conversa, que queria falar. Era a prova. Não tinha jeito, ela tinha se apaixonado por ele.

Mas cinco minutos passam rápido e chegou o momento de entrar no carro. Lucas não sabia quando eles se encontrariam de novo, não sabia nem se isso seria possível.

Eles se cumprimentaram ambos com aquele sentimento estranho e particularmente desesperador de deixar alguém que não se quer deixar nunca mais.

E ela foi. Pra sempre. Simples assim.

O que um armário sabe sobre a paixão? Isso infelizmente nem eu sei. Só sei que o armário sabia que Lucas, naquela noite, dormiria em cima dos cabides.

14/03/2009Temperamentos

Falando em crises e rádios, outro dia no trabalho (metade da minha vida é trabalho, e isso faz dele um cenário comum em tantas histórias), ouvindo rádio (o rádio é sempre ligado no meu trabalho, e isso faz dele um entediante colega), percebi que ele não estava bem sintonizado. Sabe quando fica aquele chiado irritante ou quando parece que sintoniza, bem mal, duas estações? Era isso.

E como o rádio é, de todos que trabalham ali, o único que não tem intervalo, ele tem que funcionar direito.

Desde sempre achar uma estação boa, com músicas boas e locutores que não falem tanto, é uma tarefa difícil. Quase cem por cento do tempo escutamos as mesmas músicas horríveis de sempre intercaladas por minutos intermináveis de locutores que falam sem parar pensando que alguém os escuta.

Naquele dia em que a rádio, sem aviso, resolveu chiar a sintonia, eu tinha achado uma estação boa.

Uma rádio que, de cinco músicas, três eram daquelas que eu gostava, e entre elas nada de voz de locutor enchendo o saco. Sem contar que os intervalos, além de raros, eram curtos.

Tudo isso pra dizer que quando a rádio começou a chiar eu, que estava relativamente longe, parei o que estava fazendo e corri tentar sintonizar de novo.

Qual não foi a minha surpresa quando, estendendo a minha mão na direção do rádio, ele respondeu com um chiado rápido e forte, e no lugar da música mal sintonizada começou a tocar (com uma qualidade de CD inimaginável) Laura Pausini.

Surpreso, sem saber muito bem o que tinha acontecido e sem entender, virei pro meu amigo que por um momento parou o trabalho que fazia e olhou pra mim: “Temperamental, coitado…”

A rádio entrou em crise temperamental. Das fortes. Mudou sem aviso a estação e resolveu melhorar.

E ela não tocava bem daquele jeito nem quando eu, carinhosamente, tentava mudar a estação, nem quando a tratava com o Maximo possível de respeito.

Logo em seguida a coisa começou lentamente a piorar. A qualidade abaixou e o chiado começou a voltar. E como a musica tinha acabado eu resolvi tentar achar uma outra estação. Mas foi inútil, não consegui achar igual àquela que eu gostava e nem com uma qualidade tão boa quanto aquela que ela tinha resolvido sintonizar.

É talvez falta de atenção. Talvez ela queira um tratamento mais carinhoso. Talvez queira que alguém pergunte como ela tá, como vai o dia, o que ela fez nas férias ou o que ela comeu no almoço de ontem.

De qualquer forma é um pequeno exemplo de que devemos tentar mudar a situação. Vai parecer plágio, mas se até a radio tá em crise, onde nós vamos parar?

Eu tenho que começar a levar o meu MP4 pro trabalho…

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Adoraria dizer que esse filme tem que ser assistido simplesmente porque eu estou dizendo! Sei que por mais que eu compartilhe os meus motivos e pensamentos, diferença mesmo não vai fazer tanta.

Mas aqui eu quero dizer somente de como esse filme me surpreendeu e porquê.

Entrar numa sala de cinema pra assistir um filme vencedor de Oscar automaticamente me coloca na defensiva. Aquele prêmio deixou de ser referência exata para filmes bons muito tempo atrás. Pelo menos pra mim. E sentei na sala escura me preparando pra tentar descobrir porque esse filme tinha levado a estatueta mais famosa do mundo.

A história que o filme conta é de um jovem orfão das favelas de Muibai que está pra ganhar um incrível premio de 20 milhões de rúpias na versão indiana do programa “Quem quer ser um milionário?”. Preso sob suspeita de trapaça, ele conta à polícia a história da sua vida de menino de rua e diz sobre a garota que ama, mas que também perdeu. E surgem muitas dúvidas: o que ele, sem grandes interesses por dinheiro, estaria fazendo num programa daqueles? E como é que ele sabia a resposta de todas as perguntas?

Os primeiros dez minutos de filme já me surpreenderam com um estilo de edição e montagem que caiu como luva no meu gosto pessoal. Mas não só, baseado nos meus escassos conhecimentos tudo era realmente bem feito, inteligentemente articulado e construído usando recursos elegantes para contar a história (como os tapas do oficial, que fazia a cena mudar do interrogatório ao programa), alternando entre a história da vida do personagem, o programa televisivo e o incômodo presente.

Claramente moldado em bases hollywoodianas de se fazer um filme, me deixou, porém, com a pulga atrás da orelha. Ao mesmo tempo via também uma mínima distorção, via um molde embaçado, alguma coisa era diferente. Talvez a história que se passa na Índia, mostrar uma outra realidade, um outro mundo.

A mensagem social o filme conseguiu passar, conseguimos ver outro lado de uma cultura não muito conhecida. E de certo modo um lado sincero daquela pobreza.

Perto do final o filme conseguiu ainda me dividir: eu já não sabia se queria que ele ganhasse ou não. As duas possibilidades me levavam pra finais com terríveis características clichês que eu não queria perdoar. Até esperava que ele não ganhasse pro final ser quem sabe mais plausível, mas sua história e o meio sujo que ele conheceu com o programa me fizeram, de raiva, torcer pra que ele vencesse.

Conclusão? Percebi que o filme já tinha raptado minha atenção e vontades muito antes de qualquer raciocínio técnico ou lógico, e me rendi. E o que me surpreendeu e me fez gostar foi o simples fato que eu torci pela história de um jeito que fazia tempo que eu não torcia em um filme. E pra mim isso bastou.

Tecnicamente ótimo, talvez com algumas características que nos façam pensar: “puxa, que mancada do filme, como isso seria possível?” ou talvez: “Cadê o outro lado da moeda?” porque, por exemplo, alguns personagens perdem o lado humano quando caracterizados como somente mau, perverso. Ou talvez o roteiro pudesse amenizar coisas como o fato de que as perguntas no programa são feitas exatamente na ordem cronologica em que as respostas cruzaram sua vida.

Mas eu sempre fico do lado do conto de fadas. É um filme. Alguém que conta uma história. Independente do fato de que talvez a abordagem tenha sido mais realista, tendendo a não justificar essas coisas.

Mas tem uma história bem articulada que te faz criticar faces que talvez não queremos conhecer de uma realidade distante (até certo ponto). “Quem Quer Ser Um Milionário?” é um filme que faz vibrar e que merece ser visto.

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E lá estava eu, não muito feliz da vida, em silêncio, sozinho, colocando os produtos dentro da caixa, cansado por não ter dormido bem na noite passada e por não agüentar mais trabalhar em pé quando, do meio turbilhonado dos meus pensamentos, consegui escutar uma frase do radio ligado na minha frente: “Você quer uma boa notícia?”

Da pra entender porque eu ouvi só aquela frase, né? Claramente uma notícia boa me faria um tanto mais feliz do quanto eu estava.

A corrente de pensamentos que me veio nesse instante foi absurdamente veloz, exatamente como uma corrente de pensamentos deve ser. Parecia que o locutor esperava eu terminar a minha lista imaginária de boas notícias que eu queria escutar naquele momento pra começar a falar.

Passavam pelo meu telencéfalo coisas do tipo “Ele vai dizer que o presidente morreu e que foi imediatamente decretado que todo tipo de trabalho deve ser interrompido por luto (se bem que o Berlusconi, coitado, o máximo que acontece se ele morrer é ser decretado um feriado festivo. Já o Lula, Bom… Deixa pra lá). Ou quem sabe o locutor diz que o sindicato dos trabalhadores instituiu um decreto dizendo que todos aqueles que trabalham mais de seis horas em pé terão direito à uma poltrona particular nos seus respectivos postos de trabalho.

Mas pode ser também que ele me diga algo do tipo: A faculdade tal, a melhor de cinema da Europa, exibiu um manifesto dizendo que as inscrições para estrangeiros são gratuitas e que para os brasileiros a mensalidade é reduzida em oitenta por cento. Isso sim me faria feliz. Também não seria ruim ouvir alguma coisa do tipo: Apple lança uma promoção onde MacBook custa somente 450 euros!

Ou quem sabe: Não se preocupe, quando você voltar pra casa sua namorada vai estar te esperando sentada no sofá com aquele conjunto que você comprou pra ela e com aquele filme novo que acabou de chegar em DVD e que você perdeu no cinema.

Ouvir que a minha avó preparou um pudim de leite condensado e deixou na minha geladeira também ia ser muito bom!

Bom… Na verdade eu gostaria mesmo era de ouvir assim: “A vida é bela, você vai ver que todas as suas preocupações e o seu cansaço vão sumir em quatorze segundos.”

Tudo isso eu pensei no intervalo de tempo entre a chamada da boa notícia e a tal notícia, intervalo esse que durou o respiro do locutor. E eu ainda tive tempo de terminar meus pensamentos com a frase: “Sim! Eu quero ouvir uma boa notícia!”

Logo em seguida o tal locutor deu, finalmente, a boa notícia. Ele, com uma voz potente, alta, clara e realmente empolgada, disse em poucas palavras que uma marca de carro tal vendia um carro X com taxa zero. E repetiu isso umas quatro vezes.

Quem aquele cretino pensa que eu sou pra tentar me convencer que aquela era uma boa notícia? Sei lá qual taxa era zero, e não quero saber, nunca quis.

De qualquer forma eu sabia que a probabilidade do locutor dar uma notícia realmente boa eram mínimas, e logo em seguida (depois de ter mandado o cara passear) eu voltei minha atenção para a caixa que estava fazendo e os meus pensamentos continuaram a viagem que estavam fazendo até que chegasse alguém com quem eu pudesse conversar.

No final das contas a boa notícia foi ver que o dia tinha terminado bem, apesar do cansaço.

E isso locutor nenhum vai me informar. Idiota.

10/03/2009Qual a senha?

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O que você, amigo leitor, faria se para iniciar o sistema do seu corpo, para fazer com que o sangue circulasse, com que as sinapses funcionassem, se para isso seu cérebro exigisse uma senha?

Provavelmente vocês estão pensando que se isso acontecesse seria realmente simples, todo dia de manhã colocar a senha não seria problema, certamente teria um modo de deixá-la salva e de iniciar o programa automaticamente, somente confirmando que você está acessando a conta certa e perguntando sempre se você deseja salvar a senha.

Isso aconteceu com uma amiga minha. Quem diria. Outro dia ela chegou pra mim e disse: “Sabe que semana passada passei por um sufoco. Antes de acordar, na hora em que eu ia entrar no sistema, não sei o que deu mas a senha não estava salva! Imagina o meu desespero! Toda a minha vida ele entrou automático! Como eu ia fazer pra lembrar uma senha que eu nunca precisei digitar?”

Nesse exato momento eu pensei: “bom, nesses casos o sistema sempre coloca aquele link ‘esqueceu sua senha?’, ela certamente deve ter feito isso, se ainda está aqui falando comigo…”

“Aí”, continuou ela, “eu tive que controlar o desespero e clicar no ‘esqueceu sua senha?’, que imediatamente me levou a um outro lugar onde eu tive que preencher as minhas informações. No final, antes de poder manda-las, eu tive ainda que confirmar alguma coisa como qualidade ou validade da minha vida numa função que eu nunca tinha visto, que era copiar o que estava escrito num quadradinho colorido. Eram algumas letras embaralhadas e embaçadas, e eu não pude distinguir todas, coloquei o que eu via e mandei.”

“Segundos depois”, continuava ela, ” voltei pro mesmo lugar das informações, só que dessa vez aparecia também uma mensagem vermelha dizendo que um erro tinha ocorrido e que eu deveria corrigir os itens que não foram completados corretamente. Dei uma olhada em tudo mais uma vez, tive que completar de novo os itens secretos e vi que meu erro era naquela parte da confirmação no final. O quadradinho não mostrava nunca letras legíveis e eu tive que ficar tentando por um tempão, mais de um dia, até que consegui acertar o que estava escrito ali.”

“Depois disso não demorou pra chegar a confirmação com a minha senha, e eu pude finalmente iniciar o sistema.”

Quando ela chegou no final da sua louca história eu perguntei: “Agora está tudo bem?” E ela respondeu “Sim” quase sem me olhar, já estava agitada e logo seguiu seu caminho sem se despedir, como que tentando lembrar de alguma coisa, quase sem saber pra onde ir.

Os médicos nunca conseguiram explicar o motivo daquele derrame. Mas quer saber? Eu acredito nela.

11/04/2008Foto

Lembra dessa? É velha mas ainda é engraçada!BP

IMPR

Alguém prestou atenção no vídeo “Parando o Tempo” que eu coloquei aqui dois posts atrás? Não? Pois veja.

Viu? E agora, no lugar de paralisar no metrô por cinco minutos, que tal juntar um bando de homens e combinar de fazer compras sem camisa? E o melhor: numa loja dessas que adora explorar a imagem do corpo humano perfeito, sensual e sem camisa em suas propagandas! Eu faria.

Ou quem sabe juntar muitas pessoas e, através de Mp3, todos fazerem as mesmas coisas exatamente na mesma hora? Quem não sabe de nada (todo mundo menos os do grupo) se impressionariam!

IMPPros mais atirados e sem vergonha ainda tem a opção de entrar no metrô sem calças. Perfeitamente vestido no resto, mas exibindo sua samba-canção branca com bolinhas azuis!

OK, para os que acham que isso não é novidade e que tem os “Jackass” da vida que fazem bem mais, eu digo que essa é uma iniciativa bastante criativa.

Entrem no site Improve Everywhere e confiram o que os caras fazem! O melhor de tudo é que nunca ninguém espera e, de certo modo, não se sabe do que se trata e como as pessoas fazem isso! Sem contar com o apelo de protesto e crítico que alguns desses atos possuem.

Claro que não podemos falar que todos os atos tem uma boa intenção (das quais o inferno está cheio) mas tem alguns que realmente dá vontade de fazer!

Alguém aí se habilita em montar um grupo desse tipo? Eu topo juntar umas 300 pessoas e todo mundo congelar bem no meio da Sé! Os interessados que se pronunciem!

29/03/2008EPIC 2014

Em um misto de documentário e ficção somos apresentados para um possível futuro da internet. E, consequentemente, do mundo.

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