Embaralhando

Archive for novembro, 2006

Discordâncias Musicais

by Luis on nov.28, 2006, under Historietas, Todos

Era sempre assim, ele sempre voltava do trabalho e sentava na frente do computador. A mulher sempre reclamava:

- Geraldo Gutter! Saia desse computador! Agora!

E ele sempre respondia:

- Mas mô! A gente tem que usar o máximo que pode! Eu não vou ficar pagando por mais 32 meses esse negócio pra ver ele parado aqui!

- Foi a idéia mais idiota que você teve!

Era todo dia assim, menos de final de semana. Eles tinham comprado o computador numa superpromoção das Casas Bahia. 36 vezes sem juros! Uma pechincha!

Realmente a idéia mais idiota que ele teve.

Ele trabalhava de motorista de caminhão pra um supermercado famoso do bairro dele. Ela era diarista. Os dois saíam juntos na parte da manhã e só se viam á noite. Moravam numa casinha super simples: quatro cômodos. Mas era deles. Ele gostava de chegar e navegar na internet. Ficou um mês com discada, até que chegou a conta. Assinou o Speedy.

Ela entendia muito pouco de computador. Até tinha interesse, mas queria provar pro marido que ela sempre esteve certa e que a idéia de comprar aquilo era uma burrice sem tamanho. Certo dia ela ouviu uma música tocando. Foi ver de onde era e percebeu que era do computador. Saiu da cozinha e foi até ele:

- Bem, como você conseguiu essa música?

- Você não vai acreditar! Eu descobri como baixar músicas!

- Baixar?

- É, quando você pega elas da internet pra você! Um achado!

- E dá pra achar qualquer música?

- Sim!

Depois de observar muito bem observado seu marido mexendo, ela voltou para a cozinha tentando esconder seu interesse. No dia seguinte quem saiu pra trabalhar foi só ele. Ela não tinha sido chamada pra nada.

Acordou umas dez e meia. Pra passar o tempo começou lavando toda a louça, secando e guardando. Aproveitou que estava guardando e deu uma geral na limpeza dos armários da cozinha. Pegou o embalo dos armários e partiu pras prateleiras, gavetas, mesa, pia e assim por diante até deixar a cozinha num brilho que explicava porque o dia de faxina dela não era dos mais baratos.

Bom, assim foi exatamente como vocês podem imaginar: depois da cozinha foi pra casa toda (leia-se quarto, banheiro e sala). Terminando a casa toda, o relógio mostrou meio dia e quinze; mais um motivo do quanto ela cobra por faxina. Resolveu fazer o almoço. Almoçou. Sem o que fazer ela foi cuidar do jardim e da parte de fora da casa. Coisa que demorou até umas quatro horas da tarde. O marido chegava s oito.

Ligou a TV. Ela realmente não gostava dos programas que passavam na parte da tarde. Não gostava mesmo. E além de tudo sua TV tinha 99 canais, só 18 deles pegavam, porém só sete realmente prestavam, na medida do possível. Logo desligou. Resolveu ir tomar banho e se arrumar. Assim o fez. Cinco e meia.

Ainda preocupada com o que fazer para passar o tempo, adiantou o que pôde da janta, arrumou a mesa e começou a fazer a comida.

Seis e meia e ela já tinha feito absolutamente tudo o que ela podia. Pensou então em conversar com as amigas vizinhas. Ninguém em casa. Nenhuma novidade. Sentou no sofá sem nada em mente. Olhou para o computador. Pensou nas músicas. Num ímpeto de coragem e curiosidade ela foi até ele e ligou. Tá, não foi assim tão rápido, ela demorou certo tempo até descobrir como se ligava aquilo.

Com a tela brilhante ligada ela fez o que lembrava do que seu marido fazia. Clicou num lindo desenho de um burrinho marrom muito simpático. Pelo que ela lembrava era esse o tal novo programa que “descia” músicas. Não muito burra e lembrando dos lugares onde seu marido clicava, ela tentou no botão “pesquisar”. No “nome” ela colocou uma de suas músicas preferidas dos seus tempos de discoteca. Clicou “Iniciar” e não deu certo. Depois de muito fuçar ela descobriu o raiozinho amarelo no canto da tela que dizia: conectar. Lá ela clicou e depois novamente em “pesquisar”.

Milésimos de segundos depois uma incrível lista de mais de 150 nomes surgiu na sua frente. Ela conhecia todas as músicas que ali apareciam. Foi clicando nelas até quase todas ficarem vermelhas. Havia descoberto como era bom baixar músicas.

Ele chegou em casa.

- Cheguei!

- Quem é?

- Como assim quem é? É o Brad Pitt, sempre quis conhecer sua casa… Quem mais entra todo dia em casa nesse mesmo horário?

- Ahhn…

Ele estranhou muito, mas continuou. Adorou entrar e ver tudo limpinho e na mesma hora veio a idéia de propor que ela só trabalhasse nos fins de semana. Chegando ao quarto ele quase teve um derrame.

- AAAAAAHHHHHH!!! MULHER! O QUE VOCÊ TÁ MECHENDO AÍ?

- Ei! Calma lá! Eu tô só baixando umas musiquinhas!

- BAIXANDO UMAS MUSIQUINHAS???

- É, ué! Algum problema?

Ele parou. Para falar a verdade ele já estava parado. Ele parou para pensar um pouco. Depois de algum tempo decidiu:

- Claro que tem! Você lá sabe mexer aí?

- Mais ou menos. Tô aprendendo!

- Como assim “tô aprendendo”?

- Ué, não tinha nada pra fazer. Aí resolvi ver se conseguia achar umas músicas que eu gosto!

Ele já não sabia se a idéia dela trabalhar só aos finais de semana era assim tão boa. Se ela soubesse que isso tinha passado pela cabeça do marido, teria aceitado de primeira!

Ele não falou mais nada e foi sentar pra comer. Esperou, esperou, esperou. Ela não saía daquele computador. Quinze minutos depois ele ainda estava esperando.

- Fátima Gutter! Saia desse computador! Agora!

- Mas mô! Não foi você quem disse que a gente tinha que usar o máximo que puder? Então, eu só estou ajudando!

E foi assim que ele viu que comprar aquele computador tinha sido a idéia mais idiota da sua vida. E também aprendeu como o computador pode ser uma coisa extremamente repugnante.

Já ela aprendeu uma coisa que mudaria a vida do quase tranqüilo casal: baixar músicas.

Ela adorou.

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Improbabilidades

by Luis on nov.24, 2006, under Historietas, Todos

Independente da vitória do São Paulo, de um Papai Noel japonês vencedor da corrida de renas, do Bush na Indonésia, dos sem-teto de Gaza, das mortes no Iraque, de protestos no Tibete, do nevoeiro em Belarus e do incêndio na favela do Sapé, Flávio precisava viajar.

Viajava sempre a trabalho. Sempre. Já tinha o traquejo de voar. Sabia de praticamente todos os banheiros dos aeroportos de Curitiba, São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Conhecia várias aeromoças e tomava café com os pilotos.

Porém, desde outubro ele tem ficado bastante nervoso e com muita dor nas costas.

- Dormir nesses bancos de aeroporto não é muito confortável – dizia a quem perguntava por que ele estava sempre com as mãos nas costas e com uma cara estranha.

Esse constante atraso dos vôos o deixava com vontade de sair chutando todos os aviões que encontrasse pela frente. Já tinha perdido seis reuniões bastante importantes e quatro não tão importantes assim.

Dessa vez ele ia de Congonhas até Brasília. Tinha um almoço chique com uns caras chatos e cheios de dinheiro. Não pretendia perder aquilo. Com a passagem na mão foi esperar o vôo.

Não deu outra: atrasou.

Era pra ele sair s seis e meia. Eram sete e quinze e o vôo não tinha saído. Depois de ter esgotado todas as opções possíveis e imagináveis de se ficar sentado ele resolveu dar um pulinho na tela onde os vôos eram mostrados.

Depois de desviar de algumas pessoas que dormiam no chão ele chegou tela. Em pé e olhando pros horários dos vôos estava uma mulher, aparentemente com a sua idade, cabelos longos e cacheados, olhos de um incompreensível castanho, estatura média, pele nem muito clara e nem muito escura. Bonita. Usava uma saia e uma blusa que sem querer combinavam perfeitamente.

Parou ao lado dela para checar a tela. Ela não parecia muito feliz, mas também não aparentava dor na coluna.

- Quanto tempo você está esperando aqui? – perguntou ela.

Ele se surpreendeu com a pergunta. E gostou.

- Eu? Hã… Umas duas horas e meia. Era pra eu ter saído s seis e meia. E você?

- Nove horas.

- Nove horas!?

- Nove horas. – disse ela, melancólica.

- Uau! É muito tempo! – comentou ele e logo se arrependeu. – Hã… você voa sempre?

- Pelo menos uma vez por semana.

- Trabalho?

- É.

- Eu também.

Ficaram num silêncio que ele achou revoltante. Ela não estava nem aí.

- Já pegou um atraso desses? – perguntou ele.

- Até hoje não.

- Cansativo né?

Ela olhou para ele e novamente ele se arrependeu de ter comentado.

- Tentou ler alguma coisa? – tentou ele mais uma vez.

- Sim, mas até isso acaba cansando. Depois fui comer. Depois fui conhecer melhor o aeroporto.

- Adianta por um tempo.

- Pouco tempo.

- É… E palavras cruzadas?

- Já tentei. Fiz três revistinhas.

Ele não falou, mas nunca tinha feito palavras cruzadas. Não por falta de tentar, ele era péssimo nisso.

- Você vai a alguma reunião? – perguntou ela.

- Sim, se der tempo. E você? Reunião também?

- Não.

- Passeio?

- Não.

- Então…

- Casamento.

Ele não entendeu qual a ligação do trabalho dela com casamento.

- Ah! – disse ele – atrasar pra casamento é complicado!…

Ela respondeu um “é” que o fez desistir de comentar qualquer outra coisa. Viu que o papo não ia pra frente e resolveu voltar ao seu banco.

Já sentado, depois de um tempo, a mulher veio até ele e falou:

- Você trabalha no quê?

Sem entender direito ele começou:

- Bom… Eu trabalho numa empresa…

- Tem alguém sentado nessa cadeira? – interrompeu ela inesperadamente. Ela apontava para a cadeira ao lado dele onde se encontravam suas pernas.

Surpreso ele gaguejou e disse que ela podia ficar a vontade. Tirou as pernas.

Ela foi sentando e dizendo:

- Meu nome é Laís, e o seu?

- Hã… Flávio.

- Oi Flávio! Será que eu posso ficar aqui com você e conversar? Os cinco minutos que agente conversou ali em pé foram os que passaram mais rápido!

Desnorteado e achando que na realidade estava dormindo em cima do braço ele respondeu:

- Sim! Por mim tudo bem! É bom ter com quem conversar nessas horas.

- É! – respondeu ela – Você tem família?

- Não.

- Não? Puxa, que pena… Nem namorada, noiva?

- Nada.

- Humm…

- E você?

- Minha mãe é viva e tenho um irmão.

- Sei.

- Não tenho namorado nem sou casada.

Ta. Aí ele realmente estranhou. Levantou, deu dois pulinhos, se beliscou, viu que aquilo era verdade, olhou para a moça, viu que ela realmente era linda, principalmente sorrindo como estava agora. Sentou novamente.

Eles conversaram por duas horas e meia até que chamaram o vôo dela.

Perdidamente apaixonados um pelo outro a idéia de ir embora não era das melhores. Estavam tão bem juntos.

Porém o problema não era assim tão grande, sendo que eles descobriram que moravam no mesmo bairro e freqüentavam a mesma padaria.

Marcaram um encontro pra quando voltassem e se despediram.

Ainda tentando entender se aquilo não era algum tipo de delírio ou miragem ele voltou ao seu banco e pensou, pensou, pensou. A única coisa que lhe vinha mente era que tinha achado a mulher da sua vida.

E eu sou testemunha viva (sim, eu, o narrador) do quão inusitado foi o início desse relacionamento e o quanto ele dá certo e dura até hoje.

Como? Ora, fácil: eu sou o cara que estava sentado ao lado do Flávio. E fui eu que não consegui dormir com aquelas duas figuras pateticamente felizes conversando ao meu lado por mais de duas horas!

Quando ela foi embora pensei que teria sossego, foi quando ele voltou e começou a me narrar o apaixonante e inusitado acontecimento.

Desisti de dormir e ouvi. Gostei da história e vi que ele era um cara gente boa e que realmente estava amando, seja lá o que isso signifique.

Desafiando as probabilidades descobrimos que trabalhamos no mesmo prédio e que eu morava no bairro vizinho ao deles.

Atualmente nós, sempre que possível, almoçamos junto com o pessoal do prédio e ele sempre nos diz, todo feliz, como vai sua relação com a Laís.

Os dois se merecem.

Falando em almoço com o pessoal do prédio, foi num desses que eu conheci a Miranda, num episódio talvez até mais improvável que o do Flávio. Mas aí já é história pra outra hora.

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Cocaína

by Luis on nov.23, 2006, under CONSCIENTIZANDO, Todos

Eu estava aqui pensando o que escrever. Várias idéias, nenhuma boa. Estava pensando no filme que assisti ontem: Miami Vice (primeira vez que eu assisto a primeira seção da estréia de um filme!).
O filme é bom! Violento, sexy, bom. Já de começo chama a atenção por não mostrar créditos iniciais. Você já começa de cara na história. Essa, por sua vez, é sobre a dupla de detetives Ricardo e Sonny que se infiltram no esquema de tráfico de drogas para desmascará-lo.
No meio da trama eles citam “Colômbia”. Sim, o país que mais produz a droga chamada Cocaína.
Depois de ler uma matéria sobre a produção da droga e de assistir o filme, fiquei pensando: a produção não vai parar, pois muita gente miserável vive de plantar e produzir a pasta da coca, que é depois vendida aos traficantes.
Na cidade de Caquetá, Colômbia, onde é produzida a droga, a moeda não é uma só. Existe o Peso, moeda local, e a Coca, que também é aceita como forma de pagamento do mesmo jeito. Pagar as compras de supermercado com um saco de cocaína é absolutamente natural naquele lugar.
Depois de passarem a droga para as mãos dos traficantes acontece quase exatamente como o filme mostra. A droga é passada para o mundo inteiro sem que ninguém perceba. Os que percebem, ou ganham para não perceber, ou simplesmente são levados para ver Jesus.
Para quem se envolve seriamente no tráfico a tentação é grande: o lucro é rápido e absurdamente extenso. Muita grana em pouco tempo. Tremendamente arriscado, isso é certo, mas…
Parece até uma ótima opção de trabalho: você sustenta os que vivem da produção e ganha muito com a distribuição.
Agora, existe uma outra maneira de se envolver com a droga: sendo usuário. Aí a coisa amarga. Se você compra uma vez, logo pede a segunda, até não ter mais dinheiro e começar a roubar ou ser mais um na fila de Jesus. Ou você compra até se matar usando. Não é nada bonito.
Todas as opções levam para um caminho sem volta e sem um futuro luminoso.
Mas para que falar isso? Todo mundo sabe sobre os danos que a droga e seus derivados causam.
Realmente isso é bem divulgado, mas não custa alertar, e além do mais, é o que eu estava pensando e pesquisando ultimamente.
Acho que cada um deve fazer a sua parte para melhorar a situação. É bom entender como funciona.

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Eco

by Luis on nov.23, 2006, under CONSCIENTIZANDO, ECO, Todos

Hoje eu recebi uma notícia que me abalou emocionalmente de tal maneira que eu fiquei tremendamente triste e sem acreditar. Não, a garota por quem eu estou apaixonado não começou a namorar meu melhor amigo. E eu também não perdi meu HD por causa de um vírus. Não, eu não vou ter que acordar cedo amanhã. Foi algo muito, muito pior.

Tudo começou assim: tomei meu banho sem preocupação e depois sentei no sofá pra assistir TV. Tava num desses jornais que passam de noite. E depois da notícia do japonês de dois metros e trinta que está no Brasil eu ouvi a chamada: “Pesquisas revelam que daqui a quarenta anos todas as espécies marinhas estarão em extinção.”

Pasmei. “Como assim todas?” eu me perguntei. E continuei assistindo.

Não, eu não estava ouvindo errado. Era essa a previsão! Motivos? Aquecimento global. É isso que pensamos de primeira. Mas não foi isso que eu ouvi. Isso afeta sim a vida submarina, mas as duas principais causas de extinção das espécies marinhas são, hoje, a poluição (= aquecimento global) e a caça predatória.

Eu vou falar sinceramente pra vocês, meu impulso inicial foi o de desistir do teatro, dos meus sonhos cinematográficos, da minha casa, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família toda, do meu computador, da TV, das idas ao cinema, da garota por quem eu estou apaixonado, do basquete, da minha cama e de toda minha atual vida e me juntar ao Greenpeace ou ao WWF e sair por aí num bote inflável alaranjado atrás de transatlânticos caçadores no meio do oceano.

Bom, talvez não o WWF ou o Greenpeace, mas algum que me dê mais liberdade pra eu poder afundar os navios de caçadores com uma bazuca.

Daí eu voltei pra realidade do meu confortável sofá. Deparei-me com minha TV de 29 e lembrei que eu estava de chinelo, sem pentear o cabelo e que a praia mais próxima da minha casa ficava a duas horas de carro daqui.

Comentei isso com meus pais durante a janta (não os meus desejos e sim a notícia). Meu pai me lembrou da situação dos EUA, que continua dando as costas pra coisas insignificantes como o tratado de Kyoto e achando que tem que dominar força tudo que pensa em ameaçar sua supremacia enquanto adolescentes morrem nas escolas assassinados por alunos da mesma. Sem contar que o país liderado por aquela besta do Bush é o que mais polui (36,1% do total mundial).

Bom, depois dessa longa introspecção que me fez relembrar várias aulas do meu colegial tive outro impulso que me deu vontade de comprar um rifle de precisão, entrar clandestinamente nos EUA e acertar aquele presidente energúmeno. Mas ir preso depois não ia adiantar muito.

Voltei a mim e me vi comendo mamão de pé na beira da pia olhando pro canil da minha cachorra.

Pensei no que eu poderia fazer pra que no futuro essas previsões não dessem certo.

Coisas como reciclar meu lixo. Não jogar papel de bala pela janela. Não demorar no banho. Coisas básicas como essas são fundamentais. O que mais?

Comecei pensando que podia pesquisar mais sobre as conseqüências de, num futuro próximo, todas as espécies marinhas entrarem em extinção. Depois pensei em saber mais sobre o aquecimento global e como anda o tratado de Kyoto. Bom, resumindo eu queria me aprofundar no assunto.

Comecei a pesquisa e achei um artigo na Folha Online sobre crimes ambientais. Queria reproduzir o último parágrafo:

“Se você se preocupa em manter os ecossistemas mais saudáveis, você também pode ajudar os biólogos e a Justiça a desvendarem ou a prevenirem crimes ambientais. Toda vez que estiver diante de danos ao ambiente (por exemplo, desmatamentos indevidos em áreas de mananciais, construções irregulares em áreas de marinha), em áreas públicas da União, procure descrever minuciosamente o dano, se possível, documente fotograficamente o fato, a data, o autor do dano, quando conhecido, e indique testemunhas. Encaminhe uma denúncia formal ao Ministério Público exercendo, assim, a cidadania de forma responsável.” (FABIO GIORDANO; Especial para a Folha de S. Paulo – 29/01/2004 – 08h13).

Foi um começo. Vi depois um vídeo mostrando que um dos maiores lagos do Chile, o Chungara, está secando. Vítima do aquecimento global. Comecei assim minhas pesquisas sobre como anda o Protocolo de Kyoto.

Li uma entrevista com o político convertido em ambientalista convertido em estrela de cinema, Albert Gore Jr., ex-vice-presidente (democrata) dos EUA, que veio ao Brasil lançar seu livro “Uma Verdade Inconveniente” e seu filme homônimo sobre o efeito estufa.

Resolvi, mais uma vez, dar um “Ctrl-c, Ctrl-v” na primeira pergunta feita pela Folha para ele:

Folha - O mundo todo se reúne no mês que vem em Nairóbi para debater uma extensão do Protocolo de Kyoto. O senhor acha que nós ainda deveríamos perseguir um tratado global contra o efeito estufa, sendo que Kyoto se mostrou pouco eficaz e as emissões subiram muito nas últimas décadas?

Al Gore - Eu vejo de outra maneira. Acho que o Protocolo de Kyoto teve, sim, um efeito positivo, porque o problema teria piorado muito mais rapidamente sem ele. E a principal razão pela qual Kyoto não teve um efeito mais positivo foi porque os EUA não se juntaram ao tratado. Quando se juntarem, vai haver um mercado fechado para emissões de carbono, e o mercado vai operar com muito mais eficiência. Há muitos aspectos da solução para a crise climática que só podem ser atacados por um tratado global. A colaboração entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, por exemplo, só pode ser feita através de um tratado global como Kyoto. Se não houvesse um tratado, poderia haver vantagens para países que trapaceassem nas regras adotadas por todos. As negociações em Nairóbi acontecerão numa época em que os EUA ainda estão recuados. Mas eu tenho boa notícias: os EUA estão começando a mudar e em breve mudarão dramaticamente. Qualquer que seja o partido eleito em 2008, os EUA terão uma nova política. Nosso maior Estado, a Califórnia, já abraçou Kyoto. Trezentas e dezenove cidades americanas já abraçaram Kyoto. Muitos líderes conservadores e religiosos e empresários se separaram do presidente Bush nessa questão, e nós agora estamos s vésperas de uma grande mudança na política americana. O próximo tratado não será só uma extensão de Kyoto; terá medidas mais duras. E lembre-se: Kyoto só passa a valer em 2008. Então é cedo demais para dizer que ele não foi eficaz.”

Que ele esteja certo!

Oceanos

Sobre os oceanos especificamente eu pesquisei no site do Greenpeace. Dêem uma lida nesse link: http://oceans.greenpeace.org/pt/nossos_oceanos.

Aproveitem pra dar uma boa lida em outras coisas do site, que nos fornecem várias informações preciosas.

Entre inúmeras conseqüências do aquecimento global e de crimes ambientais em todos os níveis, o que se enxerga é um futuro desértico.

Porém, com toda essa pesquisa, que eu só comecei, me dei conta de que existem muitas formas de fazer desse nosso mundo, um mundo ecologicamente mais saudável.

Vamos pesquisar, procurar entender e ver o que podemos fazer. Não podemos parar por aqui, não podemos ver tudo sucumbir ao cinza. Mesmo que for pra somente discutir esse assunto com nossos amigos.

Assim como a política, a pobreza, o comércio de armas e as guerras; a ecologia é também peça fundamental do grande quebra-cabeça que é a nossa humanidade.

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SEJAM MUITO BEM-VINDOS!

by Luis on nov.23, 2006, under BEM-VINDOS!, Todos

Vários de vocês ainda devem estar com sérias dúvidas sobre a utilidade desse site. Bom, pra quem não sabe eu sempre tive um blog (eu, Luis). Pra quem entrava ele começou como “E falando nisso”. Lá eu publicava meus textos sobre várias coisas e fazia tudo que um simples blog me permitia!

Sempre dando problemas, um certo dia o “E falando nisso” parou de abrir. Sempre dava erro e eu nunca mais consegui fazer aquilo pegar. Ainda no Blogger eu montei um outro blog chamado “Estepe”, ele ficaria no ar enquanto o “E falando nisso” não abrisse.

Como nunca mais tive notícias do “E falando nisso” resolvi fazer do “Estepe” meu blog oficial e deletar de vez o outro. Fiz isso. Durante o processo de transição me surgiu o nome “Embaralhando” e gostei. Coloquei esse nome e mudei o visual conforme era possível nos parâmetros Blogger.

Eu gostei do resultado. Pouco tempo depois me propuseram de fazer um blog de verdade. Foi aí que nasceu esse Embaralhando! Um amigo meu leu o antigo blog e me sugeriu fazer uma coisa mais séria e mais bonita. No começo a idéia estava um tanto distante, mas conforme tudo foi esclarecendo eu vi que ia dar certo.

Várias horas testando a paciência e a boa vontade desse meu amigo e esse blog saiu. A versão que vocês estão lendo já é praticamente a versão final. Faltam alguns ajustes, mas já dá pra sentir a diferença desse em comparação com o do Blogger.

Aproveito então para agradecer o Daniel pelo ótimo trabalho e por aturar minha ignorância todos esses dias.

Espero que vocês opinem, comentem, falem mal e especialmente aproveitem esse meu novo site.

Farei o possível pra poder atualizar sempre e oferecer cada vez mais coisas pra vocês!

Bem-Vindos!

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