A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Arquivos de Janeiro 3rd, 2007

3/01/2007CORRE! (4)

Corre!Ela tinha passado a noite em claro. Era sempre assim quando o dia seguinte prometia ser diferente dos outros. E bota diferente. O café da manhã estava nos planos, mas ela não conseguiu comer nada. Resolveu adiantar as coisas e terminar logo com isso.

Pegou o carro e foi até a casa dele. Ela sabia que ele já tinha ido trabalhar, por isso resolveu pegar logo aquele colar que um dia foi dela. Valia muito e ela estava precisando de algum dinheiro.

Desde que os dois terminaram ele tinha pedido o colar de volta. Afinal de contas ele havia pagado por ele. Se bem que ele deu pra ela. De qualquer forma ele pediu de volta. Sem imaginar que um dia ia querer ele de volta, ela deu.

Agora ela o queria de volta. O colar, lógico.

Tinha pedido umas oitenta vezes. De todos os modos. Ele sempre negava. Foi aí que ela resolveu roubar. Bom, tecnicamente aquele colar era dela e ele então é que tinha roubado, mas… De qualquer forma ela, aquele dia ia entrar na casa e pegar o colar de volta.

Fabiana sabia que ele guardava uma chave dos fundos enterrada num dos vasos de flores. E lá estava ela.

Pegou a chave, entrou na casa e foi direto para o quarto, ela sabia que ele guardava o colar na gaveta de cuecas. E ela também sabia onde era a tal gaveta.

Porém, como só acontece em histórias como essa, aquele dia ele estava em casa. Dormindo. Ela abriu a porta do quarto e se deparou com o ronco estranhamente alto dele.

Naquele momento ela pensou em desistir. Quem sabe se voltasse outro dia.

Mas não, já que estava lá pegaria o colar. E além do mais ele tinha um sono um tanto pesado.

Foi de fininho entrando no quarto escuro. Foi até a gaveta onde estava o colar. Abriu a gaveta. Pegou o colar. Deu meia volta e chegou até a porta do quarto quando, de repente, ela ouve:

- Bem? Vai preparar o café? Eu quero torradas com margarina. Quando estiver pronto me ch…

A voz dele parou ali. Ela viu vultos na cama e depois ouviu de novo:

- Calma lá! Mas você ainda está na cama… Ou melhor… Se você está do meu lado… Quem é que está perto da porta…?

Aí ela viu que era a hora de deixar o quarto.

- LADRÃO!!! – Gritou ele.

Ela saiu correndo tentando chegar até a porta dos fundos.

Como também só acontece em histórias, ela escorregou num único pé de patins que estava no chão.

“De onde diabos saiu esse patins?” Pensou ela.

Foi quando as luzes se acenderam e ele saiu do quarto indo até a cozinha. Ela estava estirada no chão segurando o colar.

- VOCÊ? – Perguntou ele.

- Não, querido: Papai Noel! – Ela foi se levantando.

- Que é que você tá fazendo na minha casa?

- Vim pegar o que é meu!

- Não acredito… Aquele colar de novo?

- Ele mesmo! E dessa vez eu vou sair com ele!

- Não, dessa vez você nem vai sair!

- Como assim não vou sair?

- Cansei de suas idiotices! Daqui ou você sai presa ou num caixão!

- Isso é uma ameaça?

- É o que parece!

Foi aí que a confusão começou! Ela queria ir embora e ele não deixava. A briga prometia ser boa.

- Que barulho é esse? – Perguntou ele.

- Barulho?

- Sirenes! A polícia!

- Polícia?

- Polícia!

- Mas quem chamou a polícia?

- Eu – Falou, seca, uma voz feminina que vinha do quarto.

- Lisa? – Perguntou ele – Você chamou a polícia?

- Claro! Você quer o que? Eu acordei com um cara gritando “ladrão” no meu ouvido! O mínimo era chamar a polícia!

- Mas, bem! É só a Fabiana!

- Eu percebi. – Falou Lisa olhando para ele com uma cara que ele conhecia muito bem.

- Ahh! Não vai pensar que eu…

- Já pensei.

- Meu bem! Ela veio aqui só pra roubar o maldito colar de diamantes!

- Vai ser sempre essa mesma desculpa?

- Pergunte então pra ela! – Ele disse isso e virou o rosto para onde Fabiana estava.

- Fabiana, dig…. Fabiana?

Na direção havia só uma janela aberta com as cortinas ao vento.

- FABIANA!!! FUGIU!!!

- Menos mal que ela se foi – comentou Lisa, indo observar o corredor.

- Menos mal? E o meu colar? ELA LEVOU O MEU COLAR!

- João – Perguntou Lisa calmamente – Esse colar… Você não tinha dado pra ela?

- Hã… Dei!

- Então!

- Mas ela me devolveu!

Nesse momento a porta da frente foi arrombada e dois policiais entraram empunhando suas armas e gritando:

- PARADOS!!!

E foi nesse rolo que a Fabiana se meteu! Ela me contou logo que começamos a sair mais só nós dois depois daquele dia no Caneco Largo. A história foi confirmada pelo Fábio (meu amigo que cobriu a matéria, lembra?).

Tempos depois a gente começou a namorar. Ela me mostrou o colar.

Certo dia eu perguntei pra ela como é que, naquele dia no bar, quando o Fábio me apresentou ela como “alguém que ele conheceu enquanto cobria o caso pequeno e fútil daquela manhã”, como ele não tinha entregado ela.

Ela me respondeu que ele não sabia que tinha sido ela que havia roubado o tal colar. Que seja!

Os primeiros dias de namoro foram absolutamente tranqüilos. Só os primeiros dias.

Oito dias depois do começo do nosso namoro, era um dia normal. Eu ia para o jornal, realmente como qualquer outro dia normal. Acordei cedo, xinguei o despertador. Fui pro banheiro. Do banheiro para a cozinha. Enquanto o leite esquentava fui dar uma olhada na janela para ver como ia o tempo lá fora.

Foi quando eu vi.

Vi o quê? Acho que vai ficar para o próximo capítulo!

3/01/2007Piada!

E pra hoje uma piada!

COELHO CHATO
O coelho entrou na lavanderia a seco e pediu ao dono:

-Vocês têm cenouras?

-Isso é uma lavanderia à seco, não vendemos cenouras, vá ao quitandeiro da esquina!

No outro dia, o coelho entra na lavanderia à seco e pergunta de novo:

-Oi, vocês têm cenouras?

O dono, irritado, responde:

-Já disse que isso aqui é uma lavanderia à seco, procure um mercado!

No terceiro dia o coelho volta a lavanderia à seco e pergunta:

-Oi, vocês têm cenouras?

-Pô! - diz o dono, irritado - Já disse que não temos cenouras, e que isso aqui é uma lavanderia! Se você me perguntar isso de novo pego uma corda, te amarro e te entrego pro açougueiro aí do lado!

No outro dia o coelho volta, olha bem no olho do dono, e pergunta:

- Oi, vocês têm cordas?

-Não. - diz o dono, intrigado. Ao que o coelho continua:

-Bem… então… têm cenouras?


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