5/01/2007Ghadyirochand
É isso que caçadores da tribo Barabaig, na Tanzânia, se tornam ao voltarem da longa caça aos elefantes. A tradução? “Herói”.
Poxa, então a carne de elefante deve ser boa, e os habitantes da tribo devem depender dela!
Antes fosse: eles saem para a caça apenas para provar que são corajosos. Após o abate, eles pegam as presas e deixam o resto para os animais carniceiros.
Depois de dias procurando por um elefante, ao achar, eles o abatem com lanças, nessa hora os caçadores correm risco de vida: os elefantes furiosos podem simplesmente avançar neles e… bom… um abraço! Os que sobrevivem à isso correm atrás do elefante por dias até ele tombar quase morto. Nesse tempo todo os caçadores não comem, só bebem.
A recompensa? Além da admiração eles ganham terras, rebanhos, privilégios políticos e econômicos e uma esposa.
Agora o bom mesmo é ser herói que nem o Super-Homem: ele não espera nada de ninguém, ele apenas salva o mundo.
Hummm… Pensando bem… É… Os barabaigs são bem mais heróis que o Super-Homem. Analisemos a situação do homem de aço:
1º: o cara vive nos EUA.
2º: o cara levanta uma carreta do mesmo jeito que eu levanto uma caneta. (Uia! Rimou!)
3º: nem tiro no olho mata o cara.
4º: ele tem só um inimigo. E careca ainda por cima!
5º: ele (quando de óculos) é jornalista do melhor (ou único) jornal da cidade.
6º: ele namora uma mulher bonita e se por acaso ela renunciar o cargo, seguindo a fila existem só todas as mulheres do mundo.
7º: ele pode acordar as 8:59 da manhã que às 9:00 ele já está na mesa do escritório de café e banho tomados.
8º: ele não gasta dinheiro com fósforos. É só uma olhadinha e pronto: o pão tá torrado.
9º: a única coisa que deixa ele meio bêbado é a tal da pedra verde, mas nem a ressaca do dia seguinte ele tem que enfrentar.
10º: a única coisa que ele perdeu na vida foi a queda de braço contra o Chuck Norris, no qual eles apostaram que quem perdesse teria que usar a cueca pra fora da calça pro resto da vida.
11º e último: ele nunca deve ter visto um elefante na vida.
Desse modo, eu acho que os nossos amigo guerreiros da Tanzânia estão certos ao cobrar pelo heroísmo.
Agora, quando o assunto é com a gente, ser herói é impossível. Nosso heroísmo está nas coisas que fazemos em prol de um lugar melhor para se viver. Mas nesse caso a recompensa futura é certa! É só não sermos movidos por ela.
A não ser que um elefante esteja ameaçando esmagar o carro do seu chefe…
[Esse texto foi um dos que eu publiquei no meu antigo blog "E falando nisso"]
