
Agora que todo mundo descobriu quem matou a Taís e que a Globo tá com o sorriso de orelha a orelha vamos aproveitar para discutir o quanto as crianças japonesas estão se divertindo com a novidade infantil nacional. Ou talvez sobre o panda que gosta de espiar os arredores da jaula
Lembrei de uma outra coisa agora: a seleção brasileira de basquete feminino venceu o México por
Ah! Pronto: Lembrei de uma coisa que pode dar assunto. Aconteceu um dia desses. Eu e meu amigo fomos comprar mantimentos no supermercado da esquina. Logo que entramos foi cada um pro seu lado atrás do que era bom.
Enquanto procurava não sei o quê, passou uma garota do meu lado. Trocamos olhares simpáticos, e continuamos nossa busca por aquilo que mais tarde daria tiros no seqüestrador do meu estômago.
Pega pão, procura detergente, compara preço de requeijão e de repente ela de novo passando do meu lado. Depois da troca de olhares que começava a ser comum, mesmo eu tentando evitar, volto a procurar pelo Veja, sabão em pó, água, peito de frango, queijo, batata palha, o olhar da menina, o pano, a bolacha, o leite, a esponja, o sabonete e finalmente o caixa.
Entrei na fila, meu amigo junto, mas foi aí que ele percebeu que tinha esquecido o Guaraná! E sem guaraná não dá, né? Então ele saiu da fila e foi procurar o tal, já a minha pessoa ficou pra passar o que era meu. Logo atrás de mim adivinha quem aparece? A própria! A desconhecida que gostou de trocar olhares. De qualquer forma, passei a minha parte da compra, paguei e fui me encostar na saída para esperar meu amigo.
Como não tinha mais o que fazer além de esperar ele, que já estava demorando, comecei a observar a garota que começou a passar sua compra.
Também não consegui deixar passar em branco a presença de um mendigo no portão do supermercado. Simplesmente parado e Olhando para dentro.
Notei então que a pessoa feminina dessa história havia terminado de passar as compras dela e terminava de encher a segunda sacola. E para não sair do normal ela saiu do mercado, passou do meu lado e me olhou de novo. Mas como que para me surpreender ela começou a andar na direção do mendigo. E acredite, ela parou na frente dele e deu uma de suas duas sacolas. Sim, isso realmente aconteceu, eu vi com os meus próprios olhos que a terra há de comer. Depois ele agradeceu e ela foi embora.
Pronto: qualquer que fosse a preocupação que estivesse passando pela minha cabeça naquele momento foi pulverizada, quase acabei esquecendo o motivo pelo qual eu estava ali, ou seja, esperando meu amigo. Naquele momento eu queria parar ela no meio da rua e dar um beijo nela dizendo “obrigado”. Que cena cinematográfica, vocês não acham? E se não fosse minha timidez e aquela minha parte que pensa o que a garota ia achar, eu realmente faria isso! Mas me contentei em acompanhar a querida garota com o olhar até perder o alcance do seu destino.
Naquele momento aquilo realmente me levantou! Eu me sentia bem, mas também culpado por não fazer nada pelo morador de rua.
Depois que ela já não estava mais no meu complexo campo de visão, eu olhei para o mendigo com a enorme vontade de ir falar com ele. Talvez perguntar seu nome, sobre ele, se a garota havia lhe prometido algo e também se ele conhecia-a. Sei lá! Só falar com ele!
Mas não tive coragem… Simplesmente esperei meu amigo. E quando ele veio, voltamos pro apartamento.
Mesmo eu assumindo meu papel de espectador, aquele gesto foi fazendo de mim uma grande salada de frutas. Isso significava que, eu pensava em tudo, mas principalmente no quanto aquilo me fez bem. E assim a sacada: foi ali que eu tive certeza de que fazer a “famosa” boa ação pode até parecer inútil, só que a gente sempre esquece de imaginar o quanto aquilo faz bem, para os dois lados: os que recebem e também para as pessoas que estão vendo, neste caso eu!
[esse texto foi escrito por duas mãos: a minha e a da minha eterna amiga Mariana, do Paraná. Um dia desses, depois de escrever a primeira versão desse texto, eu tive a idéia de que outra pessoa desse uma lida e modificasse o texto do modo que bem entendesse. Foi o que fiz. Mandei para a Mariana e falei que fizesse com ele o que quisesse. E ela fez. Depois eu ainda dei uma lida, mudei algumas coisas e passei pra ela de novo que deu as modificações definitivas. Portanto você acabou de ler um texto escrito em dupla! Eu achei um bom fruto e pretendo colocar a idéia pra frente com outros textos. Agora resta saber o que você achou disso!]

