A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Arquivos de Outubro 31st, 2007

31/10/2007Algumas coisas

Dia desses um amigo virou pra mim perguntando onde o mundo ia parar. Sempre que alguém me pergunta isso eu lembro que tudo pode ser um sonho, quem sabe quem existe? Uma tábua do chão vira uma ponte entre o meu apartamento e o apartamento do prédio ao lado. E outro dia pegou fogo num andar abaixo. Sei lá onde o mundo vai parar! Antes fosse eu o motorista!

Do jeito que o sofá de casa está sujo eu digo que vai ser difícil a cegonha voar por aí muito tempo. E sempre que eu penso no escuro que se estende noite afora eu penso no tamanho das formigas e no tamanho dos elefantes.

Eu queria saber jogar o jogo, queria conhecer tudo, saber o que são os buracos negros. Também queria ter alguma coisa que fosse útil e que não fosse sumir.

Ou eu não quero ter nada.

Quer saber? Eu queria mesmo parar de querer. Onde o mundo vai parar eu não sei, mas sei que eu posso ajudar a mostrar o caminho. E não preciso ser grande pra isso. E se todos ajudassem dava pra fazer tudo mais rápido.

Só sei de uma coisa: todo mundo merece a lua crescente.

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, (do meu, do nosso dinheiro) que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:

“Não roubarás”,

“Devolva o lápis do coleguinha”,

“Esse apontador não é seu, minha filha”.

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até hábeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!

Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.

Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? Imortal!

Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

(Elisa Lucinda)


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