A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Arquivo de Novembro, 2007

Semana passada eu resolvi entrar no MSN. Realmente nada de mais principalmente pelo fato de que pelo menos a cada dois dias eu entro uma vez. E lá estava eu falando com quem eu queria (e também com quem eu não queria) e pensando em tudo que eu tenho pela frente quando entra um tal de “Nando”.

Pra falar a verdade não era “um tal” porque eu sabia de quem se tratava. Mas sabe aquele contato que você tem na sua lista só pra fazer número de tanto tempo que você não fala um “oi” pra ele? Pois bem. O tal do Nando era um desses.

Quem acompanha o Embaralhando desde os seus primórdios deve lembrar dele. É o Fernando! Estão lembrados? O da casca de banana?

Era ele entrando. Mas isso não é difícil de acontecer não. Quase sempre eu esbarro com ele no MSN. Mas ele, aos poucos, virou um desses contatos que você simplesmente acaba não conversando mais.

E semana passada eu não tinha a mínima intenção de falar com ele. Nada de mais. E minha conversa (com a pessoa que eu queria conversar) estava boa.

Qual não foi a minha surpresa quando, logo depois da telinha avisando que ele tinha entrado, outra telinha apareceu avisando que ele havia digitado um “oi” pra mim.

“Certo” pensei, “eu respondo o oi com um eficiente ‘nossa! qt tmp! cm vc tah?’ e pronto, termina por aqui!”

E foi o que fiz. Só que em vez dele me responder com o “to legal! e vc?” ele me respondeu com um bem redigido: “nossa cara. moh tempo msm neh! sab q eu naum to legal naum…. terminei com minha namorada smna passada”.

Não tive alternativa a não ser dar corda pra conversa. Afinal, do pouco que eu sei o namoro dele era bastante sério e sólido. Pelo menos até a semana passada.

Continuei então com o “nossa, cara. dose ein?!” e assim foi fluindo a conversa.

No meio da história soube que a namorada dele tinha se encontrado por acaso com uma antiga paixão e percebido que ainda gostava do tal. Assim deixou o Fernando.

Ele disse então que estava muito mal, que o rendimento do trabalho dele abaixou e que já tinha jogado a casca de banana na Consolação, mas que nada adiantava.

Nesse exato momento eu me perguntei: “O que é que esse cara tem na cabeça pra, do nada, achar que adianta contar as coisas pra mim?”

Assim eu fiz meu papel e lembrei-o de que eu ainda tinha o blog e que tudo que ele dissesse poderia ser usado contra ele num futuro post! Depois desse meu comentário ele digitou o ridículo “huashuaasuashuahuahsuaha” e depois disse que a minha tentativa foi boa, mas que ele ainda tava mal.

Pra falar a verdade mal sabe ele (até agora) que eu não disse aquilo pra tentar descontrair.

Enfim. Ele continuou dizendo que agora a vida dele estava sendo uma mudança total e blá, blá, blá… Vocês sabem: todo aquele papo de quem jura ter perdido a alma gêmea. Naquela hora eu realmente estava mais entretido com a minha outra conversa e com o que seria do programa que eu faria no dia seguinte.

Mas aí, quando estava preparado para digitar o “flw” e o “td d bm” para o Fernando, ele digitou o seguinte:

(traduzido) “Eu não sei se eu te contei, mas a Gisele (a namorada dele) costumava contar meus fios de cabelo.”

Tranqüilamente eu me vi acreditando que aquele ser estava (e sempre esteve) mentindo pra mim sobre as várias histórias que contava. Contar os fios de cabelo? Quem é que faz isso em sã consciência? Fazer tranças, enrolar, prender, fuçar, sei lá o que, mas contar aí me pareceu demais.

Não sei se você, leitor, acha normal isso, mas eu nunca ouvi sobre alguém que conta cabelo alheio. E por isso mesmo, por achar que ele estava inventando isso, eu decidi me dedicar à conversa. Sempre que uma conversa parece mentira, que alguém parece normal ou que a polícia chega é que as coisas ficam interessantes!

Botei lenha na fogueira e o Fernando continuou. Disse que ela contava e que ele gostava tanto que essa era uma das coisas que ele mais sentia falta agora. Disse também que o recorde de contagem era de 1345, que era mais ou menos na hora que ela cansava e dormia.

A conversa se alongou mais do que eu realmente queria e ele se perdeu em mágoas que eu não soube julgar se eram verdadeiras ou não e acabamos por concordar que o mais importante para ele era, quem sabe, procurar uma namorada que gostasse de contar fios de cabelo!

Já sobre o que era importante pra mim a partir de agora… Bom, digamos que eu estou cansado de escrever nesse exato momento.

Brincadeiras à parte nós nos despedimos e eu o bloqueei. Quando eu estiver sem inspiração eu o procuro para mais uma história. Se bem que a outra conversa que eu tive com a tal pessoa que eu queria também rendeu uma boa história.

21/11/2007Ingressos

Esses dias eu resolvi limpar a minha carteira de todos aqueles papeizinhos chatos que vão acumulando dentro dela. E no meio de pedacinhos rasgados com anotações rápidas, recibos, vale transporte, cartões de visita, cartas de baralho e uma ou duas notas de dois reais estavam três ingressos de cinema dos últimos filmes que assisti.

Resolvi então deixá-los lá e guardar os próximos também para depois ver todos eles e, quem sabe, escrever alguma coisa. E é isso que eu estou fazendo agora!

No total foram oito entradas que eu já juntei. A mais antiga é do dia 23/10 onde eu fui assistir Tropa de Elite. E sobre esse filme eu já comentei!

Depois disso o próximo ingresso é do dia 05/11 e o filme foi O Homem Que Desafiou O Diabo. Pra falar a verdade eu não gostei muito desse filme não. É a história de um homem que, devido a um casamento mal sucedido, resolve virar a casaca, trocar de nome e torna-se então um outro homem destemido que corre atrás de defender os desvalidos e de rabos de saia, cujo único objetivo é chegar a São Sarauê, a terra da fartura.

Não me convenceu e eu saí do cinema pensando: “Tudo bem, vai. Foram só dois reais!”

A próxima entrada é do dia 09/11. O filme foi 1408. E pra esse filme eu fui quase sem saber nada e sem ter assistido algum trailer dele. Depois do filme fui confirmar minhas deduções e vi que a história é baseada num conto de Stephen King, o famoso “mestre do terror”.

OK, o filme me deu bons sustos, mas isso não quer dizer nada porque até Branca De Neve pode me dar sustos. A história é de um escritor famoso por desvendar eventos paranormais. Portanto seu trabalho consiste em passar uma noite nos lugares mais assombrosos que possam existir. E então surge a oportunidade de passar uma noite no quarto de número 1408 do Hotel Dolphin. E durante a noite o quarto faz dele refém de situações assombrosas.

Com cenas bacanas e momentos até que interessantes, pra mim o filme se perdeu e não explicou nada sobre os tais eventos no final. Não que tenha que explicar, só que fez com que eu saísse querendo falar mal dele.

O próximo filme foi Mandando Bala e o ingresso data de 15/11. Esse filme eu fui sabendo. Tinha assistido o trailer e gostado e adorei os cartazes! Mas o que realmente me motivou a assisti-lo foi a presença de Paul Giamatti no elenco. O trabalho dele é uma coisa que me leva ao cinema independente do filme que ele fizer. Ele faz o papel de um matador líder de um grupo de outros matadores que está atrás de um bebê que não podia ter nascido.

Esse bebê, por sua vez, é protegido pelo misterioso Sr. Smith (Clive Owen), que o salvou da morte sem saber do que se tratava. Essa é a história do filme: a jornada do Sr. Smith em busca de descobrir o que se passa.

Com tiros pra todo lado o filme consegue juntar ação com comédia irônica de um jeito muito bom! Seqüências impossíveis tornam-se um bom divertimento. Se você gosta de ação recheada de tiros com uma pitada certa de comédia e de exagero (e também a presença de Monica Bellucci), vale a pena gastar um pouco e assistir esse na tela grande!

A próxima entrada é do dia 17/11 e o filme foi Stardust: O Mistério Da Estrela. Entrei na sala pra assistir esse com um pé atrás. Mesmo sabendo que Robert De Niro e Michelle Pfeiffer estavam no elenco eu não tava convencido de que poderia ser coisa boa. Mas fui do mesmo jeito. E tirando o fato de que eu assisti dublado esse filme até que me surpreendeu!

É a história do jovem Tristan que tenta conquistar sua paixão saindo dos perímetros de sua cidade protegida por um muro e entrando num esquecido mundo misterioso e repleto de magia. Ele sai em busca de uma estrela cadente e, quando encontra, percebe que esta transformou-se numa bela e simpática moça.

Assim a jornada de volta começa e ele tem que livrar-se dos que perseguem a estrela e acaba assim descobrindo o verdadeiro amor de sua vida.

Um conto de fadas que nos primeiros minutos me desanimou por não dar tempo ao desenvolvimento da história, mas que depois me fez sair do cinema confirmando o que eu sempre concordei em afirmar: um conto de fadas sempre faz bem. Vale a pena conferir (legendado, claro).

O próximo filme, cujo ingresso foi comprado no dia 18/11, foi A Loja Mágica De Brinquedos. Mais um filme que assisti dublado e mais um que eu não esperava muita coisa mas me surpreendeu bastante!

É a história do Sr. Magorium (Dustin Hoffman, fantástico como sempre), um homem de 243 anos de idade dono de uma loja mágica de brinquedos que está prestes a ir embora e deixar a encantadora Molly cuidando de tudo. Com isso coisas estranhas começam a acontecer.

Uma fábula muito bonita sobre acreditar. O filme tem um ritmo um pouco mais lento, mas é muito bom! Saí da sala bastante satisfeito e até emocionado. Um filme simples e eficaz.

O próximo e penúltimo ingresso é do dia 19/11 e o filme foi Leões E Cordeiros, a sessão das dez da noite. O filme é um retrato de várias pessoas envolvidas em diferentes aspectos da guerra no Afeganistão: um político (Tom Cruise) que tenta vender sua nova estratégia de guerra para uma jornalista (Maryl Streep, que, como eu disse pra minha amiga, simplesmente apagou Tom Cruise do filme). Um professor idealista que tenta convencer um dos seus melhores alunos a mudar o rumo de sua vida. E dois jovens combatentes nas montanhas cobertas de neve do Afeganistão, que entraram para o exército para dar sentido às suas vidas.

Um filme que privilegia os diálogos e foca na discussão política sobre a participação dos EUA na chamada guerra contra o terror. Um filme interessante que consegue concluir suas histórias sem efetivamente fazê-lo. Como assim? Assista e entenda!

Se Leões e Cordeiros eu assisti dois dias atrás o último ingresso da minha carteira tem a data de ontem: 20/11.

Sinceramente o filme que eu assisti não merece muitas das minhas linhas: O Magnata. É isso que acontece quando se vai ao cinema com amigos onde cada um assistiu um filme diferente: o filme que ninguém assistiu tem grandes chances de ser uma m****. E eu não digo isso por desrespeito não; simplesmente estou usando o vocabulário do filme. Nada contra, mas é um filminho sem fundamento, uma historinha batida e fraca, interpretações de fazer torcer o estômago e no final a terrível sensação de arrependimento por ter gastado R$ 8,50.

E foi isso! Oito filmes!

E agora continuarei guardando os ingressos até que o volume na carteira me faça pensar que eu tenho algum dinheiro!

8/11/2007Como se…

            Acabei de chegar da padaria. Eu quase não fui por causa da chuva. Quase perdi uma das caminhadas mais legais da semana. Saí com medo de ter que voltar nadando, mas fui do mesmo jeito. Deixei o elevador e fui em direção ao portão. Foi quando eu vi que o clima estava gostoso! Um clima fresco de fim de tarde chuvosa.

Decidi então andar calmamente e aproveitando cada passo. Eu, meu chinelo, minha calça, minha regata, meu celular e meus cinco reais em moedas. Esperei para atravessar com uma calma incomum, atravessei como se tivesse todo tempo do mundo, desci até a padaria como se estivesse de férias. Passei do lado de duas garotas no ponto de ônibus como se fossem as únicas.

Entrei na padaria como se tivesse dinheiro, esperei na fila como se ninguém esperasse. Durante a espera, reparando nos rostos presentes no local, me deparei com o Elvis. Sim, o Elvis Presley. Tá, não era o cara, mas era super parecido e devia ser um cover, vai saber! Mas isso já foi legal.

Peguei meus seis pãezinhos e resolvi comprar um sorvete. Esvaziei meu bolso de moedas e saí da padaria. Voltando pra casa eu abri o sorvete como se estivesse na praia, atravessei a rua como se fosse areia, esperei pra atravessar como se as buzinas fossem música.

Na última subida pro meu apartamento eu comecei a pensar sobre o que as pessoas pensavam de mim naquele momento: tomar sorvete com esse tempo? Não parecia a coisa mais normal.

Eu mordia o sorvete como se fosse o último. Até que eu olhei para a calçada do outro lado rapidamente e voltei a olhar pra frente. Mas meu olhar foi obrigado a voltar pra outra calçada novamente como se estivesse hipnotizado: uma garota de branco com uma mochila nas costas e, para a minha completa surpresa, com um picolé na mão!

Adorei não estar sozinho nessa história! Depois ela atravessou para o meu lado, me olhou e vai saber o que se passou pela sua cabeça. Ela entrou no prédio dela e eu entrei no meu.

Nada de mais, mas uma simples ida até a padaria pode fazer com que vivamos a vida como se fosse fácil.


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