26/12/2007Papai Noel
Ano passado eu vi num shopping um enfeite natalino que tinha, em cima de um palco que fazia frente a uma casa, vinte e um bonecos do Papai Noel rebolando. Achei aquilo o absurdo dos absurdos e até comentei aqui naquela época.
Então para este ano eu resolvi fazer uma pequena pesquisa de campo antes de escrever este texto. Comecei a reparar em todos os lugares que usavam da imagem do bom velhinho e assim ver em quais situações o colocavam.
O coitado sofre. Este ano eu vi Papai Noel rebolando de novo, vi Papai Noel fazendo pose ao lado de bonecos de neve, vi Papai Noel perto de brigadeiros gigantes, vi várias imagens dele fazendo inúmeras propagandas e assim por diante.
Resolvi então recuperar o verdadeiro Papai Noel. Não aquele que a Coca Cola resolveu vestir de vermelho com um barrete de mesma cor e pom-pom branco. Não esse.
Na verdade o nosso Papai Noel hoje veio de um homem real. Um santo. E é raro alguém que saiba disso. São Nicolau Taumaturgo, arcebispo de Mira, que viveu no século IV.
São Nicolau costumava ajudar quem estivesse com dificuldades financeiras, anonimamente. Saia de casa e deixava perto da chaminé dos necessitados um saco com moedas de ouro!
A história foi muitas vezes contada e acabou que hoje o Papai Noel virou símbolo do consumismo.
Sem contar com o costume surreal de colocar um Papai Noel em cada shopping (cercado de mulheres em mini-shorts vermelhos cobrindo a cabeça com gorrinhos) pronto a ouvir os pedidos, tirar fotos, carregar a criançada no colo.
Mas eu admito que a imagem atual do Papai Noel não é uma coisa tão ruim. O bom velhinho que mora no pólo norte, que tem uma gigantesca fábrica de brinquedos, veste roupas de inverno vermelhas, é gordo, trabalha com duendes e atende todas as crianças do mundo em seu trenó puxado por renas mágicas voadoras em apenas uma noite é um conto de fadas tentador.
O problema é o como utilizam a imagem do tal. Colocar bonecos dele rebolando não é aceitável.
Outro dia, porém, eu vi uma imagem dele que eu gostei! Foi a melhor representação do Papai Noel que eu vi nesse Natal. O shopping Eldorado fez o enfeite natalino mais bonito entre todos os enfeites de shoppings que eu vi. É a representação em tamanho real da possível casa do Papai Noel. Realmente bonito.
Eu passei perto já com o pé atrás. Já me preparei para ver alguma bizarrice. Qual não foi a minha surpresa quando eu notei que era uma simples casa (com enfeites e brinquedos exageradamente em grande quantidade) com a Mamãe Noel na cozinha e o Papai Noel no centro, no que seria a entrada da casa.
Ele, por sua vez, estava representado num boneco em tamanho real. Sua vestimenta era, diferente do comum, de um tom mais escuro, de um marrom quase vinho, uma touca normal; nada muito chamativo. Cinto de um homem trabalhador e um cajado de andarilho. Cem por cento preparado para andar na neve sem sofrer muito com o frio.
Seu rosto transmitia uma serenidade de um homem bom. Mas nada daquela exagerada, inocente e hipócrita bondade que vemos em vários rostos Noéis por aí. Uma bondade sincera, nada daquele rostinho redondo e reluzente que mais parece de uma boneca. Foi o Papai Noel mais verdadeiro que eu vi nesse natal. É essa a imagem que eu tenho de São Nicolau.
E, na verdade, São Nicolau é o personagem que mais tem a ver com o Natal por ser um homem que dedicou sua vida a Deus. E de que se trata o Natal se não do nascimento de Jesus?
Um Feliz Natal atrasado para todos!!!

Portanto sentei na minha poltrona sem a menor expectativa. E depois de quase dormir durante os trailers o filme começou. E não é que, no final das contas, eu gostei? E o Clooney, do jeito dele, consegue fazer um bom trabalho. Particularmente eu gostei muito do final, da última cena. Até me fez lembrar (perdoem-me os mais sensíveis se isso for pecado) vagamente dos finais dos filmes do Almodóvar.










