14/12/2007Um livro

O único exemplar de Harry Potter que eu tinha em livro agora está exposto na prateleira de um sebo. Eu troquei o terceiro livro do bruxo por um livro de capa dura ilustrado do conto “A Máscara da Morte Vermelha” do Edgar Allan Poe.
Em minha busca por uma oferta melhor, andando de sebo em sebo, encontrei com uma garota. Ela estava falando com uma mulher que parecia a dona do sebo e perguntava sobre algum livro. A mulher foi fazer uma ligação e a garota a acompanhou até a mesa.
Fui junto e esperei o telefonema e a conversa acabarem. Mas mesmo ao telefone a mulher virou para mim e disse o famoso “posso te ajudar?” Eu disse que tinha uns livros que queria vender e então, ainda ao telefone, ela me pediu para mostrá-los.
Quando coloquei o exemplar de Harry Potter na mesa, junto com um outro do Sherlock Holmes, a tal garota, muito bonita, virou para mim e disse: “Você tem coragem de vender um Harry Potter?”
Olhei pra ela surpreso com a pergunta e respondi com um confuso “é…”
Ela então começou uma breve conversa comigo onde me disse que Harry Potter era um dos únicos livros desse estilo que ela conseguia ler. Que a história conseguia prendê-la satisfatoriamente. Depois ainda comparou Harry Potter com o outro fenômeno “O Senhor Dos Anéis” e disse que entre esses dois ela preferia o primeiro.
Durante o curto papo eu só pude dizer algo como: “Sabe que eu não consegui ler Harry Potter… Eu até comecei mas não foi uma história que me deu vontade de continuar…” mas na maioria das vezes eu simplesmente olhava pra ela e concordava meio sem pensar. Falei dos filmes e ela comentou pouco.
No final, antes da despedida ela ainda tirou a clássica conclusão de que, para ela, os livros eram melhores que os filmes. O que mais eu poderia dizer? Isso é fato.
Ela se despediu rapidamente e saiu de lá. A mulher disse que só comprava o Harry Potter, e que pagava quatro reais. Eu agradeci e disse que procuraria ofertas melhores.
No final da tarde eu saí de um outro sebo quinze reais (na forma de um livro) mais rico.
E aquela tarde foi – acredite – tão estranha quanto esse texto.
