24/01/2008Instruções de uso
Estava eu na papelaria do meu pai fazendo 150 cópias coloridas de uma propaganda quando percebi que o processo iria levar mais tempo do que eu gostaria. Mas não tinha escolha e mesmo que aquilo tomasse todo o meu dia eu não poderia reclamar.
Desse modo, enquanto a copiadora fazia seus estranhos barulhos, eu decidi procurar alguma coisa para fazer. Entrei na internet, descobri que o ator Heath Ledger morreu, vi meu orkut e logo já não tinha mais o que ver ali. Voltei para frente da impressora e fiquei esperando. Definitivamente iria demorar. E definitivamente eu não tinha a menor intenção de ficar olhando as cópias serem ejetadas.
Desse modo sentei e peguei uma espiral de apostila das mais largas e comecei a brincar. Brincadeira que também não rendeu muita coisa. Parei e comecei a fuçar em tudo quando, de repente, em cima da prateleira do xerox eu vejo o que parece ser um livro. Animado eu estico o braço e alcanço o tal com a esperança de que agora o tempo poderia passar mais rápido. Doce ilusão. O tal livro era o manual de instruções da máquina de xerox PB.
Agora eu digo: se você realmente quer ler alguma coisa muito chata, leia o manual de instrução de uma máquina de xerox. Sinceramente, ler bulas é mais emocionante.
Mas imaginem vocês que eu não precisei de outra coisa pra passar o meu tempo! Li um pouco do manual, que ainda por cima estava em inglês, e fiquei pensando nisso: existe coisa mais chata do que ler manuais?
Foi quando eu lembrei que nem sempre é assim. Existem manuais que são muito mais legais de se ler!
Quando eu era menor eu tinha alguns manuais que eu adorava ler. Eu tinha um jogo para computador que chamava Roller Coaster. Os mais entendidos devem se lembrar dele. E o manual dele eu li inteiro e carregava sempre comigo. Quando ele rasgou, eu plastifiquei a capa.
Como eu me aventurava fazendo montanhas russas naquele jogo o manual se mostrava uma coisa bastante útil e também muito divertida!
Outro manual que eu cheguei a plastificar foi o manual de outro jogo: The Sims. Esse jogo qualquer pessoa conhece. E eu também tive minha fase “sim”. E o manual, nessa fase, foi a coisa encadernada que eu mais usei.
De fato esses manuais eram interessantes, assim como o eram os produtos relativos a cada um deles. E assim foi durante toda minha infância, os manuais mais lidos eram os de jogos de computador, de legos e de outras coisas divertidas como carrinhos de montar e até nautimodelismo.
Acabei por perceber, agora, que o mundo deveria ter um manual de instruções. Que assim como os que eu li dizem o modo certo de repor o papel na máquina ou de construir uma casa mal assombrada, deveria existir um manual para nos ensinar o modo certo de lidar com a natureza, o modo certo de usufruir os oceanos, o modo certo de utilizar o oxigênio e assim por diante.
Mas de nada adiantaria um manual desses. O como utilizar esse planeta nós já aprendemos. E temos aí milhares de anos de experiências erradas que hoje nos possibilitam ver o caminho menos pior. Resta segui-lo.
Outro manual seria muito útil hoje em dia: um manual do cérebro. Seria ótimo se todas as pessoas soubessem usá-lo!
Ou quem sabe um manual do comportamento. Um manual de como utilizar a boa educação.
Inúmeros. E esses não seriam tão chatos quanto o manual da máquina de xerox PB. De fato eu conheço várias pessoas que merecem ser presenteadas com um desses manuais. Em mesmo leria vários capítulos!
De qualquer forma, na ausência de tais ferramentas, nós apelamos para o bom senso.


