28/02/2008Tela x Tela

No começo do mês eu li no Estadão uma entrevista com Woody Allen. Nessa entrevista ele comentava sobre sua “fase européia” e também sobre seus próximos projetos. E uma pergunta que fizeram para ele me interessou bastante.
Perguntaram para ele se faz diferença os filmes dele serem vistos no cinema ou numa TV. “Sim” foi sua resposta imediata, logo seguida da frase “Prefiro que eles sejam vistos na tela grande.”
Depois ele até comenta que quando todos tiverem sua sala de projeção ou uma tela de 2m x 3m em casa aí sim provavelmente não haverá tanta diferença. Mas logo diz que a verdade é que os filmes são feitos para a tela de cinema.
Como é bom ler isso de um cara como Allen. Provavelmente eu já comentei aqui sobre a possível “morte” das salas de cinema. E eu certamente falei que, se dependesse de mim, isso nunca aconteceria. E até discordo com o Allen em um ponto: as pessoas um dia terão suas salas de projeção, terão suas telas enormes e em alta definição, mas nem isso substituirá a magia de uma sala de cinema.
Sabe aquela coisa de chegar, olhar a lista de filmes que está passando e pesquisar os horários? E depois entrar mais cedo pra pegar lugar, comprar pipoca, sentar ao lado da pessoa que mais gostamos e ao mesmo tempo ao lado de desconhecidos. Assistir os trailers; aquela sensação de que cem pessoas estão ali reunidas todas em silencio por duas horas. Duas horas que presenciamos outro mundo, que vivemos outra realidade.
Não, nada substituirá isso. Como Woody disse: os filmes são feitos para o cinema. “Para uma tela maior que a vida real, com público enchendo a sala, cochichando, saindo e dando sua opinião.”
