A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Cine


O filme conta a história do banqueiro Luiz Fernando (Fúlvio Stafanini) que usa sua secretária como laranja numa operação suja que envolvia cinqüenta milhões de reais. Ele escolhe a moça (Giovanna Antonelli) porque o doleiro que geralmente desconta o cheque e manda o dinheiro para a sua conta em Zurique entra em coma.

Porém, ocorre um erro quando o dinheiro vai ser passado para a conta da secretária Ângela e os cinqüenta milhões vão parar na conta da mãe do namorado dela, Angelina (Zezé Polessa), cujo marido, Roberto (Daniel Dantas), é gerente de um dos bancos de Luiz Fernando.

Está armada a confusão.

O filme é uma adaptação de uma premiada peça consagrada de Juca de Oliveira. E o questionamento começa aí: onde estão os roteiros originais? A qualidade gráfica do filme me fez pensar que o cinema brasileiro está realmente tomando forças, mas a história não se mostra assim tão digna de ser chamada de cavalaria.

No teatro a coisa é diferente.

Na tela grande, logo no começo do filme, conforme as coisas iam acontecendo, o final ia sendo desvendado. Uma história previsível.

Algumas piadas realmente funcionam, e os atores até convencem. Mas alguns fatos que são apresentados paralelamente servem só para montar a história principal, ficando sem nenhuma continuação, como por exemplo a história do aluno com a arma, o pai do aluno na sala de aula…

Em resumo, é um filme pra ver, se divertir um pouco e só. O tema até faz refletir, fala sobre honestidade, lealdade, família, até critica o presidente da república, mas as coisas param por aí.

Poderiam fazer um filme com o mesmo apelo gráfico e com o mesmo nível de divulgação mas que fosse mais válido.

Eu saí com a impressão de que poderia ser melhor. De qualquer forma é um filme que leva o povo brasileiro para o cinema ver um filme brasileiro. Ainda vale assistir.

16/04/2007Novo critério!

Nos meus comentários de filmes eu nunca usei de nota ou de conceito, mas resolvi ver se isso dá certo!

Agora todos os filmes que eu comentar terão uma nota de 0 (zero) à 10 (dez).

Eis aqui o como isso vai ser mostrado:

5/04/2007Filme: 300

Quando eu soube que iam lançar o filme 300, nem sabia do que se tratava. Um pouco de pesquisa e eu fiquei sabendo que a história contava sobre os 300 soldados espartanos que lutaram contra o incontável exército persa em 480 a.C.

Já era alguma coisa. Mas eu ainda não tinha uma noção maior do filme, e não achava que ia ser muita coisa. Depois eu fiquei sabendo que o Rodrigo Santoro ia estar no filme. Gostei de saber isso, mas ainda assim não botava muita fé no tal filme.

Foi quando, uma vez no cinema, eu assisti o trailer do filme pela primeira vez. “Uau!” pensei. “Vai ser legal!”

Mas não saia do “legal”. Tinha gostado bastante do trailer e comecei a pensar que talvez o filme pudesse ser maior do que eu pensava.

As últimas informações que eu tive do filme confirmaram minha teoria. Quando soube que seria uma adaptação de uma HQ do Frank Miller (o mesmo de Sin City) aí pronto! Aí eu comecei a esperar uma coisa realmente boa!

No segundo dia de estréia eu fui assistir o tal. Eu e um amigo.

Cinemark Eldorado. Sala 1, a maior. Quase quarenta minutos antes do filme a fila já parecia de montanha-russa de parque de diversões! Impressionante! Eu imaginava que ia ser um grande lançamento, mas não tinha noção do quanto o blockbuster estava lotando as salas! Com sorte não sentamos na escada.

E o filme começou: já no começo cenas com efeitos impressionantes! Coisa de louco! Que eu me lembre eu só tinha me empolgado tanto com cenas de efeitos especiais no cinema na cena da luta do Neo contra os 100 agentes Smith!

E em 300 é assim do começo ao final! Todas as cenas com um contorno espetacular de efeitos que não te deixam tocar o encosto da cadeira!

Mas até ai vocês me perguntam: “E daí?”. Sim, efeito é só efeito. Mas a história também não deixa a desejar! Leônidas (Gerard Butler), rei espartano, recruta 300 dos melhores soldados da cidade e vai lutar contra o infindável exército persa, liderado pelo rei-deus Xerxes (Santoro).

Tratando de assuntos de sempre como honra, respeito, família, união entre outros que eu adoro ver em filmes, eles ainda colocam questões da dualidade do vilão da história, confiança dos aliados a Leônidas, discriminação, e muitas outras coisas.

Porém isso tudo é segundo plano, acho que o filme se encaixa nos moldes “filme pipoca”, onde vale a pena ir pra ver os efeitos! O filme se foca na batalha propriamente dita. As cenas em que a mulher de Leônidas vai atrás de reforços ficam até um tanto deslocadas.

Toques de fantasia numa história real. Um filme que me surpreendeu! Coisa digna de Frank Miller, sem tirar o mérito de Zack Snyder, que realmente acertou nesse filme!

Um filme que te deixa querendo ser espartano no final. Que te deixa querendo gritar como Leônidas.

O filme já junta famosas frases de efeito como “Tonight we dine in hell!” (hoje jantamos no inferno) “Lutaremos na sombra” e a melhor na minha opinião: “This is Sparta!” (Isso é Esparta!).

Vale a pena assistir. Mas só quem gosta de muita guerra, muito sangue e, principalmente, muitos efeitos especiais!

Ah! É! Esqueci: sem falar na trilha sonora, que junta rock com canções mais épicas. Show!

Acho que eu fui assistir “O Cheiro do Ralo” com muita expectativa… Pois é, aí aconteceu aquilo de o filme não ser exatamente ótimo do jeito que eu pensava.

A história fala de Lourenço (Selton Mello), dono de uma loja de penhores frio, cínico e cruel que trata as pessoas que vem vender suas coisas do pior jeito possível. No banheiro do seu escritório (um lugar longe de ser dos mais aconchegantes) o ralo está com problemas, e o cheiro de bosta se espalha por todo o lugar.

Lourenço convive com o cheiro. Convive também com a paixão que nutre pela bunda de uma garçonete de um bar de esquina. Lourenço não gosta de ninguém. É o que ele fala. Mas ao certo ele não gosta é de si mesmo, e procura a razão das coisas ao comprar bugigangas de estranhos. Certo dia um homem lhe oferece um olho de vidro. Desse momento em diante Lourenço dedica-se a mostrar ao olho tudo que acha interessante. Principalmente “a bunda”. E inventa para todos que o tal olho era de seu pai, pessoa que na verdade ele nunca conheceu.

Conforme combate o cheiro do ralo e convive com a bunda e o olho, ele vai percebendo como tudo isso influi em sua vida.

Seu comportamento para com as pessoas que vão procurar dinheiro com ele piora sempre, no sentido de que cada vez mais ele sente prazer em humilhá-las.

O filme prossegue sempre com esses focos: o cheiro do ralo, a bunda, o olho e o comportamento agressivo, frio e cínico do personagem.

Eu saí do cinema com o sentimento de que poderia ter sido mais, de que não foi tão bom quanto eu imaginava. Mas o negócio é que o filme acerta nisso, gostando ou não você não consegue não refletir sobre.

Porém não é que eu não tenha gostado, simplesmente achei que seria ótimo, mas aconteceu que foi bom.

Voltando para a casa, no ônibus, continuei pensando em tudo e no sentido de tudo. Quando de repente tive uma luz! Uma coisa que me ajudou a gostar mais do filme. Eu havia entendido o cheiro do ralo! Sim, ele mesmo! Me veio um significado que eu nunca tinha pensado.

Acontece que a relação dele com o cheiro é a seguinte: ele percebia o cheiro e queria consertar o ralo para que esse parasse de emanar o bendito (pois ele não agüentava mais explicar às pessoas que o cheiro não era dele). Chamou uns encanadores e esses disseram que seria preciso trocar o registro para que tudo voltasse a funcionar. Lourenço porém achava que gastaria muito dinheiro para isso e decidiu que seria melhor cimentar o ralo de uma vez. Foi o que fez.

Depois de um tempo sem o cheiro e de alguns acontecimentos em sua vida, ele percebe que não consegue mais viver sem o cheiro do ralo! Vai lá e destampa o ralo, que volta a emanar o seu odor nojento.

Aí eu comecei a pensar: esse cheiro do ralo caberia perfeitamente no papel das problemáticas atuais! Coisas que vão desde a pobreza até o desprezo pela vida das florestas brasileiras. Perfeito! Isso acontece muito: queremos arrumar o ralo, ou seja, queremos que as desigualdades, os problemas, acabem, pois não queremos que pensem que o cheiro de merda vem de nós. Quando alguém nos fornece uma solução plausível, que cortaria o mal pela raiz, que faria com que tudo desse certo (alguém que chega e fala que temos que trocar o registro), achamos que isso dá muito trabalho, que não vai adiantar (achamos caro) e resolvemos que do nosso jeito é melhor, escondemos, tapamos. Cimentar o ralo não vai resolver o problema, e sim esconder o mesmo.

Mas nós escondemos mesmo assim, é mais fácil.

Depois de um tempo, percebemos que não podemos viver sem o cheiro! Voltamos lá e destapamos o ralo! Precisamos de alguém que esteja em piores condições que nós para que possamos nos sentir bem.

E foi aí que eu descobri a alma de Lourenço. Ele tem que humilhar as pessoas para que possa se afirmar pessoalmente. Ele tem que provar que seu dinheiro compra tudo. Até a bunda.

Resumindo, “O Cheiro do Ralo” mostra absurdamente bem essa faceta do homem: auto-afirmação através da humilhação. Não vivemos sem o cheiro.

E eu digo a vocês: vale a pena assistir. Tirem suas conclusões. Essa reflexão é minha, mas o filme não é só isso! E nem precisa ser isso. Eu ainda estou pensando sobre ele. Quem sabe daqui um tempo eu não assisto de novo e enxergo mais alguma coisa? Aí eu conto aqui.

Sem contar que esse filme é uma pequena obra prima também no sentido estético cinematográfico. É realmente cinema! Não quer ser adaptação de linguagem televisiva (que parece moda no cinema brasileiro atual) e nem teatral. Sem contar com o heroísmo de ter sido feito com apenas 330 mil reais! Para os padrões cinematográficos isso é realmente muito pouco!

Um filme bom. Arte legítima.

27/01/2007Filme: Babel

BabelO filme começa com um senhor vendendo um rifle que ganhou para um pai de família marroquino. A humilde família é dona de uma criação de cabras e o tal rifle era para que nenhum outro animal ameaçasse as cabras.

O pai dá a arma aos dois filhos meninos para que eles tomem conta das cabras.

Em uma discussão um deles atira em um ônibus cheio de turistas que passava pela região montanhosa. A bala atinge Susan (Cate Blanchett), uma americana que é casada com Richard (Brad Pitt).

A partir daí uma série de histórias que aparentemente não se encaixam tomam a tela.

Além da situação dos dois meninos marroquinos e da comovente corrida pela vida de Susan, nos deparamos com uma jovem japonesa surda-muda que viu sua mãe morrer e que agora enfrenta problemas de relacionamento e seu pai, que agora luta com o fato da morte de sua mulher. Também vemos a situação de uma babá mexicana que resolve levar as crianças de quem cuida para o México no casamento de seu filho sem permissão.

O mais impressionante nesse filme é ver o que parecia um grande mix de histórias sem ligação se mostrar um grande quebra-cabeças onde tudo se encaixa. Uma história leva à outra. Tudo isso desencadeado pelo tiro do menino marroquino.

Devido à montagem que nos coloca sem aviso prévio em lugares diferentes com histórias diferentes, tenho a sensação de que o valor de cada trama diminui. Mas somente a sensação. A resolução coloca tudo no seu lugar e faz do filme (apesar de aparentemente lento e longo) uma experiência comovente.

Uma mensagem que foi bem dada.

Cassino Royale

Antes de qualquer coisa: Feliz Natal!

Espero que vocês tenham passado super bem essa data especial!

Eu passei! Digamos que eu comi um pouco mais do que eu realmente agüentava e agora estou arcando com as conseqüências.

Sendo assim eu resolvi escrever um post um pouco mais light. Vamos falar sobre cinema! Isso mesmo!

Mais especificamente sobre um filme: 007 Cassino Royale:

Cassino Royale Está nos cinemas (como vocês mesmos podem conferir no “Assista”) e renova a franquia de um modo que estava demorando pra acontecer.

Durante as décadas de existência do agente secreto britânico seus filmes foram se tornando cada vez mais impossíveis. Cenas em que a Física era descartada por completo não eram raras e parecia que a franquia estava mais é parodiando com seu próprio estilo.

Uma renovação era necessária. E como nosso amigo Batman, James Bond também ganhou o filme que marca várias mudanças.

Mais humano e realista, agora Bond (interpretado pelo loiro Daniel Craig) se molha, se machuca, amassa a roupa, comete erros e essas coisas que a gente nunca pensou que ia ver num 007.

A história conta o início, quando Bond acaba de se tornar um agente 00. Ele recebe a missão de ganhar de um influente financiador do terrorismo mundial numa partida multimilionária de pôquer.

O filme é relativamente longo (144 min), porém em nenhum momento isso atrapalha.

Cassino RoyaleSua maior polêmica gira em torno das mudanças. O filme pode decepcionar alguns fãs mais rígidos, mas sem motivo válido. Todas as mudanças, principalmente a do ator, fizeram desse filme um dos melhores que eu vi até agora nessas minhas férias!

Vale a pena assistir. Um dos melhores 007.

PS: O que você achou do filme? Gostou? Não? Mande sua crítica para o novo e-mail do Embaralhando! embaralhando@yahoo.com.br

Boas novas: esse é o primeiro de mais um ‘post fixo’ onde eu colocarei críticas minhas sobre filmes que eu assisti e críticas suas (sim, leitor: suas!) sobre o filme que quiser!

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