A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

CONSCIENTIZANDO


5/01/2007Ghadyirochand

Elefante?

É isso que caçadores da tribo Barabaig, na Tanzânia, se tornam ao voltarem da longa caça aos elefantes. A tradução? “Herói”.
Poxa, então a carne de elefante deve ser boa, e os habitantes da tribo devem depender dela!
Antes fosse: eles saem para a caça apenas para provar que são corajosos. Após o abate, eles pegam as presas e deixam o resto para os animais carniceiros.
Depois de dias procurando por um elefante, ao achar, eles o abatem com lanças, nessa hora os caçadores correm risco de vida: os elefantes furiosos podem simplesmente avançar neles e… bom… um abraço! Os que sobrevivem à isso correm atrás do elefante por dias até ele tombar quase morto. Nesse tempo todo os caçadores não comem, só bebem.
A recompensa? Além da admiração eles ganham terras, rebanhos, privilégios políticos e econômicos e uma esposa.
Agora o bom mesmo é ser herói que nem o Super-Homem: ele não espera nada de ninguém, ele apenas salva o mundo.
Hummm… Pensando bem… É… Os barabaigs são bem mais heróis que o Super-Homem. Analisemos a situação do homem de aço:
1º: o cara vive nos EUA.
2º: o cara levanta uma carreta do mesmo jeito que eu levanto uma caneta. (Uia! Rimou!)
3º: nem tiro no olho mata o cara.
4º: ele tem só um inimigo. E careca ainda por cima!
5º: ele (quando de óculos) é jornalista do melhor (ou único) jornal da cidade.
6º: ele namora uma mulher bonita e se por acaso ela renunciar o cargo, seguindo a fila existem só todas as mulheres do mundo.
7º: ele pode acordar as 8:59 da manhã que às 9:00 ele já está na mesa do escritório de café e banho tomados.
8º: ele não gasta dinheiro com fósforos. É só uma olhadinha e pronto: o pão tá torrado.
9º: a única coisa que deixa ele meio bêbado é a tal da pedra verde, mas nem a ressaca do dia seguinte ele tem que enfrentar.
10º: a única coisa que ele perdeu na vida foi a queda de braço contra o Chuck Norris, no qual eles apostaram que quem perdesse teria que usar a cueca pra fora da calça pro resto da vida.
11º e último: ele nunca deve ter visto um elefante na vida.
Desse modo, eu acho que os nossos amigo guerreiros da Tanzânia estão certos ao cobrar pelo heroísmo.
Agora, quando o assunto é com a gente, ser herói é impossível. Nosso heroísmo está nas coisas que fazemos em prol de um lugar melhor para se viver. Mas nesse caso a recompensa futura é certa! É só não sermos movidos por ela.
A não ser que um elefante esteja ameaçando esmagar o carro do seu chefe…

[Esse texto foi um dos que eu publiquei no meu antigo blog "E falando nisso"]

30/12/2006_ _ _ _ _

Forca...

A idiotice humana não tem tamanho mesmo. Hoje enforcaram o Saddam. Resolveu? Nada! Por causa disso mais de oitenta pessoas morreram em atentados contra os xiitas em Bagdá.

Os lados

E pro Saddam? Foi mais fácil assim. Não deve ter sido difícil ficar calmo enquanto colocavam a corda em seu pescoço. Morrer é fácil.

Ia resolver se o colocassem para trabalhar para o bem da humanidade! Colocassem ele pra construir escolas ou qualquer outra coisa do gênero. Sei lá, qualquer coisa, menos matar. Por isso foi fácil pra ele. Ele devia estar pensando em todas coisas da qual ele estava se safando.

Bom, de qualquer modo as coisas, pelo jeito, só pioraram.

Atentados pós enfocamento

Isso porque eu ainda não falei sobre a situação do Rio de Janeiro…

[esse post está valendo como o 'Imagem da Semana']

O mundo realmente tá cheio de gente que não quer entender o quanto a questão ambiental é importante para as gerações futuras e a nossa. Ainda ontem eu vi no jornal imagens impressionantes de poluição em um rio. Um tapete de peixes mortos que impossibilitava a visão da própria água! E depois montanhas de lixo ao lado!

Disseram que milhares de pessoas dependem daquele rio para viver. Mas, pelo jeito, acho que isso não importa!

De qualquer maneira existe ainda muita gente tapada quando o assunto é esse (sem generalizar; existe, sim, muita gente consciente).

Pensando na parte masculina dessas pessoas que não querem ouvir o porquê é bom preservar o meio ambiente (que é a grande maioria, digo eu) que estão criando a campanha fotográfica “Preserve a Natureza!”, com fotos como essa:

Preserve a Natureza

Do jeito que as coisas andam, só apelando desse jeito para que talvez a gente consiga mudar a cabeça (ou aumentar; ou até colocar uma) das pessoas que ainda acham que esse assunto é bobeira. Se bem que… desse jeito… sei não…

Papai-Noel Bebendo

Nessa época do ano é super comum todos sermos invadidos por um sentimento (?) que move o mundo: consumismo.

Sim, várias pessoas realmente se preocupam com a solidariedade, a comunhão e etc, mas o que mais vemos nesses dias são shoppings lotados, pessoas comprando presentes para todos os parentes e tal. Nada contra. Dar presentes é uma maneira especialmente boa de demonstrar carinho e de comemorar o tão esperado dia.

Mas, sabe, acho que de vez em quando as pessoas esquecem que não é só isso. Sim, não podemos esquecer de todo aquele papo do nascimento de Jesus e tal. É realmente esse o verdadeiro significado do natal. O nascimento da pessoa mais importante de todos os tempos.

Devemos, sim, lembrar que tudo o que damos, fazemos e desejamos nesses dias tem esse significado maior.

Mas também acho que não podemos parar por aí. Só lembrar e ficar por isso mesmo não acho que ajuda muito.

Ao mesmo tempo em que vemos pessoas comprando coisas imensamente caras pra dar de presente para outras pessoas, ainda vemos o fruto podre do capitalismo consumista dormindo em várias calçadas e em baixo de várias pontes em todo o mundo.

“IH! Lá vem o Luis com esse papo de querer mudar o mundo de novo!” pensam vocês.

É, mudar o mundo não é uma má idéia! Sabe, eu realmente acho que o mundo podia ser bem melhor e bem mais organizado. Se todos nos movêssemos juntos talvez o que assola o mundo hoje possa entrar em extinção! Mas é realmente uma meta quase utópica.

É, vai ser difícil as coisas mudarem sem que nós tenhamos consciência de que as coisas REALMENTE precisam mudar! Bom, pra falar a verdade acho que isso todo mundo já sabe.

O que é mais raro ocorrer no que chamamos de cérebro é o fato de que NÓS temos o poder de mudar!

Eu fui ao cinema um dia desses. Sabe como é, um mês antes do aniversário de 2006 anos do Cara o shopping já está com a festa preparada. Eu falo isso como se os caras do shopping pensassem no tal homem que dividiu a história do mundo em dois períodos só por ter nascido. Que nada, além do uso abusivo da cor vermelha e das árvores de natal, o shopping colocou 21 papais-noéis rebolando ao som de uma música natalina.

Vocês prestaram atenção ao que eu falei? VINTE E UM PAPAIS-NOÉIS! E ainda mais: REBOLANDO!

De santo a símbolo do consumismo. Ninguém merece!

Bom, voltando à minha história, depois de passar pelo coral de bonecos friorentos rebolantes eu fui até uma loja de eletrônicos. Nela entrou um garoto de uns dez anos e perguntou pro vendedor:

- Vocês têm aí o Wii?

O Wii é um novo videogame de ultima geração que custa lá os seus dois mil e quinhentos reais.

- Temos sim. – respondeu o vendedor.

- Quanto tá?

- Dois mil e quinhentos.

O garoto saiu feliz e contente da loja. Provavelmente um dos vinte e um barbudos ia dar um desses pra ele.

No outro dia eu estava na papelaria. Chega um senhor com três crianças ao seu lado. Dois garotinhos e uma menininha.

O senhor era avô dos três e estava lá pra comprar os presentes de natal para eles.

Ele ia comprar três mochilas. Escolheu duas que os garotos queriam e uma mochila rosa que a menina queria. Viu o preço das três e fez a conta. Ele não tinha dinheiro pra tanto. Pediu um desconto e conseguiu 10%. Ainda não dava.

Aí ele trocou a mochila rosa por outra mais barata. A garotinha olhava pra ele sem reclamar, mas com visível descontentamento.

O senhor não queria aquilo, mas não tinha dinheiro.

Um tempo depois, a atendente que estava com ele viu que a diferença entre os preços, se ele fosse pegar a mochila rosa, não ia ser grande e assim o senhor conseguiu o que queria. Levou também a mochila rosa. A menininha saiu contente!

Duvido que a conta do senhor tenha passado dos cinqüenta reais.

Aí hoje eu abro meu e-mail, meu Orkut e etc e vejo ‘n’ recados de feliz natal mandadas por aquelas pessoas que vão ganhar o Wii do papai-noel dizendo que desejam muita paz e amor e falando que esse espírito não pode durar só nesse dia, mas também durante o ano todo.

Aí eles desejam um ótimo ano novo e falam que querem que tudo no mundo acabe bem, que todos sejam felizes e todo esse papo que é mais clichê do que esse meu texto.

De verdade eu acho isso lindo! Todos devemos sempre rezar pra que tudo dê certo!

Agora, não vem pra cima de mim com esse papinho se você não faz sua parte concretamente!

Aí no final a gente chega à conclusão de que além de um espírito consumista, reina também um outro hipócrita.

Eu não digo que é pra renunciarmos o nosso Wii e, com o dinheiro, comprarmos brinquedos pra crianças carentes (mesmo sendo essa a atitude correta), acima de tudo porque essa deve ser uma decisão extremamente difícil! Mas digo pra que vejamos o que podemos fazer pelo nosso bairro, pela nossa cidade. OK, até isso pode ser um pouco difícil de se realizar, então pensemos na nossa casa, na nossa família! Tem sempre alguma coisa!

Não esqueçamos o verdadeiro espírito natalino. É esse que devemos sempre colocar em prática todos os dias do ano!

Apesar de tudo, desejo a todos, todos mesmo, até aqueles que nunca vão ter condições de ler isso, um ÓTIMO NATAL! Que cada um coloque sua peça no quebra-cabeça para que o nosso maior presente seja um grande painel de felicidades e mudanças!

FELIZ NATAL!

PS.: Papai-Noel, se você estiver lendo isso, vê se não esquece do meu MP4 Player! Oito gigas tá bom. Sabe, né? Desses que também é PenDrive! Se tiver um com gravador de voz ia ser legal! Obrigado!

11/12/2006HS


“Existe no mundo uma arma para cada 12 pessoas. A única questão agora é: Como vamos armar as outras onze?”
Essa é a primeira frase dita no filme “O Senhor das Armas”. A história trata de um homem que viu no comércio de armas um modo de ganhar dinheiro. Seu envolvimento com esse mundo acaba levando ele para o comércio de drogas, acabando com a vida de seu irmão, que também era seu sócio.
Ele se casou com a mulher de seus sonhos e se tornou um dos melhores no ramo. Porém, depois de seu irmão, sua família o deixou. Com a vida alicerçada em mentiras e trapaças, ele acabou só, porém perito no que fazia. Despertando mais do que respeito de uns e ódio de outros.
“O futuro do mundo pertence aos vendedores de armas.” Diz ele no final.
Temos hoje no mundo incontáveis focos de guerra espalhados em praticamente todos os países. Os maiores são noticiados.
Duvido que alguém ainda não tenha feito a pergunta se isso vai acabar um dia. Até os vendedores/traficantes de armas… Melhor: principalmente os vendedores/traficantes de armas fazem essa pergunta. Pois se as guerras acabarem, eles estão desempregados. E é por isso que infelizmente estamos longe de uma época de paz, apesar de estarmos contraditoriamente cada vez mais perto dela.
E isso ninguém pode negar, nunca se fez tanto para um mundo melhor como hoje. Cada atrocidade noticiada mundialmente e principalmente as que acontecem na nossa esquina, clama por uma época mais segura e tranqüila. Mesmo que elas resultem em um fruto do isolamento crônico que vemos ou fazemos parte. Porém isso é proporcionalmente minúsculo perto de todas as idiotices assassinas que mentes extraterrestres bolam hoje em dia.
Pena as pessoas mais poderosas do mundo dependerem da interrupção da vida alheia para ganhar seu salário.
Bom, já que ninguém liga pra nada hoje em dia a não ser para a limpeza do próprio umbigo, é uma boa idéia entrarmos na dança, pois, afinal, não é justo que de doze pessoas no mundo somente uma possa ter uma arma…

7/12/2006Burrice

Com o tempo a gente vai descobrindo que o ser humano pode ser uma criatura estupidamente tapada. Luana sabia disso desde sempre. Talvez por ter sido criada numa família esclarecida. Ou talvez por ter se interessado pelos estudos como ninguém. Porém ela diz que sabe disso pelo simples fato de ter nascido mulher.

Sempre que andava pelas ruas acabava brigando com alguém. Observadora, sempre que via alguma pessoa jogar qualquer tipo de lixo no chão ela catava, chamava a pessoa e, na frente dela, jogava o lixo no seu devido lugar.

Não falava nada. O ato já diz tudo, dizia ela.

Na maioria das vezes a pessoa somente continuava a andar sem ligar para ela. Outras diziam: “Pra quê? Todo mundo joga no chão! Que diferença faz?”. Acontecia (em casos extremos) de pessoas falarem: “Tá bom sua certinha idiota. Vá colocar esse lixo no [censurado]! Vai ser chata assim l…” nesses casos o papo parava sempre por aí. Normalmente o que vinha depois era um belo murro na cara do cretino.

Ela lutava. Não muito bem, mas o suficiente para calar pessoas cretinas.

Mais raro que esse último caso extremo era ela ouvir: “Desculpe!”

De qualquer forma era assim, tudo que ela achava errado ela corrigia de um jeito tal que todos saiam ganhando no final. Que seja um olho roxo, mas ganham.

Eu fui um dos que conheci o punho dela antes de conhecer ela. Pouco agradável.

Contarei um pouco de como foi.

Aquele dia, como também aquela semana, não estava nem um pouco bom. Minha mulher de TPM. Sabe como é né, ser seqüestrado é definitivamente uma situação mais fácil do que enfrentar mulher com TPM. O seqüestrador pelo menos aceita negociar.

De qualquer modo não era só minha mulher que estava dificultando meu dia. O pior era o trabalho. Mas eu não quero entrar em detalhes.

Era horário de almoço e eu fui pro restaurante. Lá estava Luana. Estava com algumas amigas. Eu comi e fui embora. Mas antes disso eu comprei uns chicletes pra ir comendo até o escritório. Nessa hora ela já estava lá fora despedindo das amigas.

Eu saí e abri o chiclete. Vi o lixo e taquei a embalagem nele. Foi aí que eu vi a moça abaixando, pegando meu papel e colocando dentro do lixo. Ela me olhava com uma cara de absoluta reprovação. Eu não entendi e, ao voltar os olhos para o meu caminho, movido por tudo o que me acontecia, eu murmurei: “Faça isso mesmo!”

Depois disso eu senti um cutucão no ombro. Eu virei para checar. Foi quando eu conheci seu punho.

Surpreendido eu caí no chão com a mão no olho. Percebi o vexame e levantei pronto pra deixar o rosto do responsável sem forma.

Foi aí que eu me deparei com o furioso rosto da Luana.

- Foi você?

- Sim! E aí?

- Hã… Nada!… Quer dizer, como é que é isso de você vir pra cima de mim assim?

- E como é isso de você, além de jogar o papel no chão, ainda me dizer uma coisa daquelas? Qual é o seu problema?

E foi ali que eu comecei a conhecer aquela mulher um tanto estranha.

Alguns minutos de papo eu comecei a entender o lado dela. Adorei a idéia e achei que aquela atitude de fazer os outros entenderem o mal que causam fazendo o que eu fiz era o que faltava no mundo.

E não só o que eu fiz! Ela faz tudo o que pode em todos os campos: ecologia, social, tudo que ela pode fazer pela nossa cidade ela faz!

Hoje eu sou um dos adeptos desse sistema. Acho que todos deveriam ser. Imagina o quanto tudo ia ser mais fácil!

Realmente: mudar (ou tirar do coma) a cabeça das pessoas (começando pela nossa) é uma ótima solução para quase todos os nossos (e do mundo) problemas.

         A única coisa chata é que até agora eu ainda não tive que bater em ninguém…

Nota Musical?

O dia até ali estava dos melhores. Ele não tinha ganhado nada, não estava de férias e não tinha sido dispensado do trabalho. Era só que tinha acordado com o pé direito. Seu dia foi completo e igual aos outros. Com direito a meia hora de almoço, uma pilha imensa de folhas em cima da mesa, aquele amigo idiota tirando sarro de sua gravata e a recepcionista do escritório feia como sempre olhando pra ele de um jeito estranho.

Nada diferente. E ele estava contente. Não sabia por que, mas estava. Estava no ônibus voltando para casa. Ouvia música. Sorria.

Alguém pediu para que o ônibus parasse. Ele não via quem era, o ponto estava cheio. A porta da frente abriu e a de trás também. Foi quando ele a viu. Uma senhora baixa e surrada pelo tempo. Cabelos estranhamente longos, esbranquiçados e lisos. Soltos. Vestia algo que parecia um roupão azul. Uma tiara azul também. Era magra.

Ela entrou no ônibus pela porta de trás e na hora cantava. Ele não ouviu o que, mas cantava. Sentou na sua frente, ao lado de uma moça gorda que vestia vermelho.

O ônibus saiu e a senhora começou a cantoria:

“Como eu queria ser a morte!”

Ele ouviu isso e tirou os fones do ouvido. Olhava para ela.

“Mas Deus vem e me levará para o céu!”

Ele só ouvia.

“Deus é a salvação!”

E assim por diante. Ele sorria. A que vestia vermelho ao lado da velha se espremia cada vez mais no vidro, sua cabeça o mais longe que lhe era possível.

Nos bancos do lado da velha sentava uma jovem com suas sacolas. Não era magra.

Ele só olhava. A velha só cantava.

A jovem, de vinte em vinte segundos, olhava para a velha com um olhar de absoluto estranhamento.

A mulher de vermelho só se espremia. Ele só olhava. A velha só cantava.

Um garoto puxou a cordinha para que o ônibus parasse. Ao sair olhou para a velha, curioso. E a velha cantava.

Ele, a cada segundo ia gostando mais da situação. Que dia!

A velha cantava cada vez mais alto. A que vestia vermelho provavelmente não sabia que tinha a habilidade de contorção que mostrava ter naquela hora.

A jovem não sabia para onde olhar. E cada pessoa que saia do ônibus ou entrava, olhava para a velha desejando ser exatamente quem eram.

E a velha cantava desafinada. E não aparentava querer parar.

Ele observava e sorria.

Agora ele sairia do ônibus. Puxou a cordinha e não olhou para a velha. Somente sorria. A velha parou um pouco. Ele desceu e ouviu-a recomeçando a cantoria.

Para ele os dias que viriam depois daquele até o último de sua vida passaram a ter outro astral. Por mais que as coisas parecessem absurdamente rotineiras, chatas ou tristes. Ele descobriu que, independente dos outros e da música, pode sempre recomeçar cantando.

23/11/2006Cocaína

Eu estava aqui pensando o que escrever. Várias idéias, nenhuma boa. Estava pensando no filme que assisti ontem: Miami Vice (primeira vez que eu assisto a primeira seção da estréia de um filme!).
O filme é bom! Violento, sexy, bom. Já de começo chama a atenção por não mostrar créditos iniciais. Você já começa de cara na história. Essa, por sua vez, é sobre a dupla de detetives Ricardo e Sonny que se infiltram no esquema de tráfico de drogas para desmascará-lo.
No meio da trama eles citam “Colômbia”. Sim, o país que mais produz a droga chamada Cocaína.
Depois de ler uma matéria sobre a produção da droga e de assistir o filme, fiquei pensando: a produção não vai parar, pois muita gente miserável vive de plantar e produzir a pasta da coca, que é depois vendida aos traficantes.
Na cidade de Caquetá, Colômbia, onde é produzida a droga, a moeda não é uma só. Existe o Peso, moeda local, e a Coca, que também é aceita como forma de pagamento do mesmo jeito. Pagar as compras de supermercado com um saco de cocaína é absolutamente natural naquele lugar.
Depois de passarem a droga para as mãos dos traficantes acontece quase exatamente como o filme mostra. A droga é passada para o mundo inteiro sem que ninguém perceba. Os que percebem, ou ganham para não perceber, ou simplesmente são levados para ver Jesus.
Para quem se envolve seriamente no tráfico a tentação é grande: o lucro é rápido e absurdamente extenso. Muita grana em pouco tempo. Tremendamente arriscado, isso é certo, mas…
Parece até uma ótima opção de trabalho: você sustenta os que vivem da produção e ganha muito com a distribuição.
Agora, existe uma outra maneira de se envolver com a droga: sendo usuário. Aí a coisa amarga. Se você compra uma vez, logo pede a segunda, até não ter mais dinheiro e começar a roubar ou ser mais um na fila de Jesus. Ou você compra até se matar usando. Não é nada bonito.
Todas as opções levam para um caminho sem volta e sem um futuro luminoso.
Mas para que falar isso? Todo mundo sabe sobre os danos que a droga e seus derivados causam.
Realmente isso é bem divulgado, mas não custa alertar, e além do mais, é o que eu estava pensando e pesquisando ultimamente.
Acho que cada um deve fazer a sua parte para melhorar a situação. É bom entender como funciona.

23/11/2006Eco

Hoje eu recebi uma notícia que me abalou emocionalmente de tal maneira que eu fiquei tremendamente triste e sem acreditar. Não, a garota por quem eu estou apaixonado não começou a namorar meu melhor amigo. E eu também não perdi meu HD por causa de um vírus. Não, eu não vou ter que acordar cedo amanhã. Foi algo muito, muito pior.

Tudo começou assim: tomei meu banho sem preocupação e depois sentei no sofá pra assistir TV. Tava num desses jornais que passam de noite. E depois da notícia do japonês de dois metros e trinta que está no Brasil eu ouvi a chamada: “Pesquisas revelam que daqui a quarenta anos todas as espécies marinhas estarão em extinção.”

Pasmei. “Como assim todas?” eu me perguntei. E continuei assistindo.

Não, eu não estava ouvindo errado. Era essa a previsão! Motivos? Aquecimento global. É isso que pensamos de primeira. Mas não foi isso que eu ouvi. Isso afeta sim a vida submarina, mas as duas principais causas de extinção das espécies marinhas são, hoje, a poluição (= aquecimento global) e a caça predatória.

Eu vou falar sinceramente pra vocês, meu impulso inicial foi o de desistir do teatro, dos meus sonhos cinematográficos, da minha casa, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família toda, do meu computador, da TV, das idas ao cinema, da garota por quem eu estou apaixonado, do basquete, da minha cama e de toda minha atual vida e me juntar ao Greenpeace ou ao WWF e sair por aí num bote inflável alaranjado atrás de transatlânticos caçadores no meio do oceano.

Bom, talvez não o WWF ou o Greenpeace, mas algum que me dê mais liberdade pra eu poder afundar os navios de caçadores com uma bazuca.

Daí eu voltei pra realidade do meu confortável sofá. Deparei-me com minha TV de 29 e lembrei que eu estava de chinelo, sem pentear o cabelo e que a praia mais próxima da minha casa ficava a duas horas de carro daqui.

Comentei isso com meus pais durante a janta (não os meus desejos e sim a notícia). Meu pai me lembrou da situação dos EUA, que continua dando as costas pra coisas insignificantes como o tratado de Kyoto e achando que tem que dominar à força tudo que pensa em ameaçar sua supremacia enquanto adolescentes morrem nas escolas assassinados por alunos da mesma. Sem contar que o país liderado por aquela besta do Bush é o que mais polui (36,1% do total mundial).

Bom, depois dessa longa introspecção que me fez relembrar várias aulas do meu colegial tive outro impulso que me deu vontade de comprar um rifle de precisão, entrar clandestinamente nos EUA e acertar aquele presidente energúmeno. Mas ir preso depois não ia adiantar muito.

Voltei a mim e me vi comendo mamão de pé na beira da pia olhando pro canil da minha cachorra.

Pensei no que eu poderia fazer pra que no futuro essas previsões não dessem certo.

Coisas como reciclar meu lixo. Não jogar papel de bala pela janela. Não demorar no banho. Coisas básicas como essas são fundamentais. O que mais?

Comecei pensando que podia pesquisar mais sobre as conseqüências de, num futuro próximo, todas as espécies marinhas entrarem em extinção. Depois pensei em saber mais sobre o aquecimento global e como anda o tratado de Kyoto. Bom, resumindo eu queria me aprofundar no assunto.

Comecei a pesquisa e achei um artigo na Folha Online sobre crimes ambientais. Queria reproduzir o último parágrafo:

“Se você se preocupa em manter os ecossistemas mais saudáveis, você também pode ajudar os biólogos e a Justiça a desvendarem ou a prevenirem crimes ambientais. Toda vez que estiver diante de danos ao ambiente (por exemplo, desmatamentos indevidos em áreas de mananciais, construções irregulares em áreas de marinha), em áreas públicas da União, procure descrever minuciosamente o dano, se possível, documente fotograficamente o fato, a data, o autor do dano, quando conhecido, e indique testemunhas. Encaminhe uma denúncia formal ao Ministério Público exercendo, assim, a cidadania de forma responsável.” (FABIO GIORDANO; Especial para a Folha de S. Paulo - 29/01/2004 - 08h13).

Foi um começo. Vi depois um vídeo mostrando que um dos maiores lagos do Chile, o Chungara, está secando. Vítima do aquecimento global. Comecei assim minhas pesquisas sobre como anda o Protocolo de Kyoto.

Li uma entrevista com o político convertido em ambientalista convertido em estrela de cinema, Albert Gore Jr., ex-vice-presidente (democrata) dos EUA, que veio ao Brasil lançar seu livro “Uma Verdade Inconveniente” e seu filme homônimo sobre o efeito estufa.

Resolvi, mais uma vez, dar um “Ctrl-c, Ctrl-v” na primeira pergunta feita pela Folha para ele:

Folha - O mundo todo se reúne no mês que vem em Nairóbi para debater uma extensão do Protocolo de Kyoto. O senhor acha que nós ainda deveríamos perseguir um tratado global contra o efeito estufa, sendo que Kyoto se mostrou pouco eficaz e as emissões subiram muito nas últimas décadas?

Al Gore - Eu vejo de outra maneira. Acho que o Protocolo de Kyoto teve, sim, um efeito positivo, porque o problema teria piorado muito mais rapidamente sem ele. E a principal razão pela qual Kyoto não teve um efeito mais positivo foi porque os EUA não se juntaram ao tratado. Quando se juntarem, vai haver um mercado fechado para emissões de carbono, e o mercado vai operar com muito mais eficiência. Há muitos aspectos da solução para a crise climática que só podem ser atacados por um tratado global. A colaboração entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, por exemplo, só pode ser feita através de um tratado global como Kyoto. Se não houvesse um tratado, poderia haver vantagens para países que trapaceassem nas regras adotadas por todos. As negociações em Nairóbi acontecerão numa época em que os EUA ainda estão recuados. Mas eu tenho boa notícias: os EUA estão começando a mudar e em breve mudarão dramaticamente. Qualquer que seja o partido eleito em 2008, os EUA terão uma nova política. Nosso maior Estado, a Califórnia, já abraçou Kyoto. Trezentas e dezenove cidades americanas já abraçaram Kyoto. Muitos líderes conservadores e religiosos e empresários se separaram do presidente Bush nessa questão, e nós agora estamos às vésperas de uma grande mudança na política americana. O próximo tratado não será só uma extensão de Kyoto; terá medidas mais duras. E lembre-se: Kyoto só passa a valer em 2008. Então é cedo demais para dizer que ele não foi eficaz.”

Que ele esteja certo!

Oceanos

Sobre os oceanos especificamente eu pesquisei no site do Greenpeace. Dêem uma lida nesse link: http://oceans.greenpeace.org/pt/nossos_oceanos.

Aproveitem pra dar uma boa lida em outras coisas do site, que nos fornecem várias informações preciosas.

Entre inúmeras conseqüências do aquecimento global e de crimes ambientais em todos os níveis, o que se enxerga é um futuro desértico.

Porém, com toda essa pesquisa, que eu só comecei, me dei conta de que existem muitas formas de fazer desse nosso mundo, um mundo ecologicamente mais saudável.

Vamos pesquisar, procurar entender e ver o que podemos fazer. Não podemos parar por aqui, não podemos ver tudo sucumbir ao cinza. Mesmo que for pra somente discutir esse assunto com nossos amigos.

Assim como a política, a pobreza, o comércio de armas e as guerras; a ecologia é também peça fundamental do grande quebra-cabeça que é a nossa humanidade.

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