A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

ECO


3/07/2007O Sol

Provavelmente vocês já devem ter assistido aquela propagando na TV em que uma pessoa, dentro de um apartamento, vê um beija-flor voando perto da sacada e fica maravilhado; chama todos os parentes pra ver e todos admiram aquilo como se fossem crianças de rua assistindo as pessoas comendo através da vitrine de um McDonald’s.

Uma segunda propaganda desse mesmo produto mostra o interior de um escritório de um prédio. A vista da janela praticamente dá para o horizonte. De repente uma pessoa percebe o pôr do Sol e chama a atenção de todos, que se maravilham com a cena.

As propagandas, se não me engano, são de algum carro aí. E ambas acabam com uma frase mais ou menos assim: “Você precisa de mais contato com a natureza.” E continuava falando do carro.

Minha primeira reação após essas propagandas foi algo do tipo: “é verdade, né? Hoje em dia falta mesmo esse contato com a natureza…”. e tudo ficou por isso mesmo..

Foi quando, cetro dia, na minha república, um amigo meu, do nada, grita: “Ei! Venham ver isso!”

“Isso o quê?” Perguntei. “O pôr do Sol!” E aí pronto: fomos todos até a janela.

“Não é um dos mais bonitos que vocês já viram?” Continuou meu amigo, logo seguido por comentários do tipo: “Verdade!” “Bonito mesmo!” “Show…”

Era realmente bonito. Eu elogiei também. Mas não era melhor do que o pôr do sol na minha cidade;

E foi aí que eu lembrei da propaganda. “Você precisa de mais contato com a natureza.” E isso ficou na minha cabeça.

De lá até o momento em que eu resolvi escrever isso aqui, várias reflexões sobre o assunto me assombraram.

Coisas como a situação do rio Tietê até os momentos mais natureza da minha vida. Tendo como pano de fundo para tudo isso a tal frase da propaganda.

OK. Certo. Para organizar as coisas eu decidi deixar de lado as destruições ambientais que nós desencadeamos e pensar somente na raiz da questão: a natureza é (tirando o imprescindível valor biológico) realmente necessária para nós?

Sim. Essa foi a resposta. E foi aí que eu comecei a lembrar e pensar:

Nada como admirar o pôr do sol da minha cidade. Ou talvez o pôr do sol na praia. Ou quem sabe as trilhas de uma hora na serra litorânea onde uma brecha entre as árvores mostra a imensidão azul do mar.

Ou talvez a imensa os imensos campos de Mato Grosso do Sul, onde a vista se perde rodeada de tanta beleza; seguida depois de lindas grutas, lagos subterrâneos, crateras, buracos, tucanos, jacarés, araras, águas transparentes, peixes…

E ainda sentir no corpo uma queda d’água de três metros no meio de uma floresta depois de horas subindo um rio entre as pedras.

Achar uma praia com dunas depois de muito sol na cabeça.

Pedalar quilômetros por trilhas desconhecidas, achar lugares misteriosos no caminho. Ter que carregar a bike para passar por um rio. E depois de horas pedalando em baixo do sol de uma hora da tarde numa ilha beirando o mar achar uma ducha natural de graça.

Nadar num rio cercado por hectares de mata. Mergulhar nesse rio marrom para tirar galhos de uma galhada presa. Enfrentar a correnteza. Ser acompanhado por pássaros enquanto se desce o rio…

Enfim: todos precisavam disso.

Precisamos de mais pôr do Sol em nossas vidas.

23/11/2006Eco

Hoje eu recebi uma notícia que me abalou emocionalmente de tal maneira que eu fiquei tremendamente triste e sem acreditar. Não, a garota por quem eu estou apaixonado não começou a namorar meu melhor amigo. E eu também não perdi meu HD por causa de um vírus. Não, eu não vou ter que acordar cedo amanhã. Foi algo muito, muito pior.

Tudo começou assim: tomei meu banho sem preocupação e depois sentei no sofá pra assistir TV. Tava num desses jornais que passam de noite. E depois da notícia do japonês de dois metros e trinta que está no Brasil eu ouvi a chamada: “Pesquisas revelam que daqui a quarenta anos todas as espécies marinhas estarão em extinção.”

Pasmei. “Como assim todas?” eu me perguntei. E continuei assistindo.

Não, eu não estava ouvindo errado. Era essa a previsão! Motivos? Aquecimento global. É isso que pensamos de primeira. Mas não foi isso que eu ouvi. Isso afeta sim a vida submarina, mas as duas principais causas de extinção das espécies marinhas são, hoje, a poluição (= aquecimento global) e a caça predatória.

Eu vou falar sinceramente pra vocês, meu impulso inicial foi o de desistir do teatro, dos meus sonhos cinematográficos, da minha casa, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família toda, do meu computador, da TV, das idas ao cinema, da garota por quem eu estou apaixonado, do basquete, da minha cama e de toda minha atual vida e me juntar ao Greenpeace ou ao WWF e sair por aí num bote inflável alaranjado atrás de transatlânticos caçadores no meio do oceano.

Bom, talvez não o WWF ou o Greenpeace, mas algum que me dê mais liberdade pra eu poder afundar os navios de caçadores com uma bazuca.

Daí eu voltei pra realidade do meu confortável sofá. Deparei-me com minha TV de 29 e lembrei que eu estava de chinelo, sem pentear o cabelo e que a praia mais próxima da minha casa ficava a duas horas de carro daqui.

Comentei isso com meus pais durante a janta (não os meus desejos e sim a notícia). Meu pai me lembrou da situação dos EUA, que continua dando as costas pra coisas insignificantes como o tratado de Kyoto e achando que tem que dominar à força tudo que pensa em ameaçar sua supremacia enquanto adolescentes morrem nas escolas assassinados por alunos da mesma. Sem contar que o país liderado por aquela besta do Bush é o que mais polui (36,1% do total mundial).

Bom, depois dessa longa introspecção que me fez relembrar várias aulas do meu colegial tive outro impulso que me deu vontade de comprar um rifle de precisão, entrar clandestinamente nos EUA e acertar aquele presidente energúmeno. Mas ir preso depois não ia adiantar muito.

Voltei a mim e me vi comendo mamão de pé na beira da pia olhando pro canil da minha cachorra.

Pensei no que eu poderia fazer pra que no futuro essas previsões não dessem certo.

Coisas como reciclar meu lixo. Não jogar papel de bala pela janela. Não demorar no banho. Coisas básicas como essas são fundamentais. O que mais?

Comecei pensando que podia pesquisar mais sobre as conseqüências de, num futuro próximo, todas as espécies marinhas entrarem em extinção. Depois pensei em saber mais sobre o aquecimento global e como anda o tratado de Kyoto. Bom, resumindo eu queria me aprofundar no assunto.

Comecei a pesquisa e achei um artigo na Folha Online sobre crimes ambientais. Queria reproduzir o último parágrafo:

“Se você se preocupa em manter os ecossistemas mais saudáveis, você também pode ajudar os biólogos e a Justiça a desvendarem ou a prevenirem crimes ambientais. Toda vez que estiver diante de danos ao ambiente (por exemplo, desmatamentos indevidos em áreas de mananciais, construções irregulares em áreas de marinha), em áreas públicas da União, procure descrever minuciosamente o dano, se possível, documente fotograficamente o fato, a data, o autor do dano, quando conhecido, e indique testemunhas. Encaminhe uma denúncia formal ao Ministério Público exercendo, assim, a cidadania de forma responsável.” (FABIO GIORDANO; Especial para a Folha de S. Paulo - 29/01/2004 - 08h13).

Foi um começo. Vi depois um vídeo mostrando que um dos maiores lagos do Chile, o Chungara, está secando. Vítima do aquecimento global. Comecei assim minhas pesquisas sobre como anda o Protocolo de Kyoto.

Li uma entrevista com o político convertido em ambientalista convertido em estrela de cinema, Albert Gore Jr., ex-vice-presidente (democrata) dos EUA, que veio ao Brasil lançar seu livro “Uma Verdade Inconveniente” e seu filme homônimo sobre o efeito estufa.

Resolvi, mais uma vez, dar um “Ctrl-c, Ctrl-v” na primeira pergunta feita pela Folha para ele:

Folha - O mundo todo se reúne no mês que vem em Nairóbi para debater uma extensão do Protocolo de Kyoto. O senhor acha que nós ainda deveríamos perseguir um tratado global contra o efeito estufa, sendo que Kyoto se mostrou pouco eficaz e as emissões subiram muito nas últimas décadas?

Al Gore - Eu vejo de outra maneira. Acho que o Protocolo de Kyoto teve, sim, um efeito positivo, porque o problema teria piorado muito mais rapidamente sem ele. E a principal razão pela qual Kyoto não teve um efeito mais positivo foi porque os EUA não se juntaram ao tratado. Quando se juntarem, vai haver um mercado fechado para emissões de carbono, e o mercado vai operar com muito mais eficiência. Há muitos aspectos da solução para a crise climática que só podem ser atacados por um tratado global. A colaboração entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, por exemplo, só pode ser feita através de um tratado global como Kyoto. Se não houvesse um tratado, poderia haver vantagens para países que trapaceassem nas regras adotadas por todos. As negociações em Nairóbi acontecerão numa época em que os EUA ainda estão recuados. Mas eu tenho boa notícias: os EUA estão começando a mudar e em breve mudarão dramaticamente. Qualquer que seja o partido eleito em 2008, os EUA terão uma nova política. Nosso maior Estado, a Califórnia, já abraçou Kyoto. Trezentas e dezenove cidades americanas já abraçaram Kyoto. Muitos líderes conservadores e religiosos e empresários se separaram do presidente Bush nessa questão, e nós agora estamos às vésperas de uma grande mudança na política americana. O próximo tratado não será só uma extensão de Kyoto; terá medidas mais duras. E lembre-se: Kyoto só passa a valer em 2008. Então é cedo demais para dizer que ele não foi eficaz.”

Que ele esteja certo!

Oceanos

Sobre os oceanos especificamente eu pesquisei no site do Greenpeace. Dêem uma lida nesse link: http://oceans.greenpeace.org/pt/nossos_oceanos.

Aproveitem pra dar uma boa lida em outras coisas do site, que nos fornecem várias informações preciosas.

Entre inúmeras conseqüências do aquecimento global e de crimes ambientais em todos os níveis, o que se enxerga é um futuro desértico.

Porém, com toda essa pesquisa, que eu só comecei, me dei conta de que existem muitas formas de fazer desse nosso mundo, um mundo ecologicamente mais saudável.

Vamos pesquisar, procurar entender e ver o que podemos fazer. Não podemos parar por aqui, não podemos ver tudo sucumbir ao cinza. Mesmo que for pra somente discutir esse assunto com nossos amigos.

Assim como a política, a pobreza, o comércio de armas e as guerras; a ecologia é também peça fundamental do grande quebra-cabeça que é a nossa humanidade.


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