A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Entretenimento


Continuando exatamente do ponto em que paramos:

luis diz:

agora eu e minha alma (assim que ela voltar de Smaerd) vamos estar indo para o que todos neste planeta inútil chamamos de cama… sendo que poderíamos estar chamando de Resplandecente Maca Extremamente Confortável Que Nos Conduz Pelos Mais Belos Campos Da (in)Consciência…

 

*Eu queria dormir… Esse negócio de dar outro nome extremamente complicado porém extremamente mais expressivo é uma homenagem ao pequeno grande Calvin e seu tigre Haroldo que, em uma de suas tirinhas, expressou sua inconformidade quanto à falta de imaginação do homem ao nomear objetos.*


luis diz:

PS: ninguém é compreendido…. mas alguns podem estar sendo

luis diz:

e o mundo é uma definição inconstante

*Hummm…*

Natália diz:

SMEARD anagrama para MERDA?

Natália diz:

ops

Natália diz:

MERDAS?

luis diz:

naum ó mente ignóbil…. anagrama de DREAMS

luis diz:

tsc… tsc

luis diz:

mas também pode ser

luis diz:

anagramas são ilusórios

luis diz:

ocupações inúteis da nossa mente quando colocada em prova

Natália diz:

desculpe pelo meu ufanismo! apenas procuro manter o que resta de português em mim, procurando não me desconectar daquela que é a minha possibilidade de expressão no mundo, minha linguagem, através da qual existo,

 

*E viva a língua portuguesa! E viva o patriotismo!*

luis diz:

tsc… tsc… ainda presa às grandes ilusões daquilo que chamamos de vida…..

 

*Essa tal de vida ilude mesmo a gente.*


Natália diz:

como te expressas?

Natália diz:

então?

Natália diz:

como te faz entender?

Natália diz:

agradeça a linguagem!

Natália diz:

a ela devemos muito!

 

*Sem dúvida!*


luis diz:

o universo inteiro aí…. as minas de Gim de Graam aqui pertinho da nossa galáxia e vc preocupada com o português

 

*Se fosse possível eu não estaria na Terra hoje.*


Natália diz:

ó Mãe linguagem, teus súditos te saúdam

luis diz:

temos filmes em CGI e você ainda recorre a Caligari

 

*Primeira referência claramente cinematográfica. Filmes em CGI são filmes em computação gráfica (Shrek, Ratatouille). Depois eu cito Caligari, personagem do filme “O Gabinete do Dr. Caligari”, de 1919, uma das primeiras obras do Expressionismo Alemão.*


Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

 

*“Chaves, Chaves, Chaves! Uma historinha bem gostosa de se ver! ‘Isso! Isso! Isso!’”*


luis diz:

Buñuel é mestre, mas já estamos na época do pós dramático…

 

*Mais cinema: Luis Buñuel (1900-1983, Mexicano) é considerado um dos cineastas mais controversos do mundo, trabalhou com Salvador Dalí, sendo bastante influenciado pelo surrealismo. Seu primeiro filme “Um Cão Andaluz” de 1928, tem uma das cenas mais famosas da história do cinema. Já o pós-dramático é um novo modo de conceber o teatro hoje. Ainda sendo estudado e ainda pouco compreendido por mim.*


Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

o verso é repetido 57 vezes com sua licença!

 

*Não sei porque 57… Ainda não perguntei pra ela!*


Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

luis diz:

Kurosawa já foi refilmado 3 vezes nos EUA como western

 

*Akira Kurosawa (1910-1998, Japonês). Um dos grandes mestres de toda a história do cinema. Seu filme “Os Sete Samurais” teve uma refilmagem norte-americana ambientada no faroeste chamada “Sete Homens e Um Destino”. O filme “Yojimbo - O Guarda-Costas” inspirou o clássico “Por Um Punhado de Dólares”. Já o terceiro eu não lembro…*


Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

Natália diz:

e volta o Cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, seu osso roído e o rabo entre as patas…

luis diz:

o cão arrependido, enquanto voltava, se me lembro bem, foi atropelado por uma carroça descontrolada.

luis diz:

seu condutor carregava maconha… Ele não fazia o 4 com as pernas

luis diz:

triste história…. nem os Grimm acreditaram

 

*Alguém aí desconhece os Irmãos Grimm? Acho que não, né?*


Natália diz:

Alo?

Natália diz:

alo?

Natália diz:

ALO?

luis diz:

nada que Tchekhov não fosse resolver depois, lógico…

 

*Anton Pavlovitch Tchékhov, importante escritor e dramaturgo russo. Autor de obras importantes para a história e evolução do teatro como “A Gaivota”. Ele ajudou a romper com as barreiras do Naturalismo no teatro.*


Natália diz:

NÃO ESTOU ESCUTANDO, FALE MAIS ALTO POR FAVOR!

Natália diz:

ALO?!

luis diz:

mas é que samurais só existem em lendas

luis diz:

e nos filmes do Tarantino, claro.

 

*Quentin Tarantino todo mundo conhece, certo? É aquele que fez “Kill Bill”, “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction”…*


luis diz:

bom, a Resplandecente Maca Extremamente Confortável Que Nos Conduz Pelos Mais Belos Campos Da (in)Consciência me chama

Natália diz:

oralc ,onitnarat od semlif son e?

 

*Sono, sono, sono…*


luis diz:

estou pensando seriamente em abandonar minha alma e responder aos meus instintos primitivos… se é que eles o são

*Instintos primitivos = dormir*


Natália diz:

não existem instintos primitivos!

Natália diz:

tudo é condicionamento!

 

*Se for pra parar pra pensar… Até que o sono também é, né?*


luis diz:

minha última frase deu a entender isso… pelo menos para os espertos

luis diz:

para os não espertos a frase era ilegível…

luis diz:

e assim sairei pelado pelas ruas a procura do coelho atrasado

 

*Os que prestaram atenção entenderam essa: “para os espertos a frase era ilegível… Sairei pelado pelas ruas…”, ou seja, uma referência ao conto de fadas “A Roupa Nova do Rei”. Rei esse que sai pelado nas ruas exibindo a suposta roupa que só os inteligentes podiam ver, mas que, na verdade, não existia. E o coelho atrasado é fácil: “Alice no País das Maravilhas”.*


luis diz:

quem sabe eu não acho e consigo um jogo de poker com as cartas gigantes?

 

*Ainda “Alice”.*


Natália diz:

?levìgeli è euq o

*Exercitar a escrita ao contrário faz bem ao cérebro.*

Vocês estão lembrados daquela minha conversa que eu tive com minha amiga pelo MSN que eu publiquei aqui com o título “Nas Galáxias”?

Estão lembrados também que eu prometi outro post explicando cada detalhe das várias referências que usamos?

Pois bem! Eu agora vou postar a conversa com meus comentários explicativos para que todos possam absorver tudo da rica (e absurdamente improvável) conversa!

Como ela é longa eu dividi em mais posts e publicarei aos poucos durante a semana.

Meus comentários estão em itálico e entre asteriscos (*), assim as coisas ficam um pouco mais organizadas.

Divirtam-se!

luis diz:

almoçando??

*O nick dela dizia “almoçando” e eram mais de 11:30 da noite…*

Natália diz:

hauahua

Natália diz:

tá atrasado vc ein!

luis diz:

atrasado?

luis diz:

così è la vita?

luis diz:

Natália?

luis diz:

hauhua?

luis diz:

nnnnnnnnnnaaaaaaaaaaaaatttttttttttttttttttiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Natália diz:

do que vc tá falando?

luis diz:

d vc ué

luis diz:

asijdaisdn osdfnasonfd aon foaisdnf oaisdfasoidnf saidn fsadp

*Eu realmente estava com sono…*

Natália diz:

c tah bem?

Natália diz:

hauahuhau

Natália diz:

mas é um mane

 

*Ela realmente estava com sono…*

 

luis diz:

eu?

luis diz:

mané?

Natália diz:

claro!

Natália diz:

aonde vc tah lendo estas coisas?

luis diz:

coisas?

luis diz:

nati?

luis diz:

naaatiiiii?????!!!!!!!!!!!???????????!!!!!!!!!!!!!!

luis diz:

ow, preciso te flar uma coisa!!!!!!!!!!

Natália diz:

fala!

luis diz:

fala?

Natália diz:

LUUUUUUUUU

Natália diz:

tô ficando brava

 

*Tava mesmo.*

 

luis diz:

brava?

luis diz:

nati?

Natália diz:

luis?

luis diz:

luis?

luis diz:

nati???????????????

luis diz:

ow

luis diz:

sério agora

luis diz:

c tah aí?

Natália diz:

claro

luis diz:

claro?

luis diz:

nati?

luis diz:

nati???????

luis diz:

nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaatttttttttttttttttttttttttttiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Natália diz:

VAI SE FEEEEEEEERRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRR

luis diz:

tô muito cansado pra isso

*E tava mesmo.*

luis diz:

hehehe

luis diz:

e aí, comé que anda a vida, o universo e tudo o mais?

*OK, primeira referência! “A Vida, o Universo e Tudo o Mais” é o nome do terceiro livro da série “Mochileiro das Galáxias” de Douglas Adams e também é a essência da Pergunta Fundamental.*

[tempo]

luis diz:

eu tô te fazendo 1 pergunta aqui de boa e vc naum responde??

luis diz:

nati?

Natália diz:

VAI SE FEEEEEEEERRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRR

 

*Nesse momento ela se tocou que eu não ia desistir e resolveu entrar no jogo!*

 

Natália diz:

bom, o universo anda bem, o problema é que eu perdi o eclipse solar na semana retrasada e agora só vou conseguir velo daqui 17 anos

Natália diz:

mas o problema maior se encontra em eu não ter certeza se no próximo eclipse eu já vou estar morando em um dos anéis de saturno ou ainda não

*Pra vocês verem que é durante a noite que a imaginação cria asas! E eu acho que não teve eclipse solar naquela época…*

luis diz:

bom, antes de mais nada o nosso espaço para as propagandas:

embaralhando

entre e se surpreenda!!!!

fim do espaço de propagandas [para mais informações sobre como divulgar aqui ligue 4776-9793]

*Essa eu achei particularmente uma ótima tirada! Hehehe! Alguém aí tentou ligar pra esse número pra ver se existe?*

luis diz:

sei, mas saturno naum tem a paisagem que tem plutão

*Começou…*

Natália diz:

aí se tudo der certo eu vou estar lá, e desse jeito, não vou poder ver esse próximo eclipse, então estou fadada a vagar pelo universo sem poder apreciar a bela sombra da lua refletida num balde de água do meu jardim em pleno dia

*Muuuuito boa! Hahaha!*

Natália diz:

veja que sina a minha oh

Natália diz:

!

luis diz:

interessante….. nada disso aconteceria se você fizesse como eu e virasse mochileiro das galáxias podendo visitar o universo inteiro com menos de dois dólares venuzianos

*Mais uma referência ao grande Guia do Mochileiro das Galáxias! E sobre visitar o Universo, leia o livro e entenda melhor!*

luis diz:

mas o mercado tá saturado e então comprar loção capilar pra pelos do pé fica difícil…

luis diz:

e todo mundo sabe que não se entra na galáxia zeta sem a loção

*Como valia tudo…*

Natália diz:

mas sabe que plutão já não é o mesmo, agora com a onda do aquecimento extraterráquio, lá já começou a ficar quente, então nada como um bom anel para manter o vento circulando

luis diz:

ilusão, eles vendem muito bem essa imagem de anéis-ventiladores, mas é tudo mentira!

*E o aquecimento já deixou de ser global… A publicidade adora vender mentiras.*

Natália diz:

é, eu gosto de criar raízes nos lugares, por isso não consegui me fixar em Júpiter, todo aquele gás, não tinha uma estrutura sólida

luis diz:

essa é a viagem de júpiter

luis diz:

ficar lá, locão e vivendo de gás

*Os Jupterianos ainda não sabem se todo aquele gás é prejudicial ao feto… Hehehe!*

Natália diz:

o universo definitivamente não é um bom lugar, estou pensando agora em me mudar do espaço, acho q vou para o tempo

*De onde surgiu isso!?*

luis diz:

o tempo não existe, outra obra da publicidade

Natália diz:

mas e agora, KD EU?

*“KD EU” foi o nome de uma peça de conclusão de curso dos atores da Escola de Arte Dramática da USP, uma peça Clown.*

luis diz:

bom, nesse momento eu naum sei kd vc, mas eu sei que amanhã a hora do almoço pode não chegar!

Natália diz:

pra onde posso ir, já me cansei deste capitalismo que me consome e me guia, quero me libertar das minhas amarras

*Alguém aí se julga livre das garras do capitalismo?*

luis diz:

minha namorada tem uns saquinhos milagrosos na mala dela

*Na época em que a conversa aconteceu eu não estava namorando (e, ainda, não estou) mas eu disse isso porque na tal peça “KD EU” havia uma Clown muuuito simpática e eu me apaixonei por ela. Na peça ela tinha uns saquinhos que resolviam qualquer problema e até fazia você viajar para onde quisesse!*

luis diz:

mas ela agora não está disponível

luis diz:

nem os saquinhos dela

Natália diz:

ah! certo, quando der peça um deles a ela

luis diz:

mas eu posso estar falando com ela e posso estar te dando uma resposta assim que ela estiver me dado um parecer sobre o que pode estar acontecendo com os saquinhos

luis diz:

meu tio gerúndio está aqui do lado e diz que pode estar mandando um abraço pra você

luis diz:

diz que marte pode estar sendo uma boa opção para fazer novos amigos

Natália diz:

AHHHHHHHHH, TELEMARKETING, pensei que esta fase da minha vida de operária já tinha sido superada, agora me encontro aqui com gerundismos em frases sem sentido para você!

luis diz:

eu posso não estar entendendo

luis diz:

você pode estar colocando o pé no chão (seja lá que chão você estiver) e pode estar digitando (se é realmente isso que você e sua alma estiverem fazendo) de um modo menos incompreensível

*Momento irritante da conversa! Mas essa foi mais uma ótima tirada!*

Natália diz:

compreensão sempre volta esta palavra a ressoar em minha alma, após todas as experiências vividas eis o que surge…

Natália diz:

sou compreendido? não sou compreendido?

Natália diz:

qual a necessidade da compreensão?

Natália diz:

que mundo dicotômico é este?

 

*Realmente…*

 CONTINUA EM UM PRÓXIMO POST!

26/09/2007Nas galáxias

Um dia desses, se eu não me engano uma sexta-feira, eu mexia na internet com entusiasmo até que percebi que já passava das onze e meia da noite. Foi quando, lá pra meia noite, entra na internet a Natália, minha amiga. Resolvi testar a paciência dela no MSN e, surpreendentemente, a conversa arrebentou com o esperado e superou as expectativas tornando-se a melhor conversa online que eu já tive!

Bem… A melhor talvez não, mas com certeza eu nunca vi uma conversa mais estranha e ao mesmo tempo mais cheia de referências.

A conversa que vocês vão ler abaixo ocorreu então entre meia noite e quinze para uma da manhã. Ela está praticamente intacta, como vocês irão perceber pela falta de pontuação e de maiúsculas. Eu somente corrigi os erros de digitação e simplifiquei os termos de intenet menos comuns. Algumas partes repetidas também foram tiradas. Tudo para uma maior compreensão. De resto a conversa aconteceu exatamente como está reproduzida aqui.

O desafio que eu proponho é de que você, querido leitor, depois que se deliciar com o papo, descubra onde estão as referências, que vão de cinema à literatura passando por música e inúmeras outras. Depois de um tempo que o texto estiver publicado eu farei um post explicativo apontando cada uma delas. Mas primeiro queria que você tentasse entender cada passagem!

O que estiver entre colchetes [ ] são comentários meus adicionados agora. A conversa é longa, mas é rápida e, para alguns, divertida!

Como ela é um tanto longa, é só clicar no “more” e ler!

(more…)

Imaginem que estava eu em um dia como outro qualquer, ou quase. Acordei, tomei café, peguei minhas coisas, fui pra aula. Último dia de aula. Saí da aula e bateu aquela vontade de fazer alguma coisa de diferente, afinal eu teria a tarde inteira sem fazer nada.

Resolvi ir ao cinema! Depois do cinema eu encontrei uma amiga minha e a gente saiu pra beber um pouco. Já eram quase oito horas e estávamos saindo do bar quando meu celular toca. Era outra amiga. Eu atendo e ela começa a falar: “Luis! Eu ganhei dois convites para uma apresentação no Citibank Hall e preciso de alguém pra ir comigo! Vamos?”

“Como assim? Que apresentação?” perguntei.

“Então… Eu não sei direito… Eu nunca ouvi falar… Mas eu ganhei os convites! Vamo lá? Seguinte, eu tenho que pegar os convites até oito horas, então eu tô indo pra lá agora e a apresentação começa às nove e meia, a gente combina nove horas lá?”

“Pode ser…” respondi. “Pode ser, sim.”

“Certo!” ela disse. “Nove horas a gente se vê!”

E desligou.

Eram oito e dez. Eu tinha cinqüenta minutos pra ir pra casa, tomar um banho, me arrumar, descobrir quantos e quais ônibus pegar até o Citibank e, afinal, ir até lá!

Indo pra casa quase correndo começou a fazer que ia chover.

Me arrumei e saí de casa as oito e meia. Fiz minhas deduções e resolvi onde pegar o ônibus. Indo até o ponto começou a garoar. Pronto, já estava me vendo todo ensopado e não chegando à tempo. Mas continuei mesmo assim.

Dei sorte. Cheguei no ponto e o ônibus chegou junto. Vi na placa o nome da Av. Ibirapuera. Era a avenida onde fica o Citibank. Ou quase. Um quarteirão longe dela. Perguntei pro motorista até que altura dela ele ia.

“Anda ela toda.”

“Ótimo! É esse.” pensei.

Faltavam vinte minutos pras nove e eu ainda estava pensando que o trânsito não ia ajudar e eu não ia chegar. Mas até que deu! Nove e dez eu cheguei no ponto da Ibirapuera que precisava. Desci e não estava chovendo! Cheguei no Citibank Hall as nove e quinze. Minha amiga já estava lá com os ingressos na mão. Entramos e começamos a pensar: onde estamos?

Eu vi o nome da apresentação na parede: Slava’s Snowshow.

“O que é isso? Teatro? Música?” perguntei.

“Sei lá!” respondeu minha amiga.

Entramos e sentamos curiosos pelo que viria.

O palco estava bonito. Parecia simples, mas era bonito. A apresentação começou e o palco foi tomado por uma nuvem de gelo seco e uma luz toda especial. Até ali tudo ótimo.

De repente entra no palco um palhaço com uma corda na mão. Não um desses palhaços de circo. Ele vestia uma roupa única amarela, tinha o cabelo grande todo para o lado e maquiagem de palhaço só um pouco diferente. O sapato era como uma pantufa vermelha grande.

Ele entrou todo triste e foi devagar até o meio do palco. Parou. Virou para o público e mostrou a corda. Ela tinha um nó de forca. Ele colocou a corda no pescoço e começou a puxar o outro lado até achar a outra ponta.

“Meu Deus! O que é isso?” pensei.

E ele puxava a corda quando de repente havia mais corda. Ele puxava e continuava vindo corda, e mais corda e nunca que chegava a outra ponta! Comecei a achar graça. E ele continuava puxando e parava, olhava para o público sem entender nada e continuava puxando, rápido, devagar, e a outra ponta não chegava nunca!

À essa altura eu já tinha gostado do negócio.

De repente a corda esticou e prendeu em alguma coisa dentro da coxia. O palhaço estranhou, parou, olhou para o público, para a outra ponta, sem saber o que havia prendido nela. Começou a puxar devagarinho até que aparece um outro palhaço com a outra ponta da corda enrolada no pescoço! hehehe!

Adorei! Aí eles desistem disso e saem de cena.

Daí por diante segue no palco um espetáculo só com palhaços (clowns, como se diz no meio do teatro, que é algo um tanto mais profundo que qualquer palhaço). Era esse palhaço amarelo o único diferente. Os outros eram todos verdes e tinham chapéus longos e pés longos. Ótimos.

Com efeitos especiais perfeitos, músicas ótimas (todas com um clima meio sonho) e luzes que davam o tom.

Os atores eram simplesmente fantásticos. Com movimentos lentos e às vezes somente parados no palco faziam todos darem risada! Simples trocas de olhares entre eles eram suficientes para ganhar o público por vários minutos a fio.

Eles faziam passar pelo palco bolas de neve, bolas gigantes transparentes com alguém dentro, casinhas pequenas com chaminés ligadas…

Cobriam o público com teia de aranha, jogavam bolas imensas (mesmo, não caberiam em uma sala qualquer) no meio do público, passavam no meio, pegavam pessoas e levavam para o palco. Faziam chover no palco, faziam nevar no palco e no público, faziam tempestades de neve com direito a muito barulho, muito vento e muita “neve”.

Havia momentos em que uma só luz pequena iluminava o palco e só um palhaço (o de amarelo) ficava em cena representando alguma coisa (a melhor dele está no vídeo desse post, logo abaixo, onde ele contracena com um ‘cabide’).

Acabou o espetáculo e eu não acreditava. Como assim isso foi tão bom? O que foi isso?

Saí de lá pensando em tudo, nem tinha muito que falar…

Cheguei em casa no outro dia e fui logo pesquisar o tal do espetáculo.

Quase nem acreditei quando vi que esse tal de Slava é só considerado o melhor clown do mundo!!! O cara é russo e manda muito, muito mesmo!!! Eu li até que é ele quem as apresentações de palhaço do Cirque du Soleil! Tava explicado! Não podia ser outra coisa! O tal palhaço de amarelo era ele! Não acreditei quando me dei conta que assisti à um espetáculo dele DE GRAÇA!!!

O espetáculo era algo que te tirava desse mundo. Realmente você viaja pelas entranhas da imaginação e das sensações de um modo que só ele conseguiu até agora. Uma poesia, uma sensibilidade, uma perfeição, uma magnitude. E isso sem nem precisar falar! Era o tempo inteiro mudo!

Mas quem disse que ele não falava…

Um trabalho corporal perfeito. As duas horas passam como dois minutos. E eu saí querendo mais! Mais! Mais!

Aquilo valeu o dia! Valeu tudo!

Super empolgado eu contei tudo pra minha família. Minha tia, ouvindo tanto e vendo o brilho que o espetáculo do tal do Slava colocou no meu rosto, falou:

“A arte encanta.”

Aproveite para conhecer mais clicando nos links do texto!

PS.: um comentário sobre: ‘SLAVA’S SNOWSHOW is to clowning what Cirque du Soleil is to the circus…’ Variety

Cá estou eu novamente! Depois de um longo tempo sem posts, como sempre!

Mas tudo bem! Algumas coisas aconteceram: eu me “mudei”, faltam poucos dias para o meu aniversário, o time da And 1 brasileiro tá se apresentando no Playcenter, eu ganhei de um straight com uma full house e meu amigo quase não acreditou e por último e mais legal: tá passando uns jogos dos playoffs da NBA na TV aberta!!!

E é sobre isso que eu queria falar agora, para os desentendidos de basquete (a maioria dos brasileiros) eu explicarei o que diabos é o playoff: Playoffs são os jogos finais da NBA!

Lá eles dividem os jogos em western e eastern conference (precisa traduzir?), há então uma seletiva entre as duas conferências para eleger os melhores times para os playoffs, ou seja, o campeonato final em que os times das duas conferências vão se enfrentando separadamente até a final, que é disputada por um time de cada lado.

A tabela de jogos se divide em duas grades de 4-2-1 jogos, ou seja, quartas de final, semi-final e final, uma grade para cada conferência, e depois os campeões se enfrentam numa grande final.

Os times se enfrentam sete vezes, quem ganha passa.

É mais ou menos isso. Mas para nós, simples brasileiros que só tem antena parabólica, assistir aos jogos era sonho distante (pra não dizer praticamente impossível), pois, cá entre nós, basquete no Brasil praticamente não existe. Se pelo menos nossa seleção masculina tivesse ido bem no mundial…

De qualquer forma, a última vez que eu vi basquete na TV foi o mundial feminino, e só porque foi aqui no Brasil e nossas meninas estavam bem.

Foi aí que eu liguei naquele canal TV Esporte Interativo e tava passando Jazz contra Rockets. Parei. A primeira coisa que passou na minha cabeça: “ah, deve ser algum jornal passando algum lance bom deles.”

Mas o jogo não parava! Aí veio o segundo pensamento: “Bom, nem deve ser coisa nova… deve ser reprise de jogo antigo…” Foi aí que eu vi o “ao vivo” no cantinho da tela.

Pensei então: “Uau! Legal! Mas deve ser algum jogo de baixa escala…” Foi aí que eu li na tela “Playoffs 2007”.

Pronto! Pulei de alegria! Eu nem acreditava! Os Playoffs na TV aberta! Assisti ao jogo até o fim e peguei o horário do próximo. Nunca deu tanto gosto acompanhar os playoffs!

Tá certo que não são transmitidos todos os jogos, mas já é alguma coisa!

Outra coisa que vem muito em relevo quando se assiste à um jogo dos playoffs da NBA: é tudo festa! Os ginásios são, logicamente, especiais para basquete; melhor: são especiais para cada time de basquete, coisa que eu nunca vi aqui no Brasil. Nunca vi ginásio só pra basquete, o que a gente vê sempre são quadras poli esportivas. Mas tudo bem… Voltando, os ginásios lotados até o último lugar, enfeitados em todos os cantos, com telões para os quatro lados suspensos no meio da quadra e essas coisas.

A torcida vibra a cada lance, acompanha sempre, joga com o time. No meio do jogo músicas são reproduzidas na quadra e o povo canta junto. Praticamente o mesmo que fazemos nos jogos de futebol.

Mas como os jogos são em quadras cobertas, os intervalos (que são vários em um jogo de basquete) são todos entremeados por shows, apresentações e as famosas e bem sucedidas coreografias das (lindas) cheerleaders (tem até campeonato de dança delas)! Sem contar as outras inúmeras coisas!

Ou seja: é festa!

Aí é nessas horas que eu penso: por que diabos que o basquete não nasceu no Brasil?

Mas tudo bem…

É mais ou menos isso… Pra quem quiser entender melhor tudo isso, clique nos links espalhados por esse texto!

E outra coisa: assista basquete! Ajude o esporte crescer no país! Por que só futebol e vôlei? E o melhor: JOGUE basquete!

 

O frenético movimento de ponteiros

O imperceptível ritmo ditado

O contato com o que apóia

O cruzar com energia alheia

O espírito quando se acorda

 

 

Mas no final quem dá a última palavra

Quem realmente impõe o compasso

É aquele que pulsa e nos faz pulsar

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