A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

Historietas


LV

Ele entrou na loja sem intenções verdadeiras de comprar alguma coisa. Era uma loja nova de roupas e, por ele, só entraria para perguntar sobre alguma camiseta e depois sairia. Tinha que comprar, mas não queria.

Pisou na loja e, no mesmo instante, uma das jovens atendentes veio em sua direção e perguntou o que gostaria. Não só: a moça se dispôs a guardar as sacolas que ele segurava para que não ficasse desconfortável e ainda perguntou seu nome.

Evan. E então a disposta atendente começou a fazer seu trabalho mostrando tudo que tinha de bom na loja e tudo o que ela achava que ficaria bem no Evan.

- Evan! Olha essa camisa aqui! Percebe o recorte? Viu como a costura é mais alta? Vai ficar ótima em você!

E o Evan foi experimentando uma, outra e, de repente, percebeu que, além de bonita, a atendente estava começando a gostar dele! E pensou consigo mesmo se não estava disposto a gostar dela, pois, além de bonita, era muito simpática!

Ficou pensando nisso e continuou experimentando tudo que ela trazia. E cada vez mais ela se mostrava mais íntima, mais próxima. Chegava até a exigir que, depois de vestido, mostrasse para ela como havia ficado. E os elogios eram vários: “Nossa! Essa realmente ficou bonita em você!” “Você realmente fica bem nessa cor!”.

E assim as coisas foram indo, eles foram conversando e se animando com as escolhas. Ele foi gostando dela e também de alguns agasalhos e camisas que experimentava. E foi reservando.

Ela subia no estoque pra achar alguma outra coisa que julgava bonita para ele. Descia animadíssima e o clima de intimidade chegou num ponto em que Evan pensou seriamente em chamá-la para sair, afinal estava ficando seriamente apaixonado e ela demonstrava, sem dúvidas, que a paixão era recíproca. Mas pensou melhor e decidiu que compraria algumas coisas e que voltaria depois, quem sabe outro dia.

Evan fez o pagamento e ela colocou tudo na sacola. E sempre os dois conversando como se fossem eternos amigos querendo alguma coisa a mais.

Ela devolveu suas sacolas e o acompanhou até a porta ajudando a carregá-las. Despediram-se alegremente.

Ele foi embora com o coração a mil, pensando em como ela o conquistara em tão pouco tempo. Ela o olhava indo embora pensando que, dessa vez, tinha faturado um bom dinheiro!

Semana passada eu resolvi entrar no MSN. Realmente nada de mais principalmente pelo fato de que pelo menos a cada dois dias eu entro uma vez. E lá estava eu falando com quem eu queria (e também com quem eu não queria) e pensando em tudo que eu tenho pela frente quando entra um tal de “Nando”.

Pra falar a verdade não era “um tal” porque eu sabia de quem se tratava. Mas sabe aquele contato que você tem na sua lista só pra fazer número de tanto tempo que você não fala um “oi” pra ele? Pois bem. O tal do Nando era um desses.

Quem acompanha o Embaralhando desde os seus primórdios deve lembrar dele. É o Fernando! Estão lembrados? O da casca de banana?

Era ele entrando. Mas isso não é difícil de acontecer não. Quase sempre eu esbarro com ele no MSN. Mas ele, aos poucos, virou um desses contatos que você simplesmente acaba não conversando mais.

E semana passada eu não tinha a mínima intenção de falar com ele. Nada de mais. E minha conversa (com a pessoa que eu queria conversar) estava boa.

Qual não foi a minha surpresa quando, logo depois da telinha avisando que ele tinha entrado, outra telinha apareceu avisando que ele havia digitado um “oi” pra mim.

“Certo” pensei, “eu respondo o oi com um eficiente ‘nossa! qt tmp! cm vc tah?’ e pronto, termina por aqui!”

E foi o que fiz. Só que em vez dele me responder com o “to legal! e vc?” ele me respondeu com um bem redigido: “nossa cara. moh tempo msm neh! sab q eu naum to legal naum…. terminei com minha namorada smna passada”.

Não tive alternativa a não ser dar corda pra conversa. Afinal, do pouco que eu sei o namoro dele era bastante sério e sólido. Pelo menos até a semana passada.

Continuei então com o “nossa, cara. dose ein?!” e assim foi fluindo a conversa.

No meio da história soube que a namorada dele tinha se encontrado por acaso com uma antiga paixão e percebido que ainda gostava do tal. Assim deixou o Fernando.

Ele disse então que estava muito mal, que o rendimento do trabalho dele abaixou e que já tinha jogado a casca de banana na Consolação, mas que nada adiantava.

Nesse exato momento eu me perguntei: “O que é que esse cara tem na cabeça pra, do nada, achar que adianta contar as coisas pra mim?”

Assim eu fiz meu papel e lembrei-o de que eu ainda tinha o blog e que tudo que ele dissesse poderia ser usado contra ele num futuro post! Depois desse meu comentário ele digitou o ridículo “huashuaasuashuahuahsuaha” e depois disse que a minha tentativa foi boa, mas que ele ainda tava mal.

Pra falar a verdade mal sabe ele (até agora) que eu não disse aquilo pra tentar descontrair.

Enfim. Ele continuou dizendo que agora a vida dele estava sendo uma mudança total e blá, blá, blá… Vocês sabem: todo aquele papo de quem jura ter perdido a alma gêmea. Naquela hora eu realmente estava mais entretido com a minha outra conversa e com o que seria do programa que eu faria no dia seguinte.

Mas aí, quando estava preparado para digitar o “flw” e o “td d bm” para o Fernando, ele digitou o seguinte:

(traduzido) “Eu não sei se eu te contei, mas a Gisele (a namorada dele) costumava contar meus fios de cabelo.”

Tranqüilamente eu me vi acreditando que aquele ser estava (e sempre esteve) mentindo pra mim sobre as várias histórias que contava. Contar os fios de cabelo? Quem é que faz isso em sã consciência? Fazer tranças, enrolar, prender, fuçar, sei lá o que, mas contar aí me pareceu demais.

Não sei se você, leitor, acha normal isso, mas eu nunca ouvi sobre alguém que conta cabelo alheio. E por isso mesmo, por achar que ele estava inventando isso, eu decidi me dedicar à conversa. Sempre que uma conversa parece mentira, que alguém parece normal ou que a polícia chega é que as coisas ficam interessantes!

Botei lenha na fogueira e o Fernando continuou. Disse que ela contava e que ele gostava tanto que essa era uma das coisas que ele mais sentia falta agora. Disse também que o recorde de contagem era de 1345, que era mais ou menos na hora que ela cansava e dormia.

A conversa se alongou mais do que eu realmente queria e ele se perdeu em mágoas que eu não soube julgar se eram verdadeiras ou não e acabamos por concordar que o mais importante para ele era, quem sabe, procurar uma namorada que gostasse de contar fios de cabelo!

Já sobre o que era importante pra mim a partir de agora… Bom, digamos que eu estou cansado de escrever nesse exato momento.

Brincadeiras à parte nós nos despedimos e eu o bloqueei. Quando eu estiver sem inspiração eu o procuro para mais uma história. Se bem que a outra conversa que eu tive com a tal pessoa que eu queria também rendeu uma boa história.

8/11/2007Como se…

            Acabei de chegar da padaria. Eu quase não fui por causa da chuva. Quase perdi uma das caminhadas mais legais da semana. Saí com medo de ter que voltar nadando, mas fui do mesmo jeito. Deixei o elevador e fui em direção ao portão. Foi quando eu vi que o clima estava gostoso! Um clima fresco de fim de tarde chuvosa.

Decidi então andar calmamente e aproveitando cada passo. Eu, meu chinelo, minha calça, minha regata, meu celular e meus cinco reais em moedas. Esperei para atravessar com uma calma incomum, atravessei como se tivesse todo tempo do mundo, desci até a padaria como se estivesse de férias. Passei do lado de duas garotas no ponto de ônibus como se fossem as únicas.

Entrei na padaria como se tivesse dinheiro, esperei na fila como se ninguém esperasse. Durante a espera, reparando nos rostos presentes no local, me deparei com o Elvis. Sim, o Elvis Presley. Tá, não era o cara, mas era super parecido e devia ser um cover, vai saber! Mas isso já foi legal.

Peguei meus seis pãezinhos e resolvi comprar um sorvete. Esvaziei meu bolso de moedas e saí da padaria. Voltando pra casa eu abri o sorvete como se estivesse na praia, atravessei a rua como se fosse areia, esperei pra atravessar como se as buzinas fossem música.

Na última subida pro meu apartamento eu comecei a pensar sobre o que as pessoas pensavam de mim naquele momento: tomar sorvete com esse tempo? Não parecia a coisa mais normal.

Eu mordia o sorvete como se fosse o último. Até que eu olhei para a calçada do outro lado rapidamente e voltei a olhar pra frente. Mas meu olhar foi obrigado a voltar pra outra calçada novamente como se estivesse hipnotizado: uma garota de branco com uma mochila nas costas e, para a minha completa surpresa, com um picolé na mão!

Adorei não estar sozinho nessa história! Depois ela atravessou para o meu lado, me olhou e vai saber o que se passou pela sua cabeça. Ela entrou no prédio dela e eu entrei no meu.

Nada de mais, mas uma simples ida até a padaria pode fazer com que vivamos a vida como se fosse fácil.

Agora que todo mundo descobriu quem matou a Taís e que a Globo tá com o sorriso de orelha a orelha vamos aproveitar para discutir o quanto as crianças japonesas estão se divertindo com a novidade infantil nacional. Ou talvez sobre o panda que gosta de espiar os arredores da jaula em Madrid. Não! Melhor: falemos sobre o raio que explodiu os tanques de álcool no interior, ou quem sabe sobre a semana de moda de Milão. Se bem que a Bovespa teve o melhor mês desde janeiro… E isso é importante.

Lembrei de uma outra coisa agora: a seleção brasileira de basquete feminino venceu o México por 119 a 44 no Pré-Olímpico! Isso vale a pena comentar… Mas quer saber: eu já não sei sobre o que falar, porque talvez precisamos de fatos grandes para estarmos felizes.

Ah! Pronto: Lembrei de uma coisa que pode dar assunto. Aconteceu um dia desses. Eu e meu amigo fomos comprar mantimentos no supermercado da esquina. Logo que entramos foi cada um pro seu lado atrás do que era bom.

Enquanto procurava não sei o quê, passou uma garota do meu lado. Trocamos olhares simpáticos, e continuamos nossa busca por aquilo que mais tarde daria tiros no seqüestrador do meu estômago.

Pega pão, procura detergente, compara preço de requeijão e de repente ela de novo passando do meu lado. Depois da troca de olhares que começava a ser comum, mesmo eu tentando evitar, volto a procurar pelo Veja, sabão em pó, água, peito de frango, queijo, batata palha, o olhar da menina, o pano, a bolacha, o leite, a esponja, o sabonete e finalmente o caixa.

Entrei na fila, meu amigo junto, mas foi aí que ele percebeu que tinha esquecido o Guaraná! E sem guaraná não dá, né? Então ele saiu da fila e foi procurar o tal, já a minha pessoa ficou pra passar o que era meu. Logo atrás de mim adivinha quem aparece? A própria! A desconhecida que gostou de trocar olhares. De qualquer forma, passei a minha parte da compra, paguei e fui me encostar na saída para esperar meu amigo.

Como não tinha mais o que fazer além de esperar ele, que já estava demorando, comecei a observar a garota que começou a passar sua compra.

Também não consegui deixar passar em branco a presença de um mendigo no portão do supermercado. Simplesmente parado e Olhando para dentro.

Notei então que a pessoa feminina dessa história havia terminado de passar as compras dela e terminava de encher a segunda sacola. E para não sair do normal ela saiu do mercado, passou do meu lado e me olhou de novo. Mas como que para me surpreender ela começou a andar na direção do mendigo. E acredite, ela parou na frente dele e deu uma de suas duas sacolas. Sim, isso realmente aconteceu, eu vi com os meus próprios olhos que a terra há de comer. Depois ele agradeceu e ela foi embora.

Pronto: qualquer que fosse a preocupação que estivesse passando pela minha cabeça naquele momento foi pulverizada, quase acabei esquecendo o motivo pelo qual eu estava ali, ou seja, esperando meu amigo. Naquele momento eu queria parar ela no meio da rua e dar um beijo nela dizendo “obrigado”. Que cena cinematográfica, vocês não acham? E se não fosse minha timidez e aquela minha parte que pensa o que a garota ia achar, eu realmente faria isso! Mas me contentei em acompanhar a querida garota com o olhar até perder o alcance do seu destino.

Naquele momento aquilo realmente me levantou! Eu me sentia bem, mas também culpado por não fazer nada pelo morador de rua.

Depois que ela já não estava mais no meu complexo campo de visão, eu olhei para o mendigo com a enorme vontade de ir falar com ele. Talvez perguntar seu nome, sobre ele, se a garota havia lhe prometido algo e também se ele conhecia-a. Sei lá! Só falar com ele!

Mas não tive coragem… Simplesmente esperei meu amigo. E quando ele veio, voltamos pro apartamento.

Mesmo eu assumindo meu papel de espectador, aquele gesto foi fazendo de mim uma grande salada de frutas. Isso significava que, eu pensava em tudo, mas principalmente no quanto aquilo me fez bem. E assim a sacada: foi ali que eu tive certeza de que fazer a “famosa” boa ação pode até parecer inútil, só que a gente sempre esquece de imaginar o quanto aquilo faz bem, para os dois lados: os que recebem e também para as pessoas que estão vendo, neste caso eu!

[esse texto foi escrito por duas mãos: a minha e a da minha eterna amiga Mariana, do Paraná. Um dia desses, depois de escrever a primeira versão desse texto, eu tive a idéia de que outra pessoa desse uma lida e modificasse o texto do modo que bem entendesse. Foi o que fiz. Mandei para a Mariana e falei que fizesse com ele o que quisesse. E ela fez. Depois eu ainda dei uma lida, mudei algumas coisas e passei pra ela de novo que deu as modificações definitivas. Portanto você acabou de ler um texto escrito em dupla! Eu achei um bom fruto e pretendo colocar a idéia pra frente com outros textos. Agora resta saber o que você achou disso!]

 

Podemos dizer, com absoluta certeza, que a negociação na base da troca enxergou seu fim no famoso episódio em que um homem teve que trocar galinhas por uma baleia. Infelizmente quem teve a idéia de substituir a baleia por um pedaço de papel que tivesse um mesmo valor e que pudesse ser trocado pela quantidade equivalente de galinhas não foi o dono das galinhas (que, de agora em diante, por motivos didáticos, chamaremos de Seu João). Tampouco o dono da baleia (Seu Zé).

Ocorreu que, no dia seguinte ao da famosa troca, o Seu Antônio (nome igualmente fictício dado pelos mesmos motivos anteriores) que era vizinho do Seu João, deu por falta na sua fazenda de todas as galinhas! Desesperado e sem saber como faria seu omelete matinal ele teve uma idéia. No exato momento em que teve essa idéia, percebeu o quanto ela era ridícula e sem fundamentos. Tentou então ter outras idéias para que assim pudesse ter um mínimo de opções de escolha.

Não conseguiu. Sua mente estava tão perturbada pela fome que resolveu arriscar e colocar em prática sua idéia ridícula. Desse modo, pegou o primeiro pedaço de papel que viu pela frente, cortou de uma forma retangular, pintou qualquer coisa nele e foi até a fazenda de Seu João.

Já deu pra perceber que Seu João foi tentado pelo Seu Antônio a trocar suas galinhas pelo tal pedaço de papel. E já deu pra perceber que isso não deu certo. Não pelo fato de Seu João desconfiar do truque do vizinho, e sim pelo fato de que agora ele não tinha mais galinhas em seu quintal mas sim uma baleia.

Desse modo Seu Antônio passou de porta em porta tentando aplicar seu ridículo golpe magistral. Mas nunca dava certo porque em todas as casas da vizinhança, por mais incrível que parecesse na época, as galinhas haviam sido roubadas! Até que ele desistiu, voltou pra casa e resolveu comer alface.

Um dia depois, tempo o bastante para que Seu Antônio se acostumasse com a idéia de uma dieta verde, apareceu em sua casa Seu Zé oferecendo galinhas em troca de algo que tivesse o mesmo valor.

Seu Antônio não queria mais galinha. Os tempos eram outros e Dona Ofélia (esposa de seu Antônio) achava que era melhor plantar alface do que ter galinhas. Mas algo se passou pela cabeça de Seu Antônio naquele momento e que até hoje permanece sendo o segundo maior mistério da história da humanidade (só perdendo para o maior deles: o que se passou na mente do cara que inventou o banho portátil) e que o fez oferecer o tal pedaço de papel rabiscado em troca de 17 galinhas.

Seu Zé ficou meio cabreiro nesse momento e argumentou que o tal papel não chegava a pesar nem 28 penas de galinha, quem dirá 17 galinhas com todas as penas!

Seu Antônio então disse que havia trocado seus sete galos por aquele pedaço de papel e que todos sabiam muito bem quanto valiam sete galos!

Seu Zé então se convenceu e topou o negócio.

Como foi provado agora, vemos que o inventor desse pedaço de papel colorido que guardamos com tanto cuidado, que usamos para a troca, que nos faz trabalhar, que dita nossa posição social, que criou a hierarquia, que mata milhões, que ilude milhões, que diz se podemos ir e vir, que massacra boas idéias, que promove idéias estúpidas, que deixa órfão, que deixa viúvo, que deixa dependente, que nos despe, que deixa a paixão em coma, que quase mata o amor e que, ao mesmo tempo nos faz emanar vida que transborda frutos que salvam, quem recortou um desses pela primeira vez foi o vizinho do cara que queria uma baleia.

[Complemento didático para os que não compreenderam a pseudo-fábula monetária acima:

O vizinho do cara que queria uma baleia era o Seu Antônio. Ele criou o que hoje é o dinheiro para tentar conseguir galinhas com os vizinhos, pois todas as suas tinham sido roubadas. Elas foram roubadas pelo Seu João (vizinho de Seu Antônio), que roubou todas as galinhas da vizinhança para poder trocar por uma baleia. O dono da baleia era o Seu Zé, que queria muitas galinhas e então resolveu trocar sua baleia. Depois da troca Seu Zé passou então a trocar galinhas por outras coisas de seu interesse, entre elas o tal papel que o Seu Antônio mentiu ser valioso.

O educador pode recorrer aos recursos de desenhos para colorir e questionarios interativos.]

=O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: O MAL USO DO TAL PAPEL COLORIDO CAUSA DANOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS FATAIS=

17/08/2007Submergindo

O lambari, preocupado com o futuro do riacho, resolveu arrumar tudo. Queria dar uma varrida na terra do fundo, uma escovada nas algas, uma lustrada nas pedras.

Mas foi quando começou que se deu conta do quanto ia ser complicado. Percebeu que não tinha um tamanho que favorecia. E então resolveu chamar os outros peixes.

- É o seguinte – disse o lambari – todos vivemos aqui desde sempre, e como a correnteza é fraca, poucos se mudaram. Por isso eu acho justo que todos ajudem na arrumação!

No meio da reunião, como que por acaso, bem no meio da roda de discussão que foi formada pelos espécimes subaquáticos, surgiu calmamente, vindo de cima, um ser completamente estranho em um meio de transporte até então desconhecido.

Tratava-se de um ser roliço, fino, curto, marrom, sem qualquer orifício ocular ou degustativo e que se comunicava através de uma estranha linguagem corporal distorcida.

Seu meio de transporte era mais único e estranho que o próprio ser. Era algo parecido com uma linha aparentemente infinita que vinha da superfície e além. A ponta era brilhante e curva. E atravessava curiosamente o ser.

Quem estava na reunião, depois do susto, ficou absolutamente intrigado e sem saber o que fazer.

O lambari, já pensando no desequilíbrio que a situação traria, tomou a iniciativa:

- Seja bem vindo à redondeza! Você veio de cima?

E o tal ser continuava a se comunicar de uma forma contorcida e sem palavras.

- Ele não fala a nossa língua! – gritou o baiacu.

Imediatamente o ser começou a baixar o ritmo de comunicação. Baixou até ficar imóvel.

O lambari, depois de um tempo, se aproximou dele e nenhuma reação se esboçou. Chegando mais perto ele foi contaminado por algo na água que o fez ver que aquele ser, na verdade, era apetitoso. Segundos depois todos os outros perceberam também e, como que por instinto, atacaram o que era um ser e se mostrou comida. E devoraram o que puderam.

De repente, quando o alimento estava praticamente sumido, o tal meio de transporte subiu de volta à superfície num tranco mortal. Todos saíram de perto do local o mais rápido possível e tremendamente assustados. Por sorte ninguém estava perto o suficiente para ser puxado.

- Na verdade então… – disse o lambari – será que… só pode ser!… Sim! Essa coisa que veio transportando o tal ser que na verdade era comida, é o verdadeiro ser vivo! Usou de um alimento para nos enganar e nos devorar!

Todos acharam que essa versão dos fatos era realmente a que mais fazia sentido e então se deram conta de que foram enganados e quase extintos!

Cada peixe ali presente foi para seu canto pensando sobre aquele fato bizarro, com medo e um certo receio. Em silêncio. Até o lambari.

No dia seguinte o lambari, preocupado com o futuro do riacho, resolveu arrumar tudo.

20/05/2007Radar

Um dia desses um amigo meu me contou:

“Sabe que hoje eu tive que entregar comida prá lá do km 48 [ele trabalha em cozinha], aí eu peguei comida, passei no centro da cidade, fiz o que precisava e lá pra uma hora da tarde eu saí.

Tinha que estar no lugar de entrega às duas e meia. Tinha um caminho de quatro quilômetros até o lugar, sabe onde é, né? Carreguei o carro e fui.

Cê sabe que eu não tenho celular, né?

Então, saí do centro da cidade, entrei na rodovia e de repente um carro maluco passa correndo que nem louco na contramão. Passou por aquelas curvas perigosas mais rápido que não sei o quê!

Quando a curva já tinha escondido o carro eu ouvi um barulhão! Uma batida! Só podia ser. Andando mais um pouquinho eu vi que era o tal carro que tinha batido.

Pronto, já viu né? Parou tudo.

Era duas horas. Aí não tinha o que fazer a não ser ajudar… E passava carro da polícia, ambulância, várias coisas e tal… E o tempo também passava e ninguém liberava o trânsito!

Aí eu soube que todo mundo já tava ficando preocupado comigo… Meus amigos já tavam desesperados tentando ligar pra tudo que é canto!

As mulheres que eu ia entregar a comida também… Ninguém mais sabia onde eu tava.

Também, com aquele acidente que nunca liberava a estrada…

Aí deve ter sido ajudando lá que eu perdi os óculos… Sei lá.

A estrada liberou lá pras duas e trinta e cinco… É lógico que eu não consegui entregar a comida em tempo… Fazê o quê.

Voltando pra cá eu vi que tava todo mundo preocupado e tal.

Meus amigos do trabalho me disseram “cara, não dá pra você não ter um celular! A gente tá aqui com um celular pra você, cê tem que ter um celular!”

Aí eles me deram um celular. Celular não: radar.

Né?”

19/05/2007A volta

Lá estava eu voltando de sampa pra minha casa com uma daquelas mochilas imensas de camping lotada de roupas e pesada pra caramba e outra mochila normal também cheia.

Imagine então eu entrando no ônibus com elas…

Chegando em Cotia eu ainda tinha que pegar outro ônibus até minha cidade. Foi rápido e o ônibus nem tava tão cheio. Mas não dava pra colocar a mochila no acento ao lado pois eu havia encontrado uma conhecida minha, e ela então sentou ao meu lado.

Com a mochila grande no meio das pernas e a menor no colo eu não estava numa posição favorável ao conforto. Mas dava pra agüentar.

Chegando ao próximo ponto, o ônibus parou e abriu a porta. Começaram a entrar as pessoas. E não pararam de entrar! Entrava, entrava e entrava!

O ônibus foi de vazio a lotado em um ponto! Foi quando, pela porta dos fundos, entrou uma senhora. Uma velhinha bem velhinha mesmo. Entrou e não tinha onde sentar. Logo a mulher que eu conhecia que estava ao meu lado se levantou e deixou a senhora sentar no lugar dela.

A senhora era simples, não falava nada e estava com a filha no ônibus. A filha falava sempre para ela encostar na cadeira, para poder ter um melhor apoio. E a velhinha respondia sempre com um “ã-hã” simples e pronto.

A viagem continuou e sempre que uma curva favorecia a queda da velha em cima de mim ela desequilibrava de uma forma que quase era necessário que eu a segurasse.

A viagem seguiu tranqüila e a senhora não reproduziu uma palavra sequer.

São coisas do dia-a-dia que a gente nem percebe.

Ontem eu saí com uns amigos. A gente foi pra um bar na cidade vizinha. Lugar legal, gente bonita e essas coisas. Bebemos, comemoramos, conversamos. Antes de irmos embora eu fui ao banheiro. Era meia noite e meia. Entrei no banheiro e lá dentro tinham dois seguranças do lugar. Um deles pedia o comprovante de pagamento pra um cara. O cara parecia meio sem saber o que fazer.

O outro segurança gritava pra uma das portas do banheiro pra que quem estivesse lá saísse imediatamente. O sujeito da cabine não saia e o segurança começou a surrar a porta falando pro cara sair.

Entrei em outra cabine e o sujeito começou a falar: “Eu não to cheirando!”

E o segurança retrucava: “Tá sim! Sai daí! Agora!”

A coisa continuou e o cara saiu reclamando que queria somente usar o banheiro. O segurança não deixava.

Levei minha mão e esperei, pois os seguranças fechavam a porta do banheiro enquanto discutiam com os dois sujeitos se eles podiam ou não usar o banheiro e se eles estavam ou não cheirando.

E eu assistindo.

Depois de um tempo eu consegui me esquivar deles e sair do banheiro, a situação tava ficando complicada e a idéia de brigar não me agradava.

Depois disso fomos embora.

De qualquer forma esses programas são dos melhores!

5/12/2006In S2

Aqui vai uma conversa de MSN que um amigo meu me mandou. Eu li e adorei! Achei tremendamente absurda, mas com resultados surpreendentemente reais!
Já faz um tempo que aconteceu, demorei para convence-lo a me deixar publicar aqui!
O que aparece entre parêntesis são comentários meus ou coisas que ele me falou que tinha acontecido durante.
Aí vai:
Mªr¢ºZ hehe… diz:
oi!
*BruninhA* diz:
oi
Mªr¢ºZ hehe… diz:
td bm?
*BruninhA* diz:
td e vc?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tb!
(aqui se passou alguns minutos sem ninguém teclar nada)
Mªr¢ºZ hehe… diz:
é…
*BruninhA* diz:
qq foi?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
nuss, dsculpa, n vô + te incomodah…
*BruninhA* diz:
kkkkkkkkkkkkkkk
*BruninhA* diz:
brinkdeira…
*BruninhA* diz:
diga…
*BruninhA* diz:
o q manda…
Mªr¢ºZ hehe… diz:
nd naum… num vo mais te atrapalha
*BruninhA* diz:
dexa de ser bobo marcos…
*BruninhA* diz:
fla logo…
(mais um tempo sem respostas)
*BruninhA* diz:
eiiiii
Mªr¢ºZ hehe… diz:
Êêêê
Mªr¢ºZ hehe… diz:
qq foi agora
*BruninhA* diz:
fla ai qq vc ia flar….
Mªr¢ºZ hehe… diz:
intaum, eh q eu naum tinha cm qm falar e te vi on
Mªr¢ºZ hehe… diz:
sacumé
*BruninhA* diz:
nussa hemm
*BruninhA* diz:
obrigado plo “já q num tinha ngm… flo cm vc msm”
Mªr¢ºZ hehe… diz:
hehehe
Mªr¢ºZ hehe… diz:
mas acho q nm isso eu vo conseguir…
(pouco tempo se passou)
*BruninhA* diz:
pq?
*BruninhA* diz:
olha soh Marcos, fica fazndo poko caso da minha pessoa… dexa viu!!! um dia vai vir rastejando aos meus pés……rs
Mªr¢ºZ hehe… diz:
duvido
Mªr¢ºZ hehe… diz:
ou…
Mªr¢ºZ hehe… diz:
quem sabe eu jah esteja fazendo isso…
*BruninhA* diz:
nossa Marcos!…
*BruninhA* diz:
essa direta foi fogo…
*BruninhA* diz:
to até assustada!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tah bom, conta outra
*BruninhA* diz:
to falandu…
*BruninhA* diz:
foi mto direto
(um considerável tempo se passou)
*BruninhA* diz:
ficou sem palavras agora neh…..
Mªr¢ºZ hehe… diz:
naum!
*BruninhA* diz:
ahamm…
*BruninhA* diz:
sei….
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tah bom, pnse o q qizer, naum tenho como provar
*BruninhA* diz:
apenas sei o q eu li… e vi o q estava escrito… o q era bem claro…
*BruninhA* diz:
sabe cm eh neh… as vezes perdemos a oportunidade da nossa vida em segundos…..
Mªr¢ºZ hehe… diz:
uuuuu, isso foi profundo
Mªr¢ºZ hehe… diz:
deu medo
*BruninhA* diz:
hehe… medo de mim? olha meu tamanho!!!! eu tenho q ter medo d vc!!!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
vai saber, vc e essas frases de efeito…..
*BruninhA* diz:
eu só naum estou com medo de vc pq isso naum faz mto meu tipo!!!!!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
o qq num faiz muito seu tipo?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
num intendi!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
eh bom vc ter medo viu?
*BruninhA* diz:
pq eh bom ter medo? Num faiz muito meu tipo ter medo de homem…
*BruninhA* diz:
rsrsrs
*BruninhA* diz:
o q vc pode fazer comigo?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
olha meu tamanho!…
*BruninhA* diz:
tamanho naum é documento, aprendi isso na escolinha
Mªr¢ºZ hehe… diz:
OK, essa nossa conversa está um tanto ambígua… sou a favor de começarmos de novo!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
Oi!
*BruninhA* diz:
oi!
*BruninhA* diz:
rsrsrs
Mªr¢ºZ hehe… diz:
td bom?
*BruninhA* diz:
td e vc?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
mais ou menos
*BruninhA* diz:
naum intendi
Mªr¢ºZ hehe… diz:
meu, sacumé, chega um dia q agnt percebe q o coração resolve bater por alguém…. aí pronto! ”
Bom, e assim foi. A conversa tem umas trinta e cinco páginas e esse é o começo dela.
Acho que já dá pra ver onde isso vai parar! Hoje o Marcos e a Bruna estão no fim do segundo ano de namoro e já tem a data do casório marcada.
Resta dizer que eles se conheciam fazia dois anos, contando da data dessa conversa.
E foi nesse papo que eles viram que realmente gostavam um do outro. Semanas depois eles começaram a namorar.
Absurdo, não?

Next Page »


Você quer ir para o topo do site certo?