Podemos dizer, com absoluta certeza, que a negociação na base da troca enxergou seu fim no famoso episódio em que um homem teve que trocar galinhas por uma baleia. Infelizmente quem teve a idéia de substituir a baleia por um pedaço de papel que tivesse um mesmo valor e que pudesse ser trocado pela quantidade equivalente de galinhas não foi o dono das galinhas (que, de agora em diante, por motivos didáticos, chamaremos de Seu João). Tampouco o dono da baleia (Seu Zé).

Ocorreu que, no dia seguinte ao da famosa troca, o Seu Antônio (nome igualmente fictício dado pelos mesmos motivos anteriores) que era vizinho do Seu João, deu por falta na sua fazenda de todas as galinhas! Desesperado e sem saber como faria seu omelete matinal ele teve uma idéia. No exato momento em que teve essa idéia, percebeu o quanto ela era ridícula e sem fundamentos. Tentou então ter outras idéias para que assim pudesse ter um mínimo de opções de escolha.

Não conseguiu. Sua mente estava tão perturbada pela fome que resolveu arriscar e colocar em prática sua idéia ridícula. Desse modo, pegou o primeiro pedaço de papel que viu pela frente, cortou de uma forma retangular, pintou qualquer coisa nele e foi até a fazenda de Seu João.

Já deu pra perceber que Seu João foi tentado pelo Seu Antônio a trocar suas galinhas pelo tal pedaço de papel. E já deu pra perceber que isso não deu certo. Não pelo fato de Seu João desconfiar do truque do vizinho, e sim pelo fato de que agora ele não tinha mais galinhas em seu quintal mas sim uma baleia.

Desse modo Seu Antônio passou de porta em porta tentando aplicar seu ridículo golpe magistral. Mas nunca dava certo porque em todas as casas da vizinhança, por mais incrível que parecesse na época, as galinhas haviam sido roubadas! Até que ele desistiu, voltou pra casa e resolveu comer alface.

Um dia depois, tempo o bastante para que Seu Antônio se acostumasse com a idéia de uma dieta verde, apareceu em sua casa Seu Zé oferecendo galinhas em troca de algo que tivesse o mesmo valor.

Seu Antônio não queria mais galinha. Os tempos eram outros e Dona Ofélia (esposa de seu Antônio) achava que era melhor plantar alface do que ter galinhas. Mas algo se passou pela cabeça de Seu Antônio naquele momento e que até hoje permanece sendo o segundo maior mistério da história da humanidade (só perdendo para o maior deles: o que se passou na mente do cara que inventou o banho portátil) e que o fez oferecer o tal pedaço de papel rabiscado em troca de 17 galinhas.

Seu Zé ficou meio cabreiro nesse momento e argumentou que o tal papel não chegava a pesar nem 28 penas de galinha, quem dirá 17 galinhas com todas as penas!

Seu Antônio então disse que havia trocado seus sete galos por aquele pedaço de papel e que todos sabiam muito bem quanto valiam sete galos!

Seu Zé então se convenceu e topou o negócio.

Como foi provado agora, vemos que o inventor desse pedaço de papel colorido que guardamos com tanto cuidado, que usamos para a troca, que nos faz trabalhar, que dita nossa posição social, que criou a hierarquia, que mata milhões, que ilude milhões, que diz se podemos ir e vir, que massacra boas idéias, que promove idéias estúpidas, que deixa órfão, que deixa viúvo, que deixa dependente, que nos despe, que deixa a paixão em coma, que quase mata o amor e que, ao mesmo tempo nos faz emanar vida que transborda frutos que salvam, quem recortou um desses pela primeira vez foi o vizinho do cara que queria uma baleia.

[Complemento didático para os que não compreenderam a pseudo-fábula monetária acima:

O vizinho do cara que queria uma baleia era o Seu Antônio. Ele criou o que hoje é o dinheiro para tentar conseguir galinhas com os vizinhos, pois todas as suas tinham sido roubadas. Elas foram roubadas pelo Seu João (vizinho de Seu Antônio), que roubou todas as galinhas da vizinhança para poder trocar por uma baleia. O dono da baleia era o Seu Zé, que queria muitas galinhas e então resolveu trocar sua baleia. Depois da troca Seu Zé passou então a trocar galinhas por outras coisas de seu interesse, entre elas o tal papel que o Seu Antônio mentiu ser valioso.

O educador pode recorrer aos recursos de desenhos para colorir e questionarios interativos.]

=O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: O MAL USO DO TAL PAPEL COLORIDO CAUSA DANOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS FATAIS=