Lá estava eu voltando de sampa pra minha casa com uma daquelas mochilas imensas de camping lotada de roupas e pesada pra caramba e outra mochila normal também cheia.

Imagine então eu entrando no ônibus com elas…

Chegando em Cotia eu ainda tinha que pegar outro ônibus até minha cidade. Foi rápido e o ônibus nem tava tão cheio. Mas não dava pra colocar a mochila no acento ao lado pois eu havia encontrado uma conhecida minha, e ela então sentou ao meu lado.

Com a mochila grande no meio das pernas e a menor no colo eu não estava numa posição favorável ao conforto. Mas dava pra agüentar.

Chegando ao próximo ponto, o ônibus parou e abriu a porta. Começaram a entrar as pessoas. E não pararam de entrar! Entrava, entrava e entrava!

O ônibus foi de vazio a lotado em um ponto! Foi quando, pela porta dos fundos, entrou uma senhora. Uma velhinha bem velhinha mesmo. Entrou e não tinha onde sentar. Logo a mulher que eu conhecia que estava ao meu lado se levantou e deixou a senhora sentar no lugar dela.

A senhora era simples, não falava nada e estava com a filha no ônibus. A filha falava sempre para ela encostar na cadeira, para poder ter um melhor apoio. E a velhinha respondia sempre com um “ã-hã” simples e pronto.

A viagem continuou e sempre que uma curva favorecia a queda da velha em cima de mim ela desequilibrava de uma forma que quase era necessário que eu a segurasse.

A viagem seguiu tranqüila e a senhora não reproduziu uma palavra sequer.

São coisas do dia-a-dia que a gente nem percebe.