22/12/2006CORRE! (3)
No final do capítulo anterior:
“Aqui vai um prólogo do acontecimento, que introduz o “quem” na minha vida:”
Desse modo, aí vai um trecho do meu diário em que o “quem” se introduz na minha vida:
“Sábado, 17 de Outubro.
Eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu queria descrever isso, mas eu não sei o que é. Comparações soam fúteis. Acho que se eu disser, como sempre, o que aconteceu, as coisas fiquem mais claras pra mim mesmo agora e pra mim mesmo quando eu for ler esse diário num futuro não muito distante.
Fui pro jornal como sempre. Acordei cedo, xinguei o despertador, tomei meu café, fui pro ponto de ônibus. Chegando à minha mesa eu vi um recado que ia ter uma reunião cinco minutos atrás. Xinguei meu chefe e fui pra reunião.
Assunto vai, assunto vem e eles não falavam coisas que justificavam a reunião. Quarenta minutos e vários copinhos de café depois o telefone do diretor tocou. Ele já tinha tocado umas quinze vezes, mas foi particularmente a décima sexta vez que mudou minha vida.
Não que tenham ligado do hospital avisando da morte da minha mãe, pois como eu mesmo escrevi aqui ela já se foi e mesmo que fosse isso meu diretor não iria querer saber. Aparentemente não foi nada de mais. Não naquela hora.
O telefonema durou uns dois minutos. Depois disso ele falou com o repórter de plantão e o mandou cobrir uma matéria. Pequena e fútil.
Tão pequena e tão fútil que eu ainda não sei o que houve.
O dia não podia ter passado mais tediosamente até a hora de ir embora.
Estava indo pro ponto quando o tal do repórter de plantão do tal telefonema que por acaso é o meu amigo Fábio me convidou pra ir ao Caneco Largo. Lógico que eu fui!
A gente chegou lá e mais uns amigos já estavam de papo com umas amigas e uma outra mulher que eu não conhecia.
O Fábio me apresentou ela e me disse que tinham se conhecido quando ele foi cobrir a matéria pequena e fútil.
O nome dela é Fabiana. O Fábio tava dando em cima dela. Ele se acha. Aí eu cheguei e comecei a conversar com ela. Gente boa, educada e tem um papo legal. Bebemos, comemos e conversamos. Todo mundo falando.
A Fabiana me passou o numero do celular dela e ela disse que gostou de sair com a gente.
Bom, de qualquer forma eu voltei pra casa e aqui estou.
Eu não falei que quando eu escrevia tudo ficava mais claro? Agora eu acho que eu sei o que esta acontecendo comigo! Pode ter sido aquela mistura louca que o Fábio fez pra gente com Montilla, vodca e sei lá o que era aquela outra coisa!
Pode ser isso!”
Pronto, até aqui tá bom!
Tá certo. Acho que isso não diz muita coisa. Mas de qualquer forma foi a primeira vez que eu vi a Fabiana.
Depois disso nós saímos mais vezes com o pessoal. E foi só depois que eu fui descobrir o que tinha acontecido no pequeno e fútil acontecimento.
Tinha sido uma tentativa de assassinato.
É. Eu também não vi nada de pequeno e fútil nisso, mas tudo bem.
Alguém tentou roubar algo valioso de uma outra pessoa e quase conseguiu. E não conseguiu porque a pessoa dona da tal coisa valiosa percebeu e tentou matar o ladrão antes. Mas também não conseguiu, porque uma terceira pessoa viu tudo e chamou a polícia.
Difícil? Deu pra perceber que o Fábio entrou depois de tudo isso. Mas e a Fabiana?
Pois é, adoro esse suspense! Eu sei quem são todas as pessoas desse caso! Vocês não! Hahaha!
Parei, vai! É o seguinte: deu pra perceber que tem pelo menos três pessoas no rolo do roubo né? Bom, acho que deu pra perceber que uma delas é a Fabiana, certo?
Então agora é a hora de contar em que diabos a Fabiana se meteu!
Melhor: agora não é a hora. Escrevi muito e vai ficar pro próximo capítulo!
