Eu estava falando daquela manhã em que o meu namoro com a Fabiana começou a ficar um pouco, digamos, corrido!

De manhã, ao olhar pela janela da minha casa eu me deparei com umas sete viaturas da polícia chegando e estacionando no meu jardim do modo mais violento possível.

Uma policial desceu de um dos carros empunhando sua 45 com uma mão. Com a segunda mão ela segurava um megafone. Colocou o tal perto da boca e começou a falar, enquanto os outros muitos policiais saiam das viaturas empunhando suas respectivas armas:

- Fabiana Danton! Saia da casa com as mãos para cima! Você está cercada!

“Fabiana Danton? Mas essa casa não é a dela…” Pensei, ainda tentando entender o que se passava.

- Vamos! – Continuava a policial – Você não tem como fugTRIIIIIIIIIIMMM!!

O telefone começou a tocar. Quando eu atendi era a Fabiana:

- Amor! Só escuta: eles pensam que eu moro aí! – nessa hora, se não fosse o meu estado psíquico, provavelmente eu teria comentado: “Uuuu! Sério? Eu pensei que eles simplesmente tinham confundido meu nome!”. Mas eu não consegui. Logo em seguida ela continuou:

- Tenta sair da casa sem que eles te peguem! Te espero no Caneco Largo!

- Mas… – gaguejei – Mas como você sabe que eles estão aqui?

- Explico depois! SAIA DAÍ! – e desligou.

“Agora f****!” Pensei. Eu não era um cara que gostava de palavrões, mas esse aí veio sem que eu pudesse prever ou evitar.

Olhei de novo para a janela e a bendita policial continuava, incessantemente, chamar a Fabiana.

“Sair pela frente não dá, talvez os fundos!” E lá fui eu examinar a porta dos fundos. Não dava. A casa estava mesmo cercada. E por onde eu tentasse sair tinha algum fardado me esperando.

- Saia logo ou seremos obrigados a invadir o local! – gritou a mulher armada.

Foi nessa hora que eu vi que não conseguiria sair. Medo foi pouco. E quando eu estava tentando pensar em alguma coisa vi a fechadura da porta da frente quebrar como se fosse de brinquedo. Um bando de policiais entrou todos apontando as armas para tudo que é lado. E eu lá no meio deles.

Dois deles me fizeram colocar minha mão na cabeça e os outros investigavam a casa.

Pouco tempo depois entrou a policial. Algo me dizia que era ela que mandava mais em todo mundo. Um dos que estavam bisbilhotando a casa voltou dizendo para ela:

- Sargento! Ela não está na casa!

Minha teoria tinha se confirmado.

- Você conhece Fabiana Danton? – Perguntou a sargento com uma expressão muito suspeita.

- Hããã… – Respondi eu.

- Vamos! Responda! Conhece ou não conhece?

Foi quando um outro policial saiu do meu quarto trazendo um pedaço de papel. Parecia uma foto.

- Olhe isso. – Falou o cara, dando o tal papel pra policial.

- Hummm… Então você conhece a fabiana, não? – Falou ela colocando a minha foto da Fabiana bem perto do meu rosto.

- Éééé… Não me é estranha… – Respondi sem pensar.

- COMO ASSIM NÃO TE É ESTRANHA????? VOCÊ TEM UMA FOTO DA MULHER AQUI!

Não tinha o que fazer. Até que me ocorreu uma idéia estupidamente idiota.

- Escuta – falei pra mulher – Vocês achavam que essa era a casa dessa tal de Fabiana, certo?

- Certo. – respondeu ela.

- Então. Aí vocês entram e dão de cara com um homem! Um homem que tem uma foto da tal mulher!

- Exato!

- Pronto! Não está claro?

- O que está claro?

- A tal Fabiana armou pra mim!

- Olha – falou a policial – tá parecendo mais é que você é namoradinho dessa moça!

- Namorado?

- Exatamente!

- Bom, e se eu realmente for?

- O senhor sabe que ela é procurada por roubo, certo?

- Hã… Não.

- Duvido…

- Bom, - falei, tomando uma decisão – Se é assim, vamos até meu quarto que eu te provo que não tenho ligação alguma com essa tal de Fabiana.

- OK! Vamos então!

Guiei-a até o meu quarto. Entrei e vi que a janela estava aberta, como eu esperava. Olhei melhor e vi que lá fora não tinha nenhum policial, provavelmente estavam agora perto da porta da frente e dentro da casa.

De repente, num impulso de força e agilidade eu corri, saltei a cama e pulei de ponta pela janela. Caí de cara na grama e quando olhei pra trás vi a policial pulando a janela e gritando para os outros policiais.

Levantei num pulo e sai correndo o mais rápido que eu pude. Ouvia vozes de policiais gritando para eu parar e virei na primeira esquina para não levar um tiro. Corri como nunca tinha corrido na vida. Não olhava para trás. Nem queria.

Corri, corri, corri.

Depois lembrei que tinha que ir até o Caneco Largo encontrar a Fabiana. Já não sabia o que fazer. De certa forma eu sabia que aquilo ia acontecer.

Sempre correndo eu virei a esquina que dava para o bar e vi a Fabiana sentada numa mesa, bebendo alguma coisa. Junto dela estava o Fábio e mais um cara alto e forte. Usava um terno preto e óculos escuros. O resto da roupa era preta, menos a camisa.

Parei na mesa com meu estômago quase saindo pela boca.

- E………. eellss……… uuuuuuufffffff…… eleeeeeeeessssssssss….. e….. e. e. eee………… – tentei sem sucesso explicar a situação

- Você tá correndo deles? – perguntou o cara de preto.

- Sssssssssssssssssss……………..si…………….

- Vamos embora, falou ele subitamente. RÁPIDO! – disse ele e saiu correndo e puxando todo mundo.

Sem sentir mais nada eu simplesmente deixei que minhas pernas fizessem o trabalho delas. Nós quatro corremos que nem loucos por três quarteirões.

Virando a esquina demos de cara com duas viaturas policiais paradas e uns oito policiais em pé, apontando suas armas para nós. Viramos para trás e… mais viaturas. Pro lado… mais viaturas. Pro outro… bem, deu pra perceber que estávamos cercados.

         - Parados! Vocês não tem para onde ir! – Gritou a sargento que saiu de trás de uma das viaturas. Como se isso fosse uma novidade.