23/11/2006Eco

Hoje eu recebi uma notícia que me abalou emocionalmente de tal maneira que eu fiquei tremendamente triste e sem acreditar. Não, a garota por quem eu estou apaixonado não começou a namorar meu melhor amigo. E eu também não perdi meu HD por causa de um vírus. Não, eu não vou ter que acordar cedo amanhã. Foi algo muito, muito pior.
Tudo começou assim: tomei meu banho sem preocupação e depois sentei no sofá pra assistir TV. Tava num desses jornais que passam de noite. E depois da notícia do japonês de dois metros e trinta que está no Brasil eu ouvi a chamada: “Pesquisas revelam que daqui a quarenta anos todas as espécies marinhas estarão em extinção.”
Pasmei. “Como assim todas?” eu me perguntei. E continuei assistindo.
Não, eu não estava ouvindo errado. Era essa a previsão! Motivos? Aquecimento global. É isso que pensamos de primeira. Mas não foi isso que eu ouvi. Isso afeta sim a vida submarina, mas as duas principais causas de extinção das espécies marinhas são, hoje, a poluição (= aquecimento global) e a caça predatória.
Eu vou falar sinceramente pra vocês, meu impulso inicial foi o de desistir do teatro, dos meus sonhos cinematográficos, da minha casa, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família toda, do meu computador, da TV, das idas ao cinema, da garota por quem eu estou apaixonado, do basquete, da minha cama e de toda minha atual vida e me juntar ao Greenpeace ou ao WWF e sair por aí num bote inflável alaranjado atrás de transatlânticos caçadores no meio do oceano.
Bom, talvez não o WWF ou o Greenpeace, mas algum que me dê mais liberdade pra eu poder afundar os navios de caçadores com uma bazuca.
Daí eu voltei pra realidade do meu confortável sofá. Deparei-me com minha TV de 29 e lembrei que eu estava de chinelo, sem pentear o cabelo e que a praia mais próxima da minha casa ficava a duas horas de carro daqui.
Comentei isso com meus pais durante a janta (não os meus desejos e sim a notícia). Meu pai me lembrou da situação dos EUA, que continua dando as costas pra coisas insignificantes como o tratado de Kyoto e achando que tem que dominar à força tudo que pensa em ameaçar sua supremacia enquanto adolescentes morrem nas escolas assassinados por alunos da mesma. Sem contar que o país liderado por aquela besta do Bush é o que mais polui (36,1% do total mundial).
Bom, depois dessa longa introspecção que me fez relembrar várias aulas do meu colegial tive outro impulso que me deu vontade de comprar um rifle de precisão, entrar clandestinamente nos EUA e acertar aquele presidente energúmeno. Mas ir preso depois não ia adiantar muito.
Voltei a mim e me vi comendo mamão de pé na beira da pia olhando pro canil da minha cachorra.
Pensei no que eu poderia fazer pra que no futuro essas previsões não dessem certo.
Coisas como reciclar meu lixo. Não jogar papel de bala pela janela. Não demorar no banho. Coisas básicas como essas são fundamentais. O que mais?
Comecei pensando que podia pesquisar mais sobre as conseqüências de, num futuro próximo, todas as espécies marinhas entrarem em extinção. Depois pensei em saber mais sobre o aquecimento global e como anda o tratado de Kyoto. Bom, resumindo eu queria me aprofundar no assunto.
Comecei a pesquisa e achei um artigo na Folha Online sobre crimes ambientais. Queria reproduzir o último parágrafo:
“Se você se preocupa em manter os ecossistemas mais saudáveis, você também pode ajudar os biólogos e a Justiça a desvendarem ou a prevenirem crimes ambientais. Toda vez que estiver diante de danos ao ambiente (por exemplo, desmatamentos indevidos em áreas de mananciais, construções irregulares em áreas de marinha), em áreas públicas da União, procure descrever minuciosamente o dano, se possível, documente fotograficamente o fato, a data, o autor do dano, quando conhecido, e indique testemunhas. Encaminhe uma denúncia formal ao Ministério Público exercendo, assim, a cidadania de forma responsável.” (FABIO GIORDANO; Especial para a Folha de S. Paulo - 29/01/2004 - 08h13).
Foi um começo. Vi depois um vídeo mostrando que um dos maiores lagos do Chile, o Chungara, está secando. Vítima do aquecimento global. Comecei assim minhas pesquisas sobre como anda o Protocolo de Kyoto.
Li uma entrevista com o político convertido em ambientalista convertido em estrela de cinema, Albert Gore Jr., ex-vice-presidente (democrata) dos EUA, que veio ao Brasil lançar seu livro “Uma Verdade Inconveniente” e seu filme homônimo sobre o efeito estufa.
Resolvi, mais uma vez, dar um “Ctrl-c, Ctrl-v” na primeira pergunta feita pela Folha para ele:
“Folha - O mundo todo se reúne no mês que vem em Nairóbi para debater uma extensão do Protocolo de Kyoto. O senhor acha que nós ainda deveríamos perseguir um tratado global contra o efeito estufa, sendo que Kyoto se mostrou pouco eficaz e as emissões subiram muito nas últimas décadas?
Al Gore - Eu vejo de outra maneira. Acho que o Protocolo de Kyoto teve, sim, um efeito positivo, porque o problema teria piorado muito mais rapidamente sem ele. E a principal razão pela qual Kyoto não teve um efeito mais positivo foi porque os EUA não se juntaram ao tratado. Quando se juntarem, vai haver um mercado fechado para emissões de carbono, e o mercado vai operar com muito mais eficiência. Há muitos aspectos da solução para a crise climática que só podem ser atacados por um tratado global. A colaboração entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, por exemplo, só pode ser feita através de um tratado global como Kyoto. Se não houvesse um tratado, poderia haver vantagens para países que trapaceassem nas regras adotadas por todos. As negociações em Nairóbi acontecerão numa época em que os EUA ainda estão recuados. Mas eu tenho boa notícias: os EUA estão começando a mudar e em breve mudarão dramaticamente. Qualquer que seja o partido eleito em 2008, os EUA terão uma nova política. Nosso maior Estado, a Califórnia, já abraçou Kyoto. Trezentas e dezenove cidades americanas já abraçaram Kyoto. Muitos líderes conservadores e religiosos e empresários se separaram do presidente Bush nessa questão, e nós agora estamos às vésperas de uma grande mudança na política americana. O próximo tratado não será só uma extensão de Kyoto; terá medidas mais duras. E lembre-se: Kyoto só passa a valer em 2008. Então é cedo demais para dizer que ele não foi eficaz.”
Que ele esteja certo!
Sobre os oceanos especificamente eu pesquisei no site do Greenpeace. Dêem uma lida nesse link: http://oceans.greenpeace.org/pt/nossos_oceanos.
Aproveitem pra dar uma boa lida em outras coisas do site, que nos fornecem várias informações preciosas.
Entre inúmeras conseqüências do aquecimento global e de crimes ambientais em todos os níveis, o que se enxerga é um futuro desértico.
Porém, com toda essa pesquisa, que eu só comecei, me dei conta de que existem muitas formas de fazer desse nosso mundo, um mundo ecologicamente mais saudável.
Vamos pesquisar, procurar entender e ver o que podemos fazer. Não podemos parar por aqui, não podemos ver tudo sucumbir ao cinza. Mesmo que for pra somente discutir esse assunto com nossos amigos.
Assim como a política, a pobreza, o comércio de armas e as guerras; a ecologia é também peça fundamental do grande quebra-cabeça que é a nossa humanidade.
