A gente tira de ordem, desorganiza, desordena, desarranja, dissolve, coloca a dama antes do cinco e todas essas coisas que não tem ligação aparente para que o jogo possa acontecer! Seja bem vindo!

11/12/2006HS


“Existe no mundo uma arma para cada 12 pessoas. A única questão agora é: Como vamos armar as outras onze?”
Essa é a primeira frase dita no filme “O Senhor das Armas”. A história trata de um homem que viu no comércio de armas um modo de ganhar dinheiro. Seu envolvimento com esse mundo acaba levando ele para o comércio de drogas, acabando com a vida de seu irmão, que também era seu sócio.
Ele se casou com a mulher de seus sonhos e se tornou um dos melhores no ramo. Porém, depois de seu irmão, sua família o deixou. Com a vida alicerçada em mentiras e trapaças, ele acabou só, porém perito no que fazia. Despertando mais do que respeito de uns e ódio de outros.
“O futuro do mundo pertence aos vendedores de armas.” Diz ele no final.
Temos hoje no mundo incontáveis focos de guerra espalhados em praticamente todos os países. Os maiores são noticiados.
Duvido que alguém ainda não tenha feito a pergunta se isso vai acabar um dia. Até os vendedores/traficantes de armas… Melhor: principalmente os vendedores/traficantes de armas fazem essa pergunta. Pois se as guerras acabarem, eles estão desempregados. E é por isso que infelizmente estamos longe de uma época de paz, apesar de estarmos contraditoriamente cada vez mais perto dela.
E isso ninguém pode negar, nunca se fez tanto para um mundo melhor como hoje. Cada atrocidade noticiada mundialmente e principalmente as que acontecem na nossa esquina, clama por uma época mais segura e tranqüila. Mesmo que elas resultem em um fruto do isolamento crônico que vemos ou fazemos parte. Porém isso é proporcionalmente minúsculo perto de todas as idiotices assassinas que mentes extraterrestres bolam hoje em dia.
Pena as pessoas mais poderosas do mundo dependerem da interrupção da vida alheia para ganhar seu salário.
Bom, já que ninguém liga pra nada hoje em dia a não ser para a limpeza do próprio umbigo, é uma boa idéia entrarmos na dança, pois, afinal, não é justo que de doze pessoas no mundo somente uma possa ter uma arma…

8/12/2006CORRE! (1)

CORRE!!!

Apresento aqui o primeiro post da série “Corre!”. É uma história minha que acabou saindo grande. E que por acaso eu ainda não terminei. Sendo assim eu publicarei aos poucos. E é um jeito legal de publicar histórias, farei mais desse jeito com outras idéias minhas!

Não tenho idéia se vou publicar os outros capítulos com espaços de tempo definidos. Veremos no que isso dá! Aí vai!

CORRE! (cap. 1)

Nem sempre eu fui fugitivo. Pra falar a verdade, depois das aulas de química, na época do meu colegial, eu nunca fugi de mais nada. Pelo menos nada que eu me lembre.

Nada como um pouco de incerteza na vida pra mudar um pouco as coisas.

Antes de qualquer coisa, meu nome é Davi. Fiz faculdade de jornalismo. Logo depois consegui um estágio no Estadão. Eu realmente era um cara de sorte! Até hoje tento entender como eu consegui esse estágio. Não sei por que sempre que eu penso nisso me vêem à cabeça coisas não muito legais, também não entendo em qual sentido essa palavra “legais” aparece.

Bom, de qualquer forma consegui evoluir no jornal e meu último cargo foi o de editor chefe. Sabe? É o cara que tem o trabalho de colocar os textos nas colunas, decidir onde ficam as imagens e tal. Ganhava bem.

Não tinha projetos de ser mais nada além disso. Talvez repórter, mas esses eram planos futuros. De qualquer forma, ser procurado pela polícia não era meu sonho de realização profissional.

Eu falo tanto que sou fugitivo mas não explico nada para que vocês tenham uma linha plausível de raciocínio, né?

Mas não se preocupem, estou aqui para isso. Resolvi publicar na internet (pra depois colocar num livro) minha trajetória desde o fatídico acontecimento até os dias de hoje.

Acho que já deu pra ficar claro que a historinha que eu vou contar é sobre minhas inúmeras peripécias enquanto fugitivo. O que vocês não sabem ainda é que eu, durante o processo, colocarei trechos do meu diário aqui, assim o negócio fica mais interessante. E também fica maior. Dá pra encher mais lingüiça, pois como eu disse, eu quero publicar, e não imprimir em papel barato e sair tacando pela rua, colando em postes e essas coisas, entenderam?

Vamos então começar. Como eu disse, eu era editor chefe do Estadão, e estava feliz ali. Até o fatídico acontecimento!

Esse fatídico acontecimento tem um como, tem um quando, tem um porquê, mas o mais importante sobre esse acontecimento é quem.

Opa! Melhor parar por aqui! É um lugar bom pra cortar o texto, principalmente pelo fato de que estamos num blog!

Não percam o próximo post!

7/12/2006Burrice

Com o tempo a gente vai descobrindo que o ser humano pode ser uma criatura estupidamente tapada. Luana sabia disso desde sempre. Talvez por ter sido criada numa família esclarecida. Ou talvez por ter se interessado pelos estudos como ninguém. Porém ela diz que sabe disso pelo simples fato de ter nascido mulher.

Sempre que andava pelas ruas acabava brigando com alguém. Observadora, sempre que via alguma pessoa jogar qualquer tipo de lixo no chão ela catava, chamava a pessoa e, na frente dela, jogava o lixo no seu devido lugar.

Não falava nada. O ato já diz tudo, dizia ela.

Na maioria das vezes a pessoa somente continuava a andar sem ligar para ela. Outras diziam: “Pra quê? Todo mundo joga no chão! Que diferença faz?”. Acontecia (em casos extremos) de pessoas falarem: “Tá bom sua certinha idiota. Vá colocar esse lixo no [censurado]! Vai ser chata assim l…” nesses casos o papo parava sempre por aí. Normalmente o que vinha depois era um belo murro na cara do cretino.

Ela lutava. Não muito bem, mas o suficiente para calar pessoas cretinas.

Mais raro que esse último caso extremo era ela ouvir: “Desculpe!”

De qualquer forma era assim, tudo que ela achava errado ela corrigia de um jeito tal que todos saiam ganhando no final. Que seja um olho roxo, mas ganham.

Eu fui um dos que conheci o punho dela antes de conhecer ela. Pouco agradável.

Contarei um pouco de como foi.

Aquele dia, como também aquela semana, não estava nem um pouco bom. Minha mulher de TPM. Sabe como é né, ser seqüestrado é definitivamente uma situação mais fácil do que enfrentar mulher com TPM. O seqüestrador pelo menos aceita negociar.

De qualquer modo não era só minha mulher que estava dificultando meu dia. O pior era o trabalho. Mas eu não quero entrar em detalhes.

Era horário de almoço e eu fui pro restaurante. Lá estava Luana. Estava com algumas amigas. Eu comi e fui embora. Mas antes disso eu comprei uns chicletes pra ir comendo até o escritório. Nessa hora ela já estava lá fora despedindo das amigas.

Eu saí e abri o chiclete. Vi o lixo e taquei a embalagem nele. Foi aí que eu vi a moça abaixando, pegando meu papel e colocando dentro do lixo. Ela me olhava com uma cara de absoluta reprovação. Eu não entendi e, ao voltar os olhos para o meu caminho, movido por tudo o que me acontecia, eu murmurei: “Faça isso mesmo!”

Depois disso eu senti um cutucão no ombro. Eu virei para checar. Foi quando eu conheci seu punho.

Surpreendido eu caí no chão com a mão no olho. Percebi o vexame e levantei pronto pra deixar o rosto do responsável sem forma.

Foi aí que eu me deparei com o furioso rosto da Luana.

- Foi você?

- Sim! E aí?

- Hã… Nada!… Quer dizer, como é que é isso de você vir pra cima de mim assim?

- E como é isso de você, além de jogar o papel no chão, ainda me dizer uma coisa daquelas? Qual é o seu problema?

E foi ali que eu comecei a conhecer aquela mulher um tanto estranha.

Alguns minutos de papo eu comecei a entender o lado dela. Adorei a idéia e achei que aquela atitude de fazer os outros entenderem o mal que causam fazendo o que eu fiz era o que faltava no mundo.

E não só o que eu fiz! Ela faz tudo o que pode em todos os campos: ecologia, social, tudo que ela pode fazer pela nossa cidade ela faz!

Hoje eu sou um dos adeptos desse sistema. Acho que todos deveriam ser. Imagina o quanto tudo ia ser mais fácil!

Realmente: mudar (ou tirar do coma) a cabeça das pessoas (começando pela nossa) é uma ótima solução para quase todos os nossos (e do mundo) problemas.

         A única coisa chata é que até agora eu ainda não tive que bater em ninguém…

Nota Musical?

O dia até ali estava dos melhores. Ele não tinha ganhado nada, não estava de férias e não tinha sido dispensado do trabalho. Era só que tinha acordado com o pé direito. Seu dia foi completo e igual aos outros. Com direito a meia hora de almoço, uma pilha imensa de folhas em cima da mesa, aquele amigo idiota tirando sarro de sua gravata e a recepcionista do escritório feia como sempre olhando pra ele de um jeito estranho.

Nada diferente. E ele estava contente. Não sabia por que, mas estava. Estava no ônibus voltando para casa. Ouvia música. Sorria.

Alguém pediu para que o ônibus parasse. Ele não via quem era, o ponto estava cheio. A porta da frente abriu e a de trás também. Foi quando ele a viu. Uma senhora baixa e surrada pelo tempo. Cabelos estranhamente longos, esbranquiçados e lisos. Soltos. Vestia algo que parecia um roupão azul. Uma tiara azul também. Era magra.

Ela entrou no ônibus pela porta de trás e na hora cantava. Ele não ouviu o que, mas cantava. Sentou na sua frente, ao lado de uma moça gorda que vestia vermelho.

O ônibus saiu e a senhora começou a cantoria:

“Como eu queria ser a morte!”

Ele ouviu isso e tirou os fones do ouvido. Olhava para ela.

“Mas Deus vem e me levará para o céu!”

Ele só ouvia.

“Deus é a salvação!”

E assim por diante. Ele sorria. A que vestia vermelho ao lado da velha se espremia cada vez mais no vidro, sua cabeça o mais longe que lhe era possível.

Nos bancos do lado da velha sentava uma jovem com suas sacolas. Não era magra.

Ele só olhava. A velha só cantava.

A jovem, de vinte em vinte segundos, olhava para a velha com um olhar de absoluto estranhamento.

A mulher de vermelho só se espremia. Ele só olhava. A velha só cantava.

Um garoto puxou a cordinha para que o ônibus parasse. Ao sair olhou para a velha, curioso. E a velha cantava.

Ele, a cada segundo ia gostando mais da situação. Que dia!

A velha cantava cada vez mais alto. A que vestia vermelho provavelmente não sabia que tinha a habilidade de contorção que mostrava ter naquela hora.

A jovem não sabia para onde olhar. E cada pessoa que saia do ônibus ou entrava, olhava para a velha desejando ser exatamente quem eram.

E a velha cantava desafinada. E não aparentava querer parar.

Ele observava e sorria.

Agora ele sairia do ônibus. Puxou a cordinha e não olhou para a velha. Somente sorria. A velha parou um pouco. Ele desceu e ouviu-a recomeçando a cantoria.

Para ele os dias que viriam depois daquele até o último de sua vida passaram a ter outro astral. Por mais que as coisas parecessem absurdamente rotineiras, chatas ou tristes. Ele descobriu que, independente dos outros e da música, pode sempre recomeçar cantando.

5/12/2006In S2

Aqui vai uma conversa de MSN que um amigo meu me mandou. Eu li e adorei! Achei tremendamente absurda, mas com resultados surpreendentemente reais!
Já faz um tempo que aconteceu, demorei para convence-lo a me deixar publicar aqui!
O que aparece entre parêntesis são comentários meus ou coisas que ele me falou que tinha acontecido durante.
Aí vai:
Mªr¢ºZ hehe… diz:
oi!
*BruninhA* diz:
oi
Mªr¢ºZ hehe… diz:
td bm?
*BruninhA* diz:
td e vc?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tb!
(aqui se passou alguns minutos sem ninguém teclar nada)
Mªr¢ºZ hehe… diz:
é…
*BruninhA* diz:
qq foi?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
nuss, dsculpa, n vô + te incomodah…
*BruninhA* diz:
kkkkkkkkkkkkkkk
*BruninhA* diz:
brinkdeira…
*BruninhA* diz:
diga…
*BruninhA* diz:
o q manda…
Mªr¢ºZ hehe… diz:
nd naum… num vo mais te atrapalha
*BruninhA* diz:
dexa de ser bobo marcos…
*BruninhA* diz:
fla logo…
(mais um tempo sem respostas)
*BruninhA* diz:
eiiiii
Mªr¢ºZ hehe… diz:
Êêêê
Mªr¢ºZ hehe… diz:
qq foi agora
*BruninhA* diz:
fla ai qq vc ia flar….
Mªr¢ºZ hehe… diz:
intaum, eh q eu naum tinha cm qm falar e te vi on
Mªr¢ºZ hehe… diz:
sacumé
*BruninhA* diz:
nussa hemm
*BruninhA* diz:
obrigado plo “já q num tinha ngm… flo cm vc msm”
Mªr¢ºZ hehe… diz:
hehehe
Mªr¢ºZ hehe… diz:
mas acho q nm isso eu vo conseguir…
(pouco tempo se passou)
*BruninhA* diz:
pq?
*BruninhA* diz:
olha soh Marcos, fica fazndo poko caso da minha pessoa… dexa viu!!! um dia vai vir rastejando aos meus pés……rs
Mªr¢ºZ hehe… diz:
duvido
Mªr¢ºZ hehe… diz:
ou…
Mªr¢ºZ hehe… diz:
quem sabe eu jah esteja fazendo isso…
*BruninhA* diz:
nossa Marcos!…
*BruninhA* diz:
essa direta foi fogo…
*BruninhA* diz:
to até assustada!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tah bom, conta outra
*BruninhA* diz:
to falandu…
*BruninhA* diz:
foi mto direto
(um considerável tempo se passou)
*BruninhA* diz:
ficou sem palavras agora neh…..
Mªr¢ºZ hehe… diz:
naum!
*BruninhA* diz:
ahamm…
*BruninhA* diz:
sei….
Mªr¢ºZ hehe… diz:
tah bom, pnse o q qizer, naum tenho como provar
*BruninhA* diz:
apenas sei o q eu li… e vi o q estava escrito… o q era bem claro…
*BruninhA* diz:
sabe cm eh neh… as vezes perdemos a oportunidade da nossa vida em segundos…..
Mªr¢ºZ hehe… diz:
uuuuu, isso foi profundo
Mªr¢ºZ hehe… diz:
deu medo
*BruninhA* diz:
hehe… medo de mim? olha meu tamanho!!!! eu tenho q ter medo d vc!!!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
vai saber, vc e essas frases de efeito…..
*BruninhA* diz:
eu só naum estou com medo de vc pq isso naum faz mto meu tipo!!!!!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
o qq num faiz muito seu tipo?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
num intendi!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
eh bom vc ter medo viu?
*BruninhA* diz:
pq eh bom ter medo? Num faiz muito meu tipo ter medo de homem…
*BruninhA* diz:
rsrsrs
*BruninhA* diz:
o q vc pode fazer comigo?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
olha meu tamanho!…
*BruninhA* diz:
tamanho naum é documento, aprendi isso na escolinha
Mªr¢ºZ hehe… diz:
OK, essa nossa conversa está um tanto ambígua… sou a favor de começarmos de novo!
Mªr¢ºZ hehe… diz:
Oi!
*BruninhA* diz:
oi!
*BruninhA* diz:
rsrsrs
Mªr¢ºZ hehe… diz:
td bom?
*BruninhA* diz:
td e vc?
Mªr¢ºZ hehe… diz:
mais ou menos
*BruninhA* diz:
naum intendi
Mªr¢ºZ hehe… diz:
meu, sacumé, chega um dia q agnt percebe q o coração resolve bater por alguém…. aí pronto! ”
Bom, e assim foi. A conversa tem umas trinta e cinco páginas e esse é o começo dela.
Acho que já dá pra ver onde isso vai parar! Hoje o Marcos e a Bruna estão no fim do segundo ano de namoro e já tem a data do casório marcada.
Resta dizer que eles se conheciam fazia dois anos, contando da data dessa conversa.
E foi nesse papo que eles viram que realmente gostavam um do outro. Semanas depois eles começaram a namorar.
Absurdo, não?

Duff!Era sábado. A idéia de ir ao cinema foi dele. Ele ligou para ela e disse para chamar as amigas. Ele ligava pros amigos. Ia ser legal, fazia um certo tempo que eles não saiam juntos.

Tudo tranqüilo e resolvido. Quatro carros. Toda a galera. Filme? “Ah, a gente vê lá!”

Filme bom. Melhor ainda é rever o pessoal. A conversa merecia uma prorrogação.

- Alguém aí tá com fome?

A idéia de ir ao bar foi dela.

Juntaram várias mesas, sentaram fazendo muito barulho, discutiram bastante até pedirem algo. Ou seja: testaram a paciência do garçom.

- Escuta. – disse ele – Anota aí: uma porção de polenta frita… Não, espera. Uma não. Duas! Isso! Duas porções de polenta frita com queijo ralado, hã… cinco espetinhos de carne e cinco de queijo. Duas porções de batatinha frita com cheddar e seis Brahma.

- OK, senhor. Algo mais?

- Não se esqueça dos copos, estamos em quinze!

- OK, senhor. Algo mais?

Ele olhou para o garçom com aquela cara de quem está perguntando: “é só isso que você sabe falar?”. O garçom, por sua vez, olhava para ele com aquela cara de quem diz: “aqui só me pagam pra falar isso.”

Embaraçosos segundos depois ele desistiu e voltou a conversar. Já o garçom foi fazer o que pagavam para ele fazer.

Algum tempo e várias cervejas mais tarde o celular de um dos amigos dele tocou.

- Alô? Oi! Como você tá, linda? Hã… Uau! Legal!… Eu? Então, to no Caneco Largo… É! Quer vir pra cá? Ah… Mas não…Não, não. Sem nenhum problema! Venham todas! OK! Tá! Estamos esperando! Beijo!

Mais gente. Amiga de amigo. Isso normalmente soa bem! Ele não esperava, mas gostou da idéia. Olhou para ela, que retribuiu com um olhar de indiferença.

Mais mesas. Mais cadeiras. Mais motivos para o garçom se perguntar o que diabos estava fazendo naquele emprego.

Minutos depois:

- Oi gente!

Vários “oi” foram ditos, vários beijos distribuídos e vários focos de esperança surgiram nos rostos masculinos solteiros e em alguns rostos masculinos comprometidos.

A amiga do amigo e suas amigas haviam chegado.

Ele amava ela de paixão e a recíproca era verdadeira. Sendo assim a última coisa que passava pela sua cabeça era ter um caso com a amiga do amigo.

Porém a tal amiga sentou ao seu lado. Nunca tinham se visto antes e a conversa fluiu naturalmente até que o garçom interrompeu:

- Tudo certo, senhor? Querem mais alguma coisa?

Aquela história de ser chamado de senhor não era legal.

Ele virou para as desconhecidas e perguntou:

- Vocês vão beber, não é?

Elas confirmaram e ele virou para seus amigos:

- A gente pede mais alguma coisa?

Um monte de gente falando, nada sendo resolvido e de repente o assunto faz a curva.

Tempos depois e com a perna cansada o garçom desiste de esperar e vai embora.

- Ei gente! – diz ele – O garçom até já foi! O que vamos pedir além das cervejas?

E algumas coisas foram pedidas. Minutos depois essas algumas coisas chegaram. As recém chegadas beberam e ficaram felizes.

Mais tempo e cerveja depois os assuntos eram variados e perambulavam entre uma amiga dele cantando em pé para quem quisesse ouvir e várias indiretas bem diretas da parte daqueles que não queriam que a noite terminasse ali naquele bar.

Ele olhava para ela e ela para ele. Sintonia perfeita. Amor verdadeiro. Silêncio.

- Gente! – pronunciou a amiga do amigo no ouvido dele – Só eu fumo aqui? Ninguém mais fuma? Só eu que vou fumar?

Ele, compreensivo:

- Pessoal! Alguém aqui fuma para fazer companhia pra ela?

Ninguém ouviu.

- Pois é – disse ela – eu fumo sozinha então.

E ele voltou para sua apaixonante troca de olhares.

- Você tá dirigindo, né? – perguntou a amiga do amigo para ele.

- Eu?

- É!

- Sim, eu vim dirigindo um dos carros.

Do outro lado dele ela prestava atenção no que acontecia.

- Seguinte – continuou a amiga do amigo – se você atropelasse um cachorro, o que você faria? Continuaria seu caminho ou parava para ajuda-lo?

- Humm – meditou ele sem interesse – Eu deixaria ele ali e continuaria.

- É. É o que eu faria. Mas sabe que semana passada eu tive um clique e que agora eu sempre vou ajudar os animais que eu atropelar.

Ele virou para ela, que estava adorando a idéia de vê-lo naquele papo de fim de noite imensamente absurdo. Ele piscou para ela, beijou-a e fez sinal para que prestasse atenção.

- Ah, é? Você cuida do animal então?

- Sim!

- Já cuidou de algum?

- Não.

- Mas vai?

- Sim!

- E você não pensou nos gastos que ele pode te dar? Comida, banho, veterinário…

- Hummm – refletiu a amiga do amigo – Não tinha pensado nisso!

- Pois é! – disse ele virando-se para ela e dando o assunto por completo.

- Mas sabe – continuou a amiga do amigo – acho que eu cuido do mesmo jeito!

Ele voltou, de novo, seu olhar para a amiga do amigo.

- Sério? Legal!

- É, eu cuido e depois eu devolvo pra rua.

Ele estranhou:

- Melhor então deixar ele na rua desde o começo, não é?

- Ah, não! Se eu pegar e cuidar e depois devolver alguém pode pega-lo depois e lhe dar uma casa!

- Hummm… Certo.

Ele definitivamente deu o assunto como encerrado e virou-se para ela, que estava já um pouco impaciente. Ele a abraçou, beijou e perguntou se queria alguma coisa.

Mais tempo e cerveja depois e alguns já tinham ido embora.

- Perdão, senhor. – falou o garçom.

- Sim? – indagou ele.

- Temos hora para fechar e…

- Hora para fechar? – gritou um de seus amigos do fim da mesa.

- Sim! – afirmou o garçom.

- Então – continuou o amigo – traga mais duas cervejas!

- Impossível senhor. – disse o garçom.

- Como assim impossível? – gritou o amigo num tom bêbado e bravo.

- Estamos fechando.

Prevendo a confusão ele pagou o garçom e convenceu todos a levantar e a ir embora.

O bar se fechou e, ainda na calçada o amigo se debatia absolutamente bêbado falando:

- Eu quero mais duas cervejas!

Outro amigo, para ver se acalmava o que restava de sóbrio no que gritava, deu um soco em sua barriga.

O bêbado adorou a idéia e devolveu o soco do modo que lhe era possível.

E foi assim que o grande tumulto começou, para a grande felicidade do bêbado e de todos que estavam pulando e batendo. Da rua vieram mais alguns e a festa tinha começado. O garçom, que tinha saído do bar para voltar para sua casa foi o que mais adorou a idéia da briga e começou logo a pular e a bater.

Três pessoas assistiam isso de longe e discutiam o que fazer.

- Sei não se vale a pena esperar isso acabar. – disse a amiga do amigo, um pouco tonta.

- É. – concordou ela, olhando para ele do modo mais apaixonante que ele já tinha visto.

- Então vamos. – falou ele – eu levo vocês para suas casas!

E assim foram até o carro. Ele abraçado nela e a amiga do amigo do lado deles tropeçando de vez em quando.

E de fundo um bando de gente se divertindo.

Era sempre assim, ele sempre voltava do trabalho e sentava na frente do computador. A mulher sempre reclamava:

- Geraldo Gutter! Saia desse computador! Agora!

E ele sempre respondia:

- Mas mô! A gente tem que usar o máximo que pode! Eu não vou ficar pagando por mais 32 meses esse negócio pra ver ele parado aqui!

- Foi a idéia mais idiota que você teve!

Era todo dia assim, menos de final de semana. Eles tinham comprado o computador numa superpromoção das Casas Bahia. 36 vezes sem juros! Uma pechincha!

Realmente a idéia mais idiota que ele teve.

Ele trabalhava de motorista de caminhão pra um supermercado famoso do bairro dele. Ela era diarista. Os dois saíam juntos na parte da manhã e só se viam á noite. Moravam numa casinha super simples: quatro cômodos. Mas era deles. Ele gostava de chegar e navegar na internet. Ficou um mês com discada, até que chegou a conta. Assinou o Speedy.

Ela entendia muito pouco de computador. Até tinha interesse, mas queria provar pro marido que ela sempre esteve certa e que a idéia de comprar aquilo era uma burrice sem tamanho. Certo dia ela ouviu uma música tocando. Foi ver de onde era e percebeu que era do computador. Saiu da cozinha e foi até ele:

- Bem, como você conseguiu essa música?

- Você não vai acreditar! Eu descobri como baixar músicas!

- Baixar?

- É, quando você pega elas da internet pra você! Um achado!

- E dá pra achar qualquer música?

- Sim!

Depois de observar muito bem observado seu marido mexendo, ela voltou para a cozinha tentando esconder seu interesse. No dia seguinte quem saiu pra trabalhar foi só ele. Ela não tinha sido chamada pra nada.

Acordou umas dez e meia. Pra passar o tempo começou lavando toda a louça, secando e guardando. Aproveitou que estava guardando e deu uma geral na limpeza dos armários da cozinha. Pegou o embalo dos armários e partiu pras prateleiras, gavetas, mesa, pia e assim por diante até deixar a cozinha num brilho que explicava porque o dia de faxina dela não era dos mais baratos.

Bom, assim foi exatamente como vocês podem imaginar: depois da cozinha foi pra casa toda (leia-se quarto, banheiro e sala). Terminando a casa toda, o relógio mostrou meio dia e quinze; mais um motivo do quanto ela cobra por faxina. Resolveu fazer o almoço. Almoçou. Sem o que fazer ela foi cuidar do jardim e da parte de fora da casa. Coisa que demorou até umas quatro horas da tarde. O marido chegava às oito.

Ligou a TV. Ela realmente não gostava dos programas que passavam na parte da tarde. Não gostava mesmo. E além de tudo sua TV tinha 99 canais, só 18 deles pegavam, porém só sete realmente prestavam, na medida do possível. Logo desligou. Resolveu ir tomar banho e se arrumar. Assim o fez. Cinco e meia.

Ainda preocupada com o que fazer para passar o tempo, adiantou o que pôde da janta, arrumou a mesa e começou a fazer a comida.

Seis e meia e ela já tinha feito absolutamente tudo o que ela podia. Pensou então em conversar com as amigas vizinhas. Ninguém em casa. Nenhuma novidade. Sentou no sofá sem nada em mente. Olhou para o computador. Pensou nas músicas. Num ímpeto de coragem e curiosidade ela foi até ele e ligou. Tá, não foi assim tão rápido, ela demorou certo tempo até descobrir como se ligava aquilo.

Com a tela brilhante ligada ela fez o que lembrava do que seu marido fazia. Clicou num lindo desenho de um burrinho marrom muito simpático. Pelo que ela lembrava era esse o tal novo programa que “descia” músicas. Não muito burra e lembrando dos lugares onde seu marido clicava, ela tentou no botão “pesquisar”. No “nome” ela colocou uma de suas músicas preferidas dos seus tempos de discoteca. Clicou “Iniciar” e não deu certo. Depois de muito fuçar ela descobriu o raiozinho amarelo no canto da tela que dizia: conectar. Lá ela clicou e depois novamente em “pesquisar”.

Milésimos de segundos depois uma incrível lista de mais de 150 nomes surgiu na sua frente. Ela conhecia todas as músicas que ali apareciam. Foi clicando nelas até quase todas ficarem vermelhas. Havia descoberto como era bom baixar músicas.

Ele chegou em casa.

- Cheguei!

- Quem é?

- Como assim quem é? É o Brad Pitt, sempre quis conhecer sua casa… Quem mais entra todo dia em casa nesse mesmo horário?

- Ahhn…

Ele estranhou muito, mas continuou. Adorou entrar e ver tudo limpinho e na mesma hora veio a idéia de propor que ela só trabalhasse nos fins de semana. Chegando ao quarto ele quase teve um derrame.

- AAAAAAHHHHHH!!! MULHER! O QUE VOCÊ TÁ MECHENDO AÍ?

- Ei! Calma lá! Eu tô só baixando umas musiquinhas!

- BAIXANDO UMAS MUSIQUINHAS???

- É, ué! Algum problema?

Ele parou. Para falar a verdade ele já estava parado. Ele parou para pensar um pouco. Depois de algum tempo decidiu:

- Claro que tem! Você lá sabe mexer aí?

- Mais ou menos. Tô aprendendo!

- Como assim “tô aprendendo”?

- Ué, não tinha nada pra fazer. Aí resolvi ver se conseguia achar umas músicas que eu gosto!

Ele já não sabia se a idéia dela trabalhar só aos finais de semana era assim tão boa. Se ela soubesse que isso tinha passado pela cabeça do marido, teria aceitado de primeira!

Ele não falou mais nada e foi sentar pra comer. Esperou, esperou, esperou. Ela não saía daquele computador. Quinze minutos depois ele ainda estava esperando.

- Fátima Gutter! Saia desse computador! Agora!

- Mas mô! Não foi você quem disse que a gente tinha que usar o máximo que puder? Então, eu só estou ajudando!

E foi assim que ele viu que comprar aquele computador tinha sido a idéia mais idiota da sua vida. E também aprendeu como o computador pode ser uma coisa extremamente repugnante.

Já ela aprendeu uma coisa que mudaria a vida do quase tranqüilo casal: baixar músicas.

Ela adorou.

Independente da vitória do São Paulo, de um Papai Noel japonês vencedor da corrida de renas, do Bush na Indonésia, dos sem-teto de Gaza, das mortes no Iraque, de protestos no Tibete, do nevoeiro em Belarus e do incêndio na favela do Sapé, Flávio precisava viajar.

Viajava sempre a trabalho. Sempre. Já tinha o traquejo de voar. Sabia de praticamente todos os banheiros dos aeroportos de Curitiba, São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Conhecia várias aeromoças e tomava café com os pilotos.

Porém, desde outubro ele tem ficado bastante nervoso e com muita dor nas costas.

- Dormir nesses bancos de aeroporto não é muito confortável – dizia a quem perguntava por que ele estava sempre com as mãos nas costas e com uma cara estranha.

Esse constante atraso dos vôos o deixava com vontade de sair chutando todos os aviões que encontrasse pela frente. Já tinha perdido seis reuniões bastante importantes e quatro não tão importantes assim.

Dessa vez ele ia de Congonhas até Brasília. Tinha um almoço chique com uns caras chatos e cheios de dinheiro. Não pretendia perder aquilo. Com a passagem na mão foi esperar o vôo.

Não deu outra: atrasou.

Era pra ele sair às seis e meia. Eram sete e quinze e o vôo não tinha saído. Depois de ter esgotado todas as opções possíveis e imagináveis de se ficar sentado ele resolveu dar um pulinho na tela onde os vôos eram mostrados.

Depois de desviar de algumas pessoas que dormiam no chão ele chegou à tela. Em pé e olhando pros horários dos vôos estava uma mulher, aparentemente com a sua idade, cabelos longos e cacheados, olhos de um incompreensível castanho, estatura média, pele nem muito clara e nem muito escura. Bonita. Usava uma saia e uma blusa que sem querer combinavam perfeitamente.

Parou ao lado dela para checar a tela. Ela não parecia muito feliz, mas também não aparentava dor na coluna.

- Quanto tempo você está esperando aqui? – perguntou ela.

Ele se surpreendeu com a pergunta. E gostou.

- Eu? Hã… Umas duas horas e meia. Era pra eu ter saído às seis e meia. E você?

- Nove horas.

- Nove horas!?

- Nove horas. – disse ela, melancólica.

- Uau! É muito tempo! – comentou ele e logo se arrependeu. – Hã… você voa sempre?

- Pelo menos uma vez por semana.

- Trabalho?

- É.

- Eu também.

Ficaram num silêncio que ele achou revoltante. Ela não estava nem aí.

- Já pegou um atraso desses? – perguntou ele.

- Até hoje não.

- Cansativo né?

Ela olhou para ele e novamente ele se arrependeu de ter comentado.

- Tentou ler alguma coisa? – tentou ele mais uma vez.

- Sim, mas até isso acaba cansando. Depois fui comer. Depois fui conhecer melhor o aeroporto.

- Adianta por um tempo.

- Pouco tempo.

- É… E palavras cruzadas?

- Já tentei. Fiz três revistinhas.

Ele não falou, mas nunca tinha feito palavras cruzadas. Não por falta de tentar, ele era péssimo nisso.

- Você vai a alguma reunião? – perguntou ela.

- Sim, se der tempo. E você? Reunião também?

- Não.

- Passeio?

- Não.

- Então…

- Casamento.

Ele não entendeu qual a ligação do trabalho dela com casamento.

- Ah! – disse ele – atrasar pra casamento é complicado!…

Ela respondeu um “é” que o fez desistir de comentar qualquer outra coisa. Viu que o papo não ia pra frente e resolveu voltar ao seu banco.

Já sentado, depois de um tempo, a mulher veio até ele e falou:

- Você trabalha no quê?

Sem entender direito ele começou:

- Bom… Eu trabalho numa empresa…

- Tem alguém sentado nessa cadeira? – interrompeu ela inesperadamente. Ela apontava para a cadeira ao lado dele onde se encontravam suas pernas.

Surpreso ele gaguejou e disse que ela podia ficar a vontade. Tirou as pernas.

Ela foi sentando e dizendo:

- Meu nome é Laís, e o seu?

- Hã… Flávio.

- Oi Flávio! Será que eu posso ficar aqui com você e conversar? Os cinco minutos que agente conversou ali em pé foram os que passaram mais rápido!

Desnorteado e achando que na realidade estava dormindo em cima do braço ele respondeu:

- Sim! Por mim tudo bem! É bom ter com quem conversar nessas horas.

- É! – respondeu ela – Você tem família?

- Não.

- Não? Puxa, que pena… Nem namorada, noiva?

- Nada.

- Humm…

- E você?

- Minha mãe é viva e tenho um irmão.

- Sei.

- Não tenho namorado nem sou casada.

Ta. Aí ele realmente estranhou. Levantou, deu dois pulinhos, se beliscou, viu que aquilo era verdade, olhou para a moça, viu que ela realmente era linda, principalmente sorrindo como estava agora. Sentou novamente.

Eles conversaram por duas horas e meia até que chamaram o vôo dela.

Perdidamente apaixonados um pelo outro a idéia de ir embora não era das melhores. Estavam tão bem juntos.

Porém o problema não era assim tão grande, sendo que eles descobriram que moravam no mesmo bairro e freqüentavam a mesma padaria.

Marcaram um encontro pra quando voltassem e se despediram.

Ainda tentando entender se aquilo não era algum tipo de delírio ou miragem ele voltou ao seu banco e pensou, pensou, pensou. A única coisa que lhe vinha à mente era que tinha achado a mulher da sua vida.

E eu sou testemunha viva (sim, eu, o narrador) do quão inusitado foi o início desse relacionamento e o quanto ele dá certo e dura até hoje.

Como? Ora, fácil: eu sou o cara que estava sentado ao lado do Flávio. E fui eu que não consegui dormir com aquelas duas figuras pateticamente felizes conversando ao meu lado por mais de duas horas!

Quando ela foi embora pensei que teria sossego, foi quando ele voltou e começou a me narrar o apaixonante e inusitado acontecimento.

Desisti de dormir e ouvi. Gostei da história e vi que ele era um cara gente boa e que realmente estava amando, seja lá o que isso signifique.

Desafiando as probabilidades descobrimos que trabalhamos no mesmo prédio e que eu morava no bairro vizinho ao deles.

Atualmente nós, sempre que possível, almoçamos junto com o pessoal do prédio e ele sempre nos diz, todo feliz, como vai sua relação com a Laís.

Os dois se merecem.

Falando em almoço com o pessoal do prédio, foi num desses que eu conheci a Miranda, num episódio talvez até mais improvável que o do Flávio. Mas aí já é história pra outra hora.

23/11/2006Cocaína

Eu estava aqui pensando o que escrever. Várias idéias, nenhuma boa. Estava pensando no filme que assisti ontem: Miami Vice (primeira vez que eu assisto a primeira seção da estréia de um filme!).
O filme é bom! Violento, sexy, bom. Já de começo chama a atenção por não mostrar créditos iniciais. Você já começa de cara na história. Essa, por sua vez, é sobre a dupla de detetives Ricardo e Sonny que se infiltram no esquema de tráfico de drogas para desmascará-lo.
No meio da trama eles citam “Colômbia”. Sim, o país que mais produz a droga chamada Cocaína.
Depois de ler uma matéria sobre a produção da droga e de assistir o filme, fiquei pensando: a produção não vai parar, pois muita gente miserável vive de plantar e produzir a pasta da coca, que é depois vendida aos traficantes.
Na cidade de Caquetá, Colômbia, onde é produzida a droga, a moeda não é uma só. Existe o Peso, moeda local, e a Coca, que também é aceita como forma de pagamento do mesmo jeito. Pagar as compras de supermercado com um saco de cocaína é absolutamente natural naquele lugar.
Depois de passarem a droga para as mãos dos traficantes acontece quase exatamente como o filme mostra. A droga é passada para o mundo inteiro sem que ninguém perceba. Os que percebem, ou ganham para não perceber, ou simplesmente são levados para ver Jesus.
Para quem se envolve seriamente no tráfico a tentação é grande: o lucro é rápido e absurdamente extenso. Muita grana em pouco tempo. Tremendamente arriscado, isso é certo, mas…
Parece até uma ótima opção de trabalho: você sustenta os que vivem da produção e ganha muito com a distribuição.
Agora, existe uma outra maneira de se envolver com a droga: sendo usuário. Aí a coisa amarga. Se você compra uma vez, logo pede a segunda, até não ter mais dinheiro e começar a roubar ou ser mais um na fila de Jesus. Ou você compra até se matar usando. Não é nada bonito.
Todas as opções levam para um caminho sem volta e sem um futuro luminoso.
Mas para que falar isso? Todo mundo sabe sobre os danos que a droga e seus derivados causam.
Realmente isso é bem divulgado, mas não custa alertar, e além do mais, é o que eu estava pensando e pesquisando ultimamente.
Acho que cada um deve fazer a sua parte para melhorar a situação. É bom entender como funciona.

23/11/2006Eco

Hoje eu recebi uma notícia que me abalou emocionalmente de tal maneira que eu fiquei tremendamente triste e sem acreditar. Não, a garota por quem eu estou apaixonado não começou a namorar meu melhor amigo. E eu também não perdi meu HD por causa de um vírus. Não, eu não vou ter que acordar cedo amanhã. Foi algo muito, muito pior.

Tudo começou assim: tomei meu banho sem preocupação e depois sentei no sofá pra assistir TV. Tava num desses jornais que passam de noite. E depois da notícia do japonês de dois metros e trinta que está no Brasil eu ouvi a chamada: “Pesquisas revelam que daqui a quarenta anos todas as espécies marinhas estarão em extinção.”

Pasmei. “Como assim todas?” eu me perguntei. E continuei assistindo.

Não, eu não estava ouvindo errado. Era essa a previsão! Motivos? Aquecimento global. É isso que pensamos de primeira. Mas não foi isso que eu ouvi. Isso afeta sim a vida submarina, mas as duas principais causas de extinção das espécies marinhas são, hoje, a poluição (= aquecimento global) e a caça predatória.

Eu vou falar sinceramente pra vocês, meu impulso inicial foi o de desistir do teatro, dos meus sonhos cinematográficos, da minha casa, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família toda, do meu computador, da TV, das idas ao cinema, da garota por quem eu estou apaixonado, do basquete, da minha cama e de toda minha atual vida e me juntar ao Greenpeace ou ao WWF e sair por aí num bote inflável alaranjado atrás de transatlânticos caçadores no meio do oceano.

Bom, talvez não o WWF ou o Greenpeace, mas algum que me dê mais liberdade pra eu poder afundar os navios de caçadores com uma bazuca.

Daí eu voltei pra realidade do meu confortável sofá. Deparei-me com minha TV de 29 e lembrei que eu estava de chinelo, sem pentear o cabelo e que a praia mais próxima da minha casa ficava a duas horas de carro daqui.

Comentei isso com meus pais durante a janta (não os meus desejos e sim a notícia). Meu pai me lembrou da situação dos EUA, que continua dando as costas pra coisas insignificantes como o tratado de Kyoto e achando que tem que dominar à força tudo que pensa em ameaçar sua supremacia enquanto adolescentes morrem nas escolas assassinados por alunos da mesma. Sem contar que o país liderado por aquela besta do Bush é o que mais polui (36,1% do total mundial).

Bom, depois dessa longa introspecção que me fez relembrar várias aulas do meu colegial tive outro impulso que me deu vontade de comprar um rifle de precisão, entrar clandestinamente nos EUA e acertar aquele presidente energúmeno. Mas ir preso depois não ia adiantar muito.

Voltei a mim e me vi comendo mamão de pé na beira da pia olhando pro canil da minha cachorra.

Pensei no que eu poderia fazer pra que no futuro essas previsões não dessem certo.

Coisas como reciclar meu lixo. Não jogar papel de bala pela janela. Não demorar no banho. Coisas básicas como essas são fundamentais. O que mais?

Comecei pensando que podia pesquisar mais sobre as conseqüências de, num futuro próximo, todas as espécies marinhas entrarem em extinção. Depois pensei em saber mais sobre o aquecimento global e como anda o tratado de Kyoto. Bom, resumindo eu queria me aprofundar no assunto.

Comecei a pesquisa e achei um artigo na Folha Online sobre crimes ambientais. Queria reproduzir o último parágrafo:

“Se você se preocupa em manter os ecossistemas mais saudáveis, você também pode ajudar os biólogos e a Justiça a desvendarem ou a prevenirem crimes ambientais. Toda vez que estiver diante de danos ao ambiente (por exemplo, desmatamentos indevidos em áreas de mananciais, construções irregulares em áreas de marinha), em áreas públicas da União, procure descrever minuciosamente o dano, se possível, documente fotograficamente o fato, a data, o autor do dano, quando conhecido, e indique testemunhas. Encaminhe uma denúncia formal ao Ministério Público exercendo, assim, a cidadania de forma responsável.” (FABIO GIORDANO; Especial para a Folha de S. Paulo - 29/01/2004 - 08h13).

Foi um começo. Vi depois um vídeo mostrando que um dos maiores lagos do Chile, o Chungara, está secando. Vítima do aquecimento global. Comecei assim minhas pesquisas sobre como anda o Protocolo de Kyoto.

Li uma entrevista com o político convertido em ambientalista convertido em estrela de cinema, Albert Gore Jr., ex-vice-presidente (democrata) dos EUA, que veio ao Brasil lançar seu livro “Uma Verdade Inconveniente” e seu filme homônimo sobre o efeito estufa.

Resolvi, mais uma vez, dar um “Ctrl-c, Ctrl-v” na primeira pergunta feita pela Folha para ele:

Folha - O mundo todo se reúne no mês que vem em Nairóbi para debater uma extensão do Protocolo de Kyoto. O senhor acha que nós ainda deveríamos perseguir um tratado global contra o efeito estufa, sendo que Kyoto se mostrou pouco eficaz e as emissões subiram muito nas últimas décadas?

Al Gore - Eu vejo de outra maneira. Acho que o Protocolo de Kyoto teve, sim, um efeito positivo, porque o problema teria piorado muito mais rapidamente sem ele. E a principal razão pela qual Kyoto não teve um efeito mais positivo foi porque os EUA não se juntaram ao tratado. Quando se juntarem, vai haver um mercado fechado para emissões de carbono, e o mercado vai operar com muito mais eficiência. Há muitos aspectos da solução para a crise climática que só podem ser atacados por um tratado global. A colaboração entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, por exemplo, só pode ser feita através de um tratado global como Kyoto. Se não houvesse um tratado, poderia haver vantagens para países que trapaceassem nas regras adotadas por todos. As negociações em Nairóbi acontecerão numa época em que os EUA ainda estão recuados. Mas eu tenho boa notícias: os EUA estão começando a mudar e em breve mudarão dramaticamente. Qualquer que seja o partido eleito em 2008, os EUA terão uma nova política. Nosso maior Estado, a Califórnia, já abraçou Kyoto. Trezentas e dezenove cidades americanas já abraçaram Kyoto. Muitos líderes conservadores e religiosos e empresários se separaram do presidente Bush nessa questão, e nós agora estamos às vésperas de uma grande mudança na política americana. O próximo tratado não será só uma extensão de Kyoto; terá medidas mais duras. E lembre-se: Kyoto só passa a valer em 2008. Então é cedo demais para dizer que ele não foi eficaz.”

Que ele esteja certo!

Oceanos

Sobre os oceanos especificamente eu pesquisei no site do Greenpeace. Dêem uma lida nesse link: http://oceans.greenpeace.org/pt/nossos_oceanos.

Aproveitem pra dar uma boa lida em outras coisas do site, que nos fornecem várias informações preciosas.

Entre inúmeras conseqüências do aquecimento global e de crimes ambientais em todos os níveis, o que se enxerga é um futuro desértico.

Porém, com toda essa pesquisa, que eu só comecei, me dei conta de que existem muitas formas de fazer desse nosso mundo, um mundo ecologicamente mais saudável.

Vamos pesquisar, procurar entender e ver o que podemos fazer. Não podemos parar por aqui, não podemos ver tudo sucumbir ao cinza. Mesmo que for pra somente discutir esse assunto com nossos amigos.

Assim como a política, a pobreza, o comércio de armas e as guerras; a ecologia é também peça fundamental do grande quebra-cabeça que é a nossa humanidade.

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